João Lourenço recomenda ″bom senso″ entre Angola e Portugal | Angola | DW | 18.09.2018
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Angola

João Lourenço recomenda "bom senso" entre Angola e Portugal

No último dia da visita a Luanda do primeiro-ministro português, António Costa, o Presidente angolano, João Lourenço, defendeu "pragmatismo" para fortalecer as relações entre os dois países e vencer "visões pessimistas".

João Lourenço: Encorajo, pois, a mantermos uma linha de diálogo permanente entre nós

João Lourenço: "Encorajo, pois, a mantermos uma linha de diálogo permanente entre nós"

As relações entre Angola e Portugal voltaram à normalidade depois de meses de tensão que existia devido a um processo judicial contra o antigo vice-presidente angolano, Manuel Vicente, acusado em Portugal de crimes de corrupção ativa, branqueamento e falsificação de documentos. Entretanto, o processo foi entregue às autoridades judiciais angolanas.

No segundo e último dia (18.09) da visita do chefe do executivo português, António Costa, a Angola e ao discursar no Palácio da Cidade Alta em Luanda, o Presidente de Angola, João Lourenço disse ser necessário um diálogo contínuo entre os dois países.

Segundo o chefe de Estado, portugueses e angolanos devem vencer as visões pessimistas. "É fundamental que o bom senso, o pragmatismo e sentido de Estado prevaleçam sempre nas relações entre Angola e Portugal, para que estes se enrobusteçam continuamente e possam assim, fazer face e vencer as visões pessimistas que de quando em quando procuram se afirmar. Encorajo pois, a mantermos uma linha de diálogo entre nós", sublinhou João Lourenço.

Acordos em vários domínios

Durante a visita a Angola do primeiro-ministro português, os dois Governos rubricaram 11 acordos de cooperação em vários domínios, entre os quais na área dos transportes aéreos, para além de uma convenção para eliminar a dupla tributação em matéria de imposto sobre o rendimento e prevenir a fraude bem como a evasão fiscal entre Angola e Portugal.

João Lourenço, fez questão de deixar claro que os investimentos diretos portugueses em todos os setores em Angola são "bem-vindos" e que Portugal pode assumir um papel relevante no desenvolvimento dos dois países.

"São bem-vindos os investimentos portugueses diretos em vários sectores da economia angolana, dentre os quais destaco a indústria transformadora com base em matérias-primas e em matéria-locais, agricultura e agro-indústria e outros que concorram para o incremento de produção de bens de consumo fundamentais para o mercado interno e para exportação", salientou.

Acabar com os excessos burocráticos

O Presidente de Angola garantiu ainda ao primeiro-ministro português que o seu executivo está a trabalhar para acabar com os excessos burocráticos que têm dificultado os investidores estrangeiros.

"Estamos a fazer uma aposta decidida, na criação de um ambiente de negócio seguro e atrativo no âmbito do qual, os investidores deixam de se confrontar com obstruções resultantes de procedimentos exageradamente burocráticos para estabelecerem uma empresa ou negócio em Angola".

Angola Besuch von Portugals Premierminister Antonio Costa

António Costa considera provável visita de Estado do Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, a Angola em 2019

Por seu turno, ao discursar após o encontro com João Lourenço no Palácio Presidencial, António Costa considerou de "positivos os acordos assinados em Luanda" e destacou que Portugal está com as portas abertas para os investimentos angolanos.

"Quero deixar aqui bem claro que Portugal continua aberto e deseja o aprofundamento da presença de Angola em Portugal, porque esta é uma parceria que conta. Parceria entre iguais, em que cada um contribui para a riqueza do outro e que ambos beneficiam igualmente da relação", frisou António Costa.

Angola, segundo o primeiro-ministro português, continua a ser um dos maiores parceiros de Portugal no mundo e o primeiro em África.

Investidores portugueses acreditam em Angola

A crise financeira que abalou o Estado angolano não inibiu as empresas portuguesas porque segundo o primeiro-ministro, os investidores acreditam num futuro próspero do país.

"Nos anos de crise profunda onde os portugueses procuraram onde encontrar trabalho ou de um local onde pudessem investir, encontraram-na aqui em Angola. E também quando Angola enfrentou dificuldades, as empresas portuguesas não saíram, resistiram e escolheram continuar aqui com os seus projetos, e esta vontade demonstra confiança por parte de agentes económicos portugueses no futuro de Angola”, sublinhou.

Ouvir o áudio 03:26

João Lourenço recomenda "bom senso" entre Angola e Portugal

Durante a visita a Angola, António Costa reuniu-se com cerca de 200 empresários portugueses interessados em investir em Angola. Na ocasião o governante anunciou o aumento de uma linha de crédito de apoio às exportações portuguesas dos 1.000 milhões para 1.500 milhões de euros.
Para além dos domínios tradicionais nos setores da Saúde e Educação, o primeiro-ministro português disse que o programa estratégico para a cooperação se alarga a áreas de soberania como a Defesa, a cooperação técnica militar e policial.

Dívidas tratadas com transparência

Ainda esta terça-feira, o primeiro-ministro participou no Fórum Económico Angola-Portugal, onde felicitou a "transparência" do governo angolano na forma como trata as dívidas que tem com as empresas portuguesas e o calendário definido, até novembro, para o apuramento do volume global por regularizar.

A posição de António Costa foi depois de o ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, ter abordado a questão concernente ao volume dos "atrasados" a empresas portuguesas já assumido por parte das autoridades de Luanda. O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira disse que o endividamento está estimado em cerca de 300 milhões de euros.

Ao despedir-se dos angolanos, António Costa citou o poema "Havemos de voltar" de Agostinho Neto, primeiro Presidente do país, para garantir que o seu Governo poderá regressar a Angola.

"À bela pátria angolana nossa terra, nossa mãe havemos de voltar; Havemos de voltar À Angola libertada, Angola independente. Em circunstancias bem diferentes, será este o mesmo sentimento que levarei eu próprio e toda a delegação que me acompanha, logo que partirmos no final desta visita. Havemos de voltar À Angola libertada, Angola independente", finalizou.

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