Mali chamado às urnas para eleger o próximo Presidente do país | NOTÍCIAS | DW | 28.07.2018

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NOTÍCIAS

Mali chamado às urnas para eleger o próximo Presidente do país

Oito milhões de eleitores são chamados a votar este domingo para decidir entre o Presidente cessante, Ibrahim Boubacar Keita, e outros 22 candidatos, em ambiente de insegurança.

Assembleia de voto em Bamako, na manhã deste domingo.

Assembleia de voto em Bamako, na manhã deste domingo.

Os malianos votam este domingo (29.07) numa eleição presidencial que vai pesar, sobretudo, no destino do acordo de paz de 2015 e em toda a região do Sahel, a braços com a ameaça terrorista, apesar de cinco anos de intervenções militares internacionais.

As cerca de 23 mil assembleias de voto estão abertas desde as 8h00 e encerram às 18h00. Apesar da mobilização de mais de 30 mil membros das forças de segurança nacionais e estrangeiras, registaram-se incidentes no norte e no centro do país.

Na comunidade rural de Lafia, a votação não pôde ter lugar, uma vez que as urnas foram incendiadas, segundo as autoridades locais. "Na noite de sábado para domingo, homens armado chegaram à câmara municipal, onde se encontravam as urnas e o material para as eleições" e abriram fogo, disse à AFP um dirigente local, apontando o dedo aos extremistas islâmicos.

Também na comunidade rural de Dianké, entre Tombuctu e Mopti (no centro), "duas assembleias de voto foram incendiadas esta manhã por homens armados", disse à AFP um representante político da localidade, Oumar Sall. No distrito de Douentza, em Mopti, homens armados sequestraram o presidente de uma assembleia de voto na aldeia de Gandamia. 

Em algumas aldeias Fulani sob controlo dos extremistas islâmicos, no centro do país, as assembleias de voto não abriram portas, incluindo Yamassadiou e Onde. E apesar da presença do exército maliano em Boulikessi, as mesas de voto também estão encerradas.

Durante a manhã, a afluência às urnas era ainda tímida em Bamako. "A abertura correu bem, mas, até ao momento, a afluência não é suficiente", indicou o presidente de uma mesa de voto em Bamako, Oumar Camara. "Ao longo do dia, as pessoas começarão a vir votar em massa para escolher os seus candidatos", considerou.

"Espero que a eleição seja pacífica, calma, voto pela paz no meu país", disse um eleitor em Bamako, Soumaïla Keïta.

Vor den Präsidentschaftswahlen in Mali

Cartazes da campanha eleitoral em Bamako.

ONU apela à paz

No sábado, o secretário-geral da ONU, António Guterres, instou a que as eleições presidenciais deste domingo no Mali sejam pacíficas e um exercício da democracia.

António Guterres realçou o clima pacífico que pautou a campanha eleitoral, apesar das ameaças contra a segurança no norte e centro do país, e reiterou o apoio das Nações Unidas ao processo eleitoral, segundo um comunicado do seu porta-voz, Farhan Haq.

Guterres pediu a todos os agentes políticos no Mali para que façam das eleições um processo pacífico, livre e transparente e resolvam eventuais disputas através das instituições apropriadas de acordo com a lei. 

Para o secretário-geral das Nações Unidas, a paz e a reconciliação devem prevalecer independentemente dos resultados.

Ameaças e insegurança

Cerca de oito milhões de eleitores do Mali são chamados a eleger o próximo Presidente do país, mas uma unidade local da Al-Qaeda avisou os votantes para "ficarem longe das urnas".   

Na sexta-feira, último dia de campanha, os extremistas islâmicos fizeram questão de entrar no debate, na voz do líder da principal aliança jihadista do Sahel, ligada à Al-Qaeda, o tuaregue maliano Iyad Ag Ghaly: "Estas eleições não são nada mais que a busca de uma miragem e o nosso povo só vai colher ilusões, aquilo a que está habituado", declarou numa mensagem de vídeo o chefe do "Grupo de apoio ao Islão e aos muçulmanos”.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, as acusações de operações violentas de combate ao terrorismo por parte das forças de segurança do Mali e os confrontos entre grupos étnicos aumentam a insegurança.

