Manifestação da UNITA contra irregularidades eleitorais em Angola | Angola | DW | 23.08.2012

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Angola

Manifestação da UNITA contra irregularidades eleitorais em Angola

O maior partido da oposição chama, por isso, todos os cidadãos angolanos, para exigirem um processo transparente e justo, mas de forma pacífica.

Apoiantes da UNITA nas eleições de 2008

Apoiantes da UNITA nas eleições de 2008

O receio de que as eleições gerais do próximo dia 31 de agosto não sejam transparentes, livres e justa é geral no seio das formações políticas que participam na corrida. E algumas delas têm estado a denunciar irregularidades cometidas pela Comissão Nacional de Eleições, CNE. A União Nacional para a Independência Total de Angola, UNITA, o maior partido da oposição, convocou, por isso, uma manifestação para este sábado, 25 de agosto, segundo disse à DW África o porta-voz do partido, Alcides Sakala: “Achámos por bem organizar esta manifestação para defesa da legalidade, para a defesa da paz, para que efetivamente se ultrapassem as questões que preocupam não só a UNITA, mas a sociedade na sua totalidade e também alguma opinião internacional”.

Num comunicado divulgado esta semana, a UNITA lista um conjunto de irregularidades, entre elas a auditoria mal feita do registo eleitoral. Na opinião do partido, esta impede a certificação da correção do número de eleitores. Até ao momento, a CNE também não divulgou os cadernos eleitorais. Outro facto que preocupa a UNITA é a segurança do banco de dados eleitorais na posse da CNE, que segundo o porta-voz Sakala, está a ser gerido pela empresa espanhola Indra, ligada ao partido governamental Movimento pela Libertação de Angola, MPLA.

UNITA já apresentou queixa formal

O líder da UNITA, Isaías Samakuva

O líder da UNITA, Isaías Samakuva

A UNITA já apresentara queixa na passada sexta-feira, tanto à CNE, como à missão de observadores da comunidade económica da África Ocidental, SADC, e a representantes da comunidade internacional. Em resposta, o órgão eleitoral criou uma comissão para analisar a queixa e fazer recomendações. No entanto, está marcada também uma contramanifestação do partido governamental – à mesma hora e no mesmo local. Uma situação que não preocupa a UNITA, segundo o porta-voz, Alcides Sakala, que afirma que o “Galo negro” quer “manter um discurso positivo”, e acrescenta: “Vamos continuar a fazer pressão no sentido para que a lei seja respeitada”. Se ela tivesse sido respeitada, diz ainda, “teríamos evitado todo este processo que embaraça o processo político angolano"

Manifestações em Angola costumam ser fortemente reprimidas

Polizei trifft bei der Demonstration ehemaliger angolanischer Militärs, die 1992 nach den Friedensverträgen von Bicesse demobilisiert wurden, ein. Die Militärs protestierten dafür, dass ihre Pensionen ausgezahlt werden. Die Polizei löste die Versammlung auf und nahm mehrere Demonstranten und A polícia não tem dado tréguas a manifestantes, como aqui, na cidade de Lubango, no início de agosto

A polícia não tem dado tréguas a manifestantes, como aqui, na cidade de Lubango, no início de agosto

Desde que começaram, em 2010, as manifestações contra o governo de José Eduardo dos Santos têm sido fortemente reprimidas. Registaram-se também vários casos de intimidação prévia. O rapper angolano Ikonoclasta é um dos nomes ligados à onda de manifestações. Promete, juntamente com muitos outros jovens, estar do lado da UNITA no sábado, disse à DW África: “há de ser, supostamente, a maior (manifestação) de todas até agora”. O músico lembra que a UNITA é o único partido capaz de convocar uma ação de protesto para o país todo. “Mas vamos juntar-nos a este protesto não por ser da UNITA, mas porque reivindica um momento de soberania popular”.

A contramanifestação do MPLA

A luta pela democratização de Angola já causou graves dissabores ao rapper Luaty Beirão, ou Ikonoklasta

A luta pela democratização de Angola já causou graves dissabores ao rapper Luaty Beirão, ou Ikonoklasta

A mais recente manifestação organizada pela UNITA ocorreu em 19 de maio passado. No que concerne à contramanifestação organizada pelo MPLA, Alcides Sakala reage: “É uma ilegalidade. A constituição de Angola não fala de contramanifestações”. Sakala fala de um “reflexo da natureza ditatorial do Governo” e afirma: ”Isso enquadra-se no que eles próprios chamam de arruaça." O maior partido da oposição, conclui, não receia violência nem confrontos e empurra a responsabilidade para quem os fizer.

Entretanto, a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola, anunciou ao fim da tarde desta quinta feira (23.08) em Luanda que considera "infundadas" as reclamações da UNITA e apelou ao partido do Galo Negro para que colabore para que o processo eleitoral decorra com toda a normalidade. O anúncio foi feito pela porta-voz ,Júlia Ferreira, após cerca de cinco horas de reunião para discutir as queixas do principal partido da oposição angolana.

Autora: Nádia Issufo
Edição: Cristina Krippahl/António Rocha

Ouvir o áudio 03:35

UNITA convoca manifestação contra irregularidades eleitorais em Angola

Leia mais