Moçambicanos aderem ao recenseamento apesar de apelo ao boicote | MEDIATECA | DW | 24.07.2013

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Moçambicanos aderem ao recenseamento apesar de apelo ao boicote

Dados oficiais preliminares apontam para uma grande adesão dos eleitores ao recenseamento de raíz para as eleições autárquicas de 20 de novembro, em Moçambique, apesar do apelo ao boicote feito pela RENAMO.

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De acordo com os dados que começaram a ser divulgados esta quarta-feira (24.07), o número de inscritos terá ultrapassado em alguns locais em 100% as metas previstas, enquanto na maior parte dos 53 municípios ter-se-á situado acima de 75%. Receava-se que o número de recenseados pudesse estar muito aquém das metas devido ao apelo ao boicote ao recenseamento e às eleições lançado pelo maior partido da oposição, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO).

A par disto, o recenseamento decorreu num dos períodos de maior tensão política no país após o conflito armado. O atraso registado no arranque do processo de registo, devido a problemas com o equipamento usado para a inscrição dos eleitores, constituía também um fator que se esperava que pudesse influenciar negativamente o recenseamento.

Muitas inscrições, apesar dos receios

Ainda assim, o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) afirma que mesmo na província de Sofala, bastião da RENAMO, o número de inscritos é elevado. Celso Chimoio, diretor do STAE em Sofala, afirma que "mesmo a autarquia de Nhamatanda, que começou mais tarde, já tem 105,67%, já passou a meta prevista".

O mesmo acontece na Beira, que "já tem 73%" e no Dondo, "com 80%". "Gorongosa também já passou a meta: está nos 116%", acrescenta o diretor, concluindo que "o balanço é positivo".

As autoridades eleitorais em Maputo fazem um balanço positivo do processo, mas reconhecem que, nesta cidade, não foram atingidas as metas dos eleitores inscritos. Paulo Chambal, Diretor do STAE em Maputo, revela que "em termos percentuais, os distritos de Catembe e Canhaque estavam próximos dos 100% até ao dia 22". "Os restantes", continua, "estavam acima dos 78%".

Um último dia de "enchentes"

Longas filas caracterizaram o último dia do recenseamento eleitoral de raiz. A orientação em todos os postos de recenseamento era de inscrever até ao último eleitor. Como consequência, muitos postos, pelo menos na capital, Maputo, funcionaram até altas horas da noite.

"A enchente já era previsível, porque os eleitores têm aquele hábito de deixar as coisas para a última hora", explica o presidente da Comissão Provincial de Eleições na cidade de Maputo, Ernesto Alane, acrescentando que, por isso, "existe muita pressão sobre os brigadistas, mas o processo está a correr normalmente".

Questionada sobre os motivos que a levaram a deixar a inscrição para o último dia, uma cidadã justifica com "o hábito do moçambicano, de deixar tudo para a última hora".

A grande adesão a este processo de recenseamento é visto por alguns analistas como um elemento que pode jogar contra a RENAMO no seu braço de ferro com o governo, em torno da revisão do pacote eleitoral, como condição para participar no escrutínio.