Mergulhadores querem proteger os tesouros marítimos de Moçambique | MEDIATECA | DW | 20.03.2013
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MEDIATECA

Mergulhadores querem proteger os tesouros marítimos de Moçambique

A costa moçambicana oferece aos turistas de mergulho visões únicas do mundo subaquático. Mas esse paraíso natural está em risco, devido à sobrepesca e à caça furtiva. Os mergulhadores tentam lutar contra isso.

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Moçambique tornou-se um dos destinos preferidos dos mergulhadores na última década.

Muitos turistas procuram aqui dois gigantes do mar: o tubarão baleia, o maior peixe dos oceanos com um comprimento de até 12 metros, e a raia-jamanta, a maior raia do mundo. Ambos são vistos com frequência no Tofo, na província sul de Inhambane, tal como em outros pontos da costa moçambicana.

Porém, os avistamentos são cada vez menos frequentes. Teme-se que a pesca e o turismo não regulado possam levar as duas espécies à beira da extinção em Moçambique.

O belga Frank Weetjens, diretor-executivo da AMAR, a Associação dos Mergulhadores Ativos para os Recursos Marinhos, explicou à DW África o que a sua a sua associação está a fazer para proteger o meio marinho e tornar o turismo mais sustentável. A AMAR recebe ajuda da cooperação alemã através do Centro Internacional para Migração e Desenvolvimento (CIM).

DW África: Como é que a AMAR está a contribuir para proteger o meio marinho?

Frank Weetjens (PW): O trabalho da AMAR focaliza-se no melhoramento do diálogo público-privado, na representação dos centros de mergulho, com o objetivo de, a longo prazo, conseguir assegurar uma forma de proteção e conservação dos recursos marinhos, que, neste momento, estão ameaçados.

Dialogando com as comunidades locais, a AMAR conseguiu, por exemplo, resolver um conflito territorial entre dois grupos de pescadores comunitários que estavam a pescar em cima de um recife para onde costumam ir turistas de mergulho.

O oceano junto à costa de Moçambique serve de habitat a alguns dos maiores peixes do mundo. Tem um grande valor turístico, mas há realmente o perigo destas espécies se extinguirem.

DW África: As raias-jamanta e os tubarões, entre eles o tubarão-baleia, são pescados ao longo da costa de Moçambique. Os tubarões são principalmente capturados para a confeção da sopa de barbatana de tubarão na China. Que alternativas é que o turismo de mergulho oferece?

FW: Neste momento, sem um maior envolvimento das comunidades, é muito difícil. Enquanto as pessoas não tiverem benefícios ou estiverem diretamente envolvidas no turismo, é muito difícil motivá-las no sentido de adotar práticas sustentáveis.

É claro que um pescador sempre será pescador, é muito difícil que ele se torne agricultor. Mas podemos tentar envolver os pescadores no turismo de mergulho, dando-lhes, por exemplo, formação para poderem dirigir os barcos.

DW África: Na última vez que visitámos o Tofo, a maior parte dos guias de mergulho ainda era oriunda da África do Sul, da Austrália, da Argentina ou, por exemplo, da Europa. O que é que falta para haver mais mergulhadores profissionais moçambicanos?

FW: Isso já mudou. Neste momento, a maioria dos skippers (condutores das embarcações) e dive masters (guias de mergulho) já são moçambicanos. Mas é preciso envolver mais a comunidade no desenvolvimento do turismo, falta criar mais empregos.

DW África: Quantas pessoas foram formadas pela AMAR para serem mergulhadores ou skippers, por exemplo?

FW: Sei que foram formadas entre 10 a 12 pessoas numa colaboração entre a AMAR, a Bitonga Divers e os centros de mergulho aqui em Inhambane. Eles são todos moçambicanos e estão todos a trabalhar no turismo. Também em Inhambane foi formado o primeiro instrutor de mergulho moçambicano.

Autor: Johannes Beck
Edição: Guilherme Correia da Silva / Helena Ferro de Gouveia