Moçambique: Câmara de Comércio garante que crimes não vão afastar investimentos | NOTÍCIAS | DW | 15.11.2018
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Moçambique: Câmara de Comércio garante que crimes não vão afastar investimentos

A Câmara de Comércio Moçambique-Portugal está preocupada com os raptos e assassinatos de portugueses em Moçambique. Mas uma coisa garante: estes crimes não vão afastar os negócios do país.

Os raptos e assassinatos de empresários estrangeiros em Moçambique, sobretudo portugueses, não vão minar os investimentos no país. A garantia é do vice-presidente da Câmara de Comércio Moçambique-Portugal, Alexandre Ascensão,.

Os empresários portugueses baseados em Moçambique estão preocupados com o clima de insegurança que se vive no país, mas também querem fazer investimentos, principalmente no setor do gás.

"Eu penso que não podemos colocar as coisas dessa maneira. Temos confiança de que as autoridades policiais estão a trabalhar no sentido de identificar os autores desses atos. Do momento não vejo isso como fator de inibição dos investimentos em Moçambique", afirma Ascensão.

A Câmara de Comércio Moçambique-Portugal refere que os empresários portugueses, e não só, devem ter confiança nas autoridades governamentais de Moçambique: "Neste momento sabemos que o nosso Governo está preocupado e está a interagir com as autoridades [policiais] para apurar a verdade dos fatos o que nos dá alguma confiança".

Preocupação e apelo à denúncia

Na semana passada, o empresário português José Paulo Antunes Caetano foi encontrado sem vida na zona da Moamba, a 70 quilómetros de Maputo, depois de ter sido pago o resgate aos sequestradores.

A Câmara de Comércio Moçambique-Portugal lamenta o caso, afirmando que "é triste quando se raptam e assassinam pessoas", mas reitera o interesse dos portugueses em Moçambique.

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Moçambique: Crimes "não inibem investimentos"

"Estamos num país que está numa fase de acolher investimentos estrangeiros, de desenvolvimento de grandes projectos, não só ligados ao gás, mas noutros grandes investimentos que estão na forja para saírem", garante Alexandre Ascensão.

Já a polícia moçambicana mostra-se preocupada com a demora na denúncia deste crime. O porta-voz da polícia ao nível da província de Maputo, Juarce Martins, pede que os cidadãos nacionais e estrangeiros apresentem estes casos às autoridades o mais rápido possível. "Temos uma polícia especializada para os crimes de rapto e temos estado a esclarecer alguns crimes que ocorrem ao nível da província. Portanto, não encontramos razões aparentes para as pessoas não se dirigirem à polícia, ou fazerem-no tardiamente", explica.

Casos por esclarecer

Em 2016, o empresário português Américo Sebastião foi raptado em Sofala, centro de Moçambique, e, até hoje, ainda não há nenhuma notícia do seu paradeiro.

A procuradora-chefe em Sofala, Carolina Azarias, admitiu nos finais de outubro, a possibilidade de reabrir o processo que foi arquivado por "falta de elementos para esclarecimento do caso".

"Quando surgirem elementos supervenientes que justifiquem a reabertura da instrução preparatória, nessa altura será reaberta com vista a prosseguirmos e a responsabilizarmos os verdadeiros autores", afirmou.

Entretanto, os empresários moçambicanos de origem indiana que em 2012 foram os principais alvos de raptos e assassinatos, mostraram a sua preocupação em relação à sua segurança.

"Qualquer país que tem segurança atrai automaticamente os investimentos. Nós estamos a ver os grandes países onde há muitos investimentos e os investidores vão para lá porque, porque estão seguros. Isto, de facto, é mau para a sociedade e para o país e para a economia", diz um empresário sob anonimato.

Desde 2016 foram assinados quatro cidadãos portugueses, na sua maioria, empresários. Os casos continuam por esclarecer.

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