Em declarações à AFP, o Presidente da República do Mali e candidato à reeleição, Ibrahim Boubacar Keita, de 73 anos, afirmou que tem "esperanças de um Mali estável, um Mali pacífico, na direção certa". Soumaïla Cissé, líder do partido União para a República e Democracia é o principal opositor de Ibrahim Boubacar Keita.  O engenheiro de ciência da computação, de 68 anos, criticou o Presidente por não abordar a crescente insegurança do Mali. "[Keita] não conseguiu proteger-nos, ele falhou em dar-nos perspetiva, o IBK [Ibrahim Boubacar Keita] falhou em preservar as nossas liberdades", disse Cissé.

Segurança foi palavra de ordem na campanha

Além de Keita e Cissé, que aparecem como claros favoritos nas sondagens, há outros 22 candidatos à Presidência. A participação da empresária Djénéba N'Diaye, a única mulher nesta corrida presidencial, suscitou interesse e os observadores admitem que possa reunir muitos votos.

Fortalecer o desenvolvimento económico e restaurar a segurança de um país onde grupos jihadistas atuam desde o golpe de 2012 são algumas das promessas dos candidatos. Durante a campanha, que começou a 7 de julho, os candidatos também se comprometeram a garantir a coabitação étnica, uma vez que o Mali possui dezenas de grupos étnicos e vive ao ritmo dos conflitos intercomunitários.

Outro ponto recorrente nos discursos dos candidatos foi a revisão do Acordo de Paz e Reconciliação assinado em Argel em 2015, bem como a aceleração do processo de desarmamento dos grupos armados. Apesar deste acordo, a violência jihadista não só persistiu como se propagou do norte ao centro e ao sul do país, sob estado de emergência quase sem interrupções desde novembro de 2015, bem como aos vizinhos Burkina Faso e Níger.

Segundo a EFE, estarão no país durante as eleições 171 observadores da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

Mali: Menschen demonstrieren für Transparenz bei der Wahl

Protesto por eleições transparentes, em junho.

Fraude eleitoral?

Nas últimas eleições presidenciais, em 2013, Ibrahim Boubacar Keita, foi eleito com mais de 70% dos votos. De acordo com a agência EFE, o primeiro-ministro do Mali, Soumeylou Boubeye Maiga, reiterou esta semana o compromisso do Governo em garantir eleições transparentes. Para evitar fraudes, as autoridades do Mali planearam uma série de medidas, entre as quais a abordagem de um sistema de cartão biométrico com o qual os malianos irão votar.

Os primeiros resultados são esperados 48 horas após a votação e os resultados oficiais provisórios a 3 de agosto, o mais tardar, antes de uma eventual segunda volta a 12 de agosto.

A taxa de participação é tradicionalmente reduzida em primeiras voltas nas eleições presidenciais no Mali, abaixo dos 50%.  No entanto, o governador de Mopti, no centro do país, o general Sidi Alassane Touré, diz estar "muito otimista" quanto à participação desta região, dado o levantamento de mais de 77% dos cartões de eleitor emitidos.

"Vamos votar, mas temos medo, medo pelos nossos filhos, maridos, irmãos, irmãs, todos", afirmou Hawa Cissé, membro da plataforma Salvemos Mopti. "Nem podemos ir ao mercado, não podemos atravessar o rio Níger".

A campanha ficou marcada por uma polémica sobre as listas eleitorais, com a oposição a denunciar o risco de fraude devido às discrepâncias entre a lista usada para preparar os cartões de eleitor e a lista final publicada. O Governo, por sua vez, garante que há apenas uma lista e explica que as anomalias se devem a um problema informático. Moussa Diombélé, padeiro em Bamako, prefere esperar para se pronunciar: "As eleições têm de ter lugar primeiro para que possamos falar de fraude".

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