Missão de ″diplomacia preventiva″ vai à Costa do Marfim | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 04.10.2020

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Internacional

Missão de "diplomacia preventiva" vai à Costa do Marfim

Representantes da CEDEAO, União Africana e Nações Unidas chegam este domingo a Abidjan, antes das presidenciais de 31 de outubro. Também foi anunciada uma missão para as eleições de 18 de outubro em Conacri.

"Uma missão conjunta da Comunidade Económica dos Países da África Ocidental (CEDEAO), União Africana (UA) e Nações Unidas (ONU) de diplomacia preventiva permanecerá de 4 (este domingo) a 6 de outubro de 2020 em Abidjan, Costa do Marfim, como parte da eleição presidencial de 31 de outubro de 2020", anunciou este sábado (03.10) a CEDEAO em comunicado. 

A comitiva será liderada pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Gana, país que preside atualmente à comunidade regional de países da África Ocidental, na qual se integram os lusófonos Cabo Verde e Guiné-Bissau.

A missão é ainda composta pelo representante especial do secretário-geral das Nações Unidas para a África Ocidental e Sahel e pelos comissários responsáveis pelos assuntos políticos da CEDEAO e da União Africana.

Prevenção de conflitos

De acordo com o comunicado, a missão decorre ao abrigo do Mecanismo de Prevenção, Gestão, Resolução de Conflitos, Manutenção da Paz e Segurança e do protocolo sobre Democracia e Boa Governação. 

Elfenbeinküste Wahlen Alassane Ouattara

Alassane Ouattara, Presidente da Costa do Marfim

"Esta diligência de diplomacia preventiva tem por objetivo consolidar e amplificar as conquistas e visa também fazer às autoridades e aos intervenientes políticos da Costa do Marfim recomendações para permitir uma eleição inclusiva, transparente e credível", acrescenta a CEDEAO.

Durante a permanência no país, os elementos da comitiva terão encontros com membros do Governo e responsáveis de instituições envolvidas na organização das eleições bem como com os candidatos e partidos políticos.

Da agenda constam ainda reuniões com membros de organizações da sociedade civil e organizações não-governamentais internacionais que trabalham no domínio da democracia e da boa governação e representantes diplomáticos de países africanos, membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da União Europeia.

Escalda da violência

A um mês das eleições presidenciais, crescem os receios de uma escalada de violência na Costa do Marfim, onde o Presidente Alassane Ouattara concorre a um terceiro mandato considerado inconstitucional pela oposição e 40 das 44 candidaturas foram rejeitadas pelo Conselho Constitucional.

Pelo menos 15 pessoas morreram em agosto em confrontos motivados pelo anúncio da controversa candidatura do Presidente Ouattara a um terceiro mandato e a violência tomou conta de várias localidades outra vez em setembro, após o Conselho Constitucional ter anunciado a lista de candidatos admitidos às eleições.

Elfenbeinküste | Protest in Abidjan gegen Ouattara für eine dritte Amtszeit

Protestos em Abidjan contra um possível terceiro mandato do Presidente Ouattara

Eleito em 2010 e reeleito em 2015, Ouattara, 78 anos, tinha anunciado em março que não iria procurar um terceiro mandato antes de mudar de ideias em agosto, após a morte do candidato presidencial escolhido pelo partido do poder e seu primeiro-ministro, Amadou Gon Coulibaly.

Observadores nas eleições da Guiné-Conacri

Entretanto, a ONU, UA e CEDEAO também anunciaram no sábado o envio de observadores africanos às presidenciais de 18 de outubro e condenaram o discurso de ódio na campanha eleitoral na Guiné-Conacri. 

"A missão conjunta informou sobre o destacamento de observadores da CEDEAO e da União Africana nos próximos dias para Conacri para contribuir para uma eleição credível e transparente" a 18 de outubro, adiantam os representantes numa declaração emitida no final de uma deslocação de dois dias ao país para avaliar o clima pré-eleitoral. No mesmo texto, a missão "condenou veementemente o discurso de violência e ódio com pendor étnico suscetível de encorajar a violência".

Guinea Präsident Alpha Condé

Alpha Condé, Presidente da Guiné-Conacri

A missão conjunta acontece numa altura em que a campanha eleitoral ficou já marcada pela morte a tiro, na quarta-feira (30.09), de um jovem em Dalaba e por confrontos que deixaram cerca de quinze feridos em Faranah (centro).

Contestações

O Presidente Alpha Condé, candidato a um contestado terceiro mandato, e o seu principal adversário, Cellou Dalein Diallo, acusam-se mutuamente de alimentar as tensões intercomunitárias num país onde a etnia é considerada um fator determinante na votação.

Também apelou aos protagonistas para assinarem "um código de boa conduta antes das eleições e para se absterem de anunciar os resultados antes de os organismos responsáveis o fazerem nos termos da lei.

A missão é liderada pela ministra dos Negócios Estrangeiros do Gana, Shirley Ayorkor Botchway, cujo país detém atualmente a presidência da CEDEAO, que, na sexta-feira (02.10), quando questionada sobre a controversa candidatura de Condé a um terceiro mandato, desvalorizou, considerando que, a duas semanas das eleições, se trata de uma questão "ultrapassada".

"Se o terceiro mandato for um problema para os cidadãos guineenses, é claro que o poderão expressar através do seu voto", disse numa conferência de imprensa em Conacri, na sexta-feira à noite.

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Esta é a minha cidade: Conacri

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