Moçambique é favorito dos investidores privados | MEDIATECA | DW | 27.06.2013
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Moçambique é favorito dos investidores privados

Em 2012, pela primeira vez, os países em desenvolvimento atraíram mais Investimentos Diretos Estrangeiros do que os países industrializados. Moçambique foi o segundo maior recipiente em África, em Angola desinvestiu-se.

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O relatório anual publicado, na quarta-feira, 26 de junho, em Genebra, na Suíça, pela Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD) constata que a África foi a única região do mundo com um incremento dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) de 48 para 50 mil milhões de dólares, equivalente a 5%. Outra estreia: Moçambique foi o segundo maior recipiente destes investimentos após a Nigéria e ainda antes da África do Sul.

Um olhar sobre os gráficos e as estatísticas reunidos no relatório de mais de 260 páginas, revela o óbvio: em África, os IED, destinam-se sobretudo aos países com importantes recursos naturais. É o caso da Nigéria, grande produtor de petróleo, mas também de Moçambique, com as suas gigantescas reservas de carvão e gás natural, diz Astrit Sulstarova, economista da UNCTAD: "Em 2010 os investimentos estrangeiros diretos em Moçambique alcançaram os mil milhões exatamente. Em 2011 subiram para 2,6 mil milhões, e em 2012 passaram para o dobro, ou seja, 5,1 mil milhões". Nesse ano, acrescenta, a principal componente dos investimentos foram empréstimos intercompanhias: "Ou seja, são sobretudo empréstimos de empresas estrangeiras às suas afiliadas em Moçambique".

Investimentos crescentes nas indústrias africanas de consumo

O analista salienta a importância crescente dos investimentos diretos estrangeiros em Moçambique, onde o "stock" de 13 mil milhões de dólares em 2013 já representa 84% do Produto Interno Bruto. Não será esta uma dependência perigosa, tendo em conta que os investimentos são quase exclusivamente orientados para as indústrias extrativas? Astrit Sulstarova chama a atenção para uma conclusão interessante do novo relatório da UNCTAD: "Claro que um quinhão importante foi para os recursos naturais e as indústrias extrativas, como em Moçambique. Mas o que é importante é que há um investimento crescente em indústrias de bens de consumo, que perfaz 25% dos IDE". Há pois uma reorientação para os mercados dos consumidores na África, afirma o analista.

Estabilidade política condiciona investimentos

A democratização e a estabilidade política são fatores identificados como pertinazes para esta reorientação. Sem se referir especificamente a Moçambique, onde a tensão política dos últimos dias alertou a comunidade internacional, o economista da UNCTAD diz: "Há certas condições para atrair ou manter investidores, e a estabilidade política é uma delas". Mas, ressalva, os IED são investimento de longo prazo. Quando são planeados, já consideram variáveis como distúrbios políticos, entre outras. De modo que a instabilidade não afeta os investimentos em curso, mas "pode, isso sim, pesar na altura da decisão anual, que é a do reinvestimento dos lucros". E influenciar negativamente possíveis novos investidores.

Angola entre os grandes investidores africanos

Mas o desinvestimento, por si, pode ocorrer também noutras circunstâncias e não é necessariamente sinal de alarme. Foi o que aconteceu em Angola, onde se verificou um recuo pelo terceiro ano consecutivo. Astrit Sulstarova explica o IED em Angola foi negativo apenas em termos líquidos: "O que significa que aquele que entra no país é mais baixo do que aquele que sai. É um processo normal em países onde há investimentos avultados em indústrias extrativas numa primeira fase, à qual se segue a fase de pagamento da dívida à empresa matriz".

Aliás, Angola tornou-se, nos últimos anos, num dos principais investidores africanos noutros países do continente. Em 2012, o total dos seus investimentos externos foi de 2,7 mil milhões de dólares. O economista da UNCTAD reconhece que existe um debate sobre a necessidade de investir no estrangeiro, quando em Angola há ainda muita carência de investimento em setores básicos, como o das infraestruturas. Não obstante, discorda: "Não se pode dizer que os investimentos externos tenham um efeito negativo na economia nacional. As empresas angolanas são cada vez mais competitivas graças à presença no mercado internacional. O que acaba por ajudar a economia angolana".