Militantes da UNITA perseguidos por intolerância política em Benguela | Angola | DW | 10.08.2018
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Angola

Militantes da UNITA perseguidos por intolerância política em Benguela

Segundo a UNITA, cerca de 140 populares da Capupa estão há dois anos "instalados” na administração municipal do Cubal, por recearem regressar às suas aldeias, devido a intimidações de que são alvo.

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Militantes da UNITA na comuna de Capupa temem regressar às suas casas depois de ataques às caravanas de deputados em 2016

Ainda há pessoas desaparecidas desde os últimos incidentes ocorridos em 2016 na comuna da Capupupa, município do Cubal. O secretário provincial do partido do galo negro, Alberto Ngalanela, aponta um "clima de medo e insegurança”, e conta que os populares estão a ser obrigados a renunciar à militância na UNITA para poderem ter uma vida normal nas suas comunidades.

De acordo com as afirmações do político, estas pessoas deslocaram-se à sede da administração, e outros refugiaram-se nas matas, depois de "emboscadas” e "ataques” à caravana de deputados da UNITA em Maio de 2016, que era dirigida pelo presidente do Grupo Parlamentar, Adalberto da Costa Júnior.

Segundo o inquérito do Ministério do Interior,  o conflito resultou em três mortes, e o mesmo terá sido levado a cabo por "apoiantes” do MPLA, durante uma visita de trabalho dos parlamentares da UNITA àquela localidade.

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Militantes da UNITA perseguidos por intolerância política em Benguela

"De lá para cá criou-se um clima de insegurança e as pessoas não têm garantias de regresso, porque lá ocorreram mortes. As pessoas não querem regressar porque lhes impuseram uma condição. Se regressarem, têm de deixar a militância na UNITA e não podem realizar atividades da UNITA naquela zona”, explicou Alberto Ngalanela.

O dirigente da UNITA em Benguela reitera que "as pessoas contratadas para atacar a caravana da UNITA são os que estão a colocar esta condição”.

Autoridades tardam em dar resposta

Alberto Ngalanela diz que o governador da província Rui Falcão não mostra interesse em resolver a situação.

"Já colocámos várias vezes o problema ao governador. Às vezes ele diz-nos que tem conhecimento do caso, outras vezes que não sabe que as pessoas continuam na sede do município", contou Ngalanela.

Alberto Ngalanela - Angola (DW/N. Sul d'Angola)

Alberto Ngalanela queixa-se de resposta do governador da província de Benguela

Recentemente a vice-governadora de Benguela para o Setor Político, Social e Económico, Deolinda Valiangula, disse que o caso está na PGR.

"Já fizemos algum trabalho para pôr ordem. Sabemos que algumas pessoas usam os nomes dos partidos políticos para fazerem desmandos e sujar a imagem dos partidos. Os outros até vão em nome do Governo também para sujarem a imagem do Governo", informou a governante.

De recordar que, depois do incidente, a UNITA, pela voz de Adalberto da Costa Júnior, exigiu uma "investigação imparcial".

O partido também alega que apresentou várias queixas sobre intolerância política à Procuradoria-Geral da República e até agora não teve nenhuma resposta.

"Apresentamos queixas depois deste incidente ter ocorrido, mas até ao momento não temos nenhuma indicação, nem para frente e nem para trás. Portanto a situação mantém-se inconclusivo, o que é muito mal porque perderam-se vidas humanas neste incidente", lamentou o porta-voz desta formação política, Alcides Sakala.

Sakala afirma que devem ser criadas condições para o regresso dos populares para as suas zonas de origem.

"Perderam as suas casas. Os seus haveres foram roubados, as propriedades destruídas e foram empurradas para as matas. Agora há que se criar condições de inserção destas pessoas vítimas de intolerância para que regressem", defendeu. 

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