Mali: Relatos e reações do massacre que matou 100 pessoas | NOTÍCIAS | DW | 11.06.2019
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Mali: Relatos e reações do massacre que matou 100 pessoas

Cerca de 100 pessoas morreram num ataque a uma povoação no centro Mali. O Presidente Ibrahim Boubacar Keita, já reagiu e apelou à união dos malianos. Os primeiros relatos do acontecimento vão começando a ser revelados.

Mali | Soldaten am Flughafen von Mopti (Getty Images/AFP/M. Cattani)

Militares controlam o aeroporto de Mopti no Mali

As primeiras reações ao ataque a uma pequena povoação no Mali já se fizeram ouvir. Na povoação de Sobame Ba no centro do Mali morreram cerca de 100 pessoas e há 19 desaparecidas, todas da etnia donzo.

Relatos chocantes

O ataque ocorreu na madrugada de domingo para segunda. São vítimas do conflito étnico que se vive no país e tem provocado dezenas de mortos nos últimos meses. No passado mês de março na povoação de Ogossagou morreram 157 pesssoas, da etnia fula. Ali Dolo, edil de Sangha já reagiu e relata o que se passou.

"Segundo as informações que conseguimos recolher da população, os atacantes estavam fortemente armados, tinham cerca de 20 motorizadas e circundaram a cidade. A seguir, começaram a disparar. Os moradores esconderam-se nas casas, que os atacantes incendiaram. A maioria dos telhados era de palha e incendiou. Quem tentava fugir era morto à queima-roupa. Encontrámos 95 corpos carbonizados. A aldeia tinha 300 habitantes, só 50 pessoas responderam ao alerta”.

Mauretanien G5 Sahel Taskforce (Getty Images/AFP/T. Samson)

Foto de arquivo: Soldados da operação "G5 Sahel"

As tensões entre vários grupos étnicos têm crescido e presença de grupos radicais islâmicos no Mali não tem ajudado para manter um clima de segurança. Hamidou Ongoiba vice-presidente da associação Ginna Dogon, que protege e divulga a cultura donzo, falou sobre o ataque e diz que as autoridades não agiram para proteger as populações.

 "Os habitantes da aldeia de Sobame Ba fizeram soar o alerta, porque, dois ou três dias antes, indivíduos armados foram lá para roubar gado. Pensaram que era um sinal - por isso, avisaram as autoridades, que não reagiram. Ontem (domingo, 9 de junho), os atacantes chegaram por volta das 17 horas, de acordo com as informações que temos. Mataram até ao dia seguinte. Ninguém veio para ajudar as pessoas. As Forças de Defesa e Segurança malianas só chegaram de manhã (segunda-feira). E os atacantes tiveram tempo para massacrar, queimar e destruir tudo”.

Ouvir o áudio 02:16

Mali: reações e relatos

Figuras de estado reagem

O primeiro-ministro do Mali, Boubou Cissé, visitou ao local do ataque esta manhã juntamente com os ministros da Defesa e da Administração Territorial. O Presidente do Mali Ibrahim Boubacar Keita encurtou a sua viagem à Suíça e disse que o seguinte. "Não é através de um ciclo de vingança, de vendetta, que este país deve ser conduzido. Pelo contrário, apelo ao reencontro entre malianos, algo que permitirá a sobrevivência da nossa nação”.

As autoridades atribuíram os ataques a terroristas. "A maneira como atuaram, homens de motorizadas, referências a Deus quando chegaram… indicam efetivamente que utilizaram métodos jihadistas, mas a realidade é mais complexa”, concluiu o analista maliano Ousmane Diallo.

A comunidade internacional também está atenta ao que se está a passar e há uma Missão de Paz do ONU no terreno desde 2013.

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