Moçambique: ″Combates terminarão quando Nhongo for condenado em tribunal″ | Moçambique | DW | 17.08.2020

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Moçambique

Moçambique: "Combates terminarão quando Nhongo for condenado em tribunal"

A consultora Eurasia considera que os ataques armados da Junta Militar no centro do país deverá aumentar a curto prazo, mas o líder deste movimento deverá acabar em tribunal, marcando o fim do conflito.

RENAMO Guerillakämpfer in Gorongosa, Mosambik

Mariano Nhongo, líder da autoproclamada Junta Militar da RENAMO

Num comentário da consultora Eurasia aos últimos acontecimentos políticos nos países da África Austral lê-se o seguinte: "Os combates no centro de Moçambique entre as Forças de Segurança do Governo e a autoproclamada Junta Militar da RENAMO, grupo dissidente deste partido da oposição, deverão intensificar-se a curto prazo devido à oposição persistente ao processo de paz".

Apesar de os analistas anteciparem a continuação dos combates, afirmam também que "o atual julgamento de seis membros da Junta Militar em Sofala, acusados de conspiração contra a segurança do Estado, deverá resultar numa condenação, incentivando outros membros do grupo a deporem as armas".

E acrescentam: "Mariano Nhongo e outros líderes da Junta Militar deverão acabar em tribunal, o que deverá colocar um ponto final no conflito".

Os "traidores"

Para os analistas da Eurasia, Mariano  Nhongo começou por elogiar os termos do acordo de paz, salientando a vertente financeira do processo, mas "parece agora que já não acredita no regresso dos membros que depuseram as armas, referindo-se aos que participam no processo como traidores".

A imagem pública deste grupo "deteriorou-se gradualmente com a violência e a participação no processo de paz tornou-se mais apelativa", dizem os analistas, concluindo que "a Junta vai enfraquecer-se ainda mais à medida que as pessoas escolhem participar no processo de paz".

Logo após a assinatura do acordo de paz, em agosto de 2019, a autoproclamada Junta Militar da RENAMO, segundo as autoridades, iniciou ataques armados a alvos civis e das Forças de Defesa e Segurança (FDS) em alguns distritos e troços de estrada da região centro do país, incursões que já causaram a morte de, pelo menos, 24 pessoas desde agosto do último ano. 

Reivindicações da Junta Militar

Assistir ao vídeo 01:56

Moçambique: População de Vunduzi aliviada com saída de "Junta Militar" da RENAMO

O grupo de dissidentes exige a demissão do atual presidente da REANMO, Ossufo Momade, acusando-o de ter desviado as negociações de paz dos ideais do seu antecessor, Afonso Dhlakama, líder histórico do partido que morreu em maio de 2018.

Oficialmente, a RENAMO demarca-se da ação do grupo dissidente, classificando-o como desertor e reafirmando o seu compromisso com a paz e a reconciliação de Moçambique.

Os dissidentes, chefiados por Mariano Nhongo, um antigo dirigente de guerrilha da RENAMO, rejeitam o Acordo de Paz e Reconciliação Nacional, exigem o afastamento do líder do partido e apenas aceitam discutir as suas reivindicações com o Presidente da República, Filipe Nyusi.

Antecedentes

Ao abrigo do acordo, mais de 500 antigos guerrilheiros da RENAMO - da meta de pouco mais de 5.000 - já foram desmobilizados no âmbito do processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

O entendimento é o terceiro entre o Governo da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) e a RENAMO, desde a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) em 1992, que pôs termo a 16 anos de guerra civil.

Os dois acordos resultaram de confrontos entre as forças governamentais e a guerrilha da RENAMO na sequência da contestação dos resultados eleitorais pelo principal partido da oposição.

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