Marcha do MPLA: Críticos queixam-se de ″regresso ao passado″ | Angola | DW | 24.02.2020
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Angola

Marcha do MPLA: Críticos queixam-se de "regresso ao passado"

Marcha do MPLA contra a corrupção e em apoio ao Presidente João Lourenço gerou críticas. Ativista Osvaldo Caholo diz que se está a regressar à "bajulação" que caraterizou a governação de José Eduardo dos Santos.

Chefe de Estado angolano, João Lourenço

Chefe de Estado angolano, João Lourenço

No sábado (22.02), milhares de angolanos saíram à rua para marchar contra a corrupção. A marcha foi convocada pelo Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), para apoiar as reformas do Presidente João Lourenço contra a corrupção, a impunidade e o nepotismo.

Mas a marcha tem sido bastante criticada, sobretudo nas redes sociais. Muitos cidadãos consideram-na um regresso ao passado. Na antiga governação de José Eduardo dos Santos, era habitual o partido no poder e organizações próximas a ele organizarem atos para enaltecer o chefe de Estado.  

José Eduardo Dos Santos

Ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos

Para o ativista angolano Osvaldo Caholo, a marcha de sábado revela que as coisas em Angola não mudaram como se faz crer: "Eu venho afirmando, desde o empossamento do Presidente João Lourenço, que é um 'remendo novo por cima de um pano velho'."

"O pano todo que está velho e está gasto é o MPLA. O problema de Angola é o MPLA. O MPLA traçou essa forma de colocar um remendo novo para enganar toda a sociedade, para se poder perpetuar no poder", afirma.

Marcha antecede "cultos de adoração"

O ativista diz que a marcha foi um regresso à "bajulação" do tempo de José Eduardo dos Santos. A seguir, deverão seguir-se "cultos de adoração a João Lourenço", comenta Caholo em entrevista à DW África.

"A bajulação nos órgãos públicos já é visível. Quem não alinha no pensamento de João Lourenço é considerado como sendo de outra ala", acrescenta.

Ouvir o áudio 02:32

Marcha do MPLA: Críticos queixam-se de "regresso ao passado"

MPLA salienta "capacidade organizativa"

Mas o MPLA, partido no poder desde a independência do país em 1975, não vê na marcha de sábado qualquer regresso ao passado. Para João Pinto, deputado pela bancada dos "camaradas", a marcha foi uma demonstração da "unidade do partido" em torno das reformas que visam melhorar o futuro do país.

"A marcha de sábado veio provar a capacidade organizativa do MPLA, a coesão que o MPLA manifestou no apoio à sua liderança, encabeçada pelo seu presidente João Manuel Gonçalves Lourenço, Presidente da República, contrariamente ao que a oposição procurava manipular ou dar a entender, de falta de coesão", diz o parlamentar.

Para João Pinto, a marcha demonstrou que o MPLA está preocupado com o interesse público.

"Foi uma prova de que os militantes, amigos e simpatizantes do MPLA, para lá das suas empatias pessoais, têm noção de que há um programa, há um líder e há um interesse geral, contrariamente ao interesse particular ou privado", afirmou em declarações a DW África.

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