Moçambique: Autoridades falam em retirada coerciva de atingidos por cheias na Zambézia | Moçambique | DW | 21.01.2020
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Moçambique

Moçambique: Autoridades falam em retirada coerciva de atingidos por cheias na Zambézia

Famílias afetadas pelas inundações na Cidade de Quelimane recusam-se a abandonar as suas casas para abrigos seguros. Eles receiam que os seus bens sejam roubados.

Mosambik Überschwemmungen in Zambezia (DW/M. Mueia)

Fortes chuvas alagam ruas e casas em Zambézia, Moçambique

A Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) de Moçambique apelou para a saída imediata de pessoas que vivem em áreas ribeirinhas da região centro do país devido ao risco de inundações.

"Estamos a apelar para a retirada imediata das populações das zonas ribeirinhas do centro do país", afirmou Agostinho Vilanculos, chefe DNGRH, em conferência de imprensa esta segunda-feira (20.01).

Desde o princípio do mês em curso que chuvas fortes fustigam a província central da Zambézia. E o Instituto Nacional de Meteorologia Moçambique prevê a continuidade da queda de chuvas fortes até o final da quarta-feira (22.01).

A autarquia de Quelimane já havia emitido um alerta no final de semana para que as famílias que se encontrem em casas submersas procurem abrigo seguro, principalmente nas escolas. Entretanto, esses abrigos continuavam vazios vazios.

A resistência dos moradores


Mosambik Überschwemmungen in Zambezia (DW/M. Mueia)

Moradoras tentam escoar a água das chuvas para melhorar a situação na região

Esta segunda-feira, muitos moradores disseram à DW em anonimato que não vão abandonar as suas casas, porque os locais de abrigo indicados não oferecem condições minimas para sobrevivência e temem que os seus pertences sejam roubados.

"Nós vivemos mal aqui. Nós estamos a pedir drenagem, passar aqui descansarmos com essa cheia". Afirma uma moradora. Outra delas fala que "não é possível deixar casa, deixar nossos bens, nossas crianças". Indignada, outra moradora afirma que "nossos bens vão ficar com quem? Vamos ficar aqui mesmo, (...) vamos ficar aqui nas nossas casas".

Uma delas fala sobre a situação desde o inicio das chuvas: "Nós estamos a passar mal aqui. Não podemos abandonar nossa casa, temos crianças e os nossos bens ficarão com quem?"

Outra moradora faz um apelo: “Não é possível sair daqui. Vamos ficar aqui nas nossas casas. Nós estamos a pedir a drenagem aqui [no bairro Acordos de Lusaka]. As cheias aqui não acabam. Estão a dizer para mudar, vamos mudar para onde? Lá há lugar para todos nós? As pessoas não querem sair daqui porque têm os seus bens, se não vão roubar”, acrescenta.

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Quelimane: Famílias sem água potável

O vereador da área de urbanização no conselho autárquico de Quelimane, Octavio Saide, aponta números:  "As pessoas não estão a acatar a mensagem de abandonar os locais. Elas dizem que, quando abandonam [as casas], vão perder os bens e é difícil recomeçar a vida. No bairro Mirazane, temos 32 casas destruídas. Em Micajune "A" são 172 pessoas desabrigadas, em Mingano 31 pessoas, no bairro Mborio 163 pessoas. No total, temos 4.562 pessoas afetadas", relata o vereador.

Retirada coerciva

A situação é também observada no distrito da Maganja da Costa, o administrador Carlos Carneiro diz que as famílias não querem abandonar as zonas de risco por causa das suas machambas e do gado. Carneiro revela ainda que uma força policial está no local para garantir a retirada coerciva dos moradores para evitar perdas humanas.

"Todos estão em prontidão, [ainda] não estão vindo a fazer algum trabalho. É verdade que há condições para ter inundações a nível da Maganja da Costa, não há dúvida. Acaba sendo um susto para nós qualquer coisa que acontece em termos de emergência", diz o administrador.

Carneiro salienta que não há motivos para que as pessoas se assustem e que as equipes organizam kits de abrigos para continuar a dar assistência a população nos bairros de reassentamento. "Já temos mantas, redes mosquiteiras, já temos minimamente aquelas condições básicas que nos possam permitir que a população também se sinta condignamente representada no centro de reassentamento", afirma o administrador.

O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades na Zambézia diz também que está em prontidão e a mobilizar recurso humanos e materiais para responder a situações de inundações na zona sul da província, nos distritos de Chinde, Mopeia e Luabo.

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