INE reconfirma e registo eleitoral em Gaza não bate certo | Moçambique | DW | 06.03.2020
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Moçambique

INE reconfirma e registo eleitoral em Gaza não bate certo

Instituto Nacional de Estatísticas de Moçambique divulgou dados atualizados sobre o censo populacional e mantêm-se as discrepâncias entre o seu apuramento e o dos órgãos eleitorais no recenseamento na província de Gaza.

Nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE) atualizando o censo populacional de 2017, consultados esta sexta-feira (06.03) pela Lusa, a população em idade eleitoral na província de Gaza, sul de Moçambique, é de 825.530, mas os números do registo eleitoral apresentados pelo Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE) para as eleições gerais realizadas em outubro do ano passado avançavam 1.166.011 de eleitores, um total de 340.481 eleitores a mais.

O número de eleitores apurados em Gaza pelo STAE fez da província a única em Moçambique que conseguiu registar um número acima da população em idade eleitoral, pois as restantes nove províncias e a cidade de Maputo inscreveram cifras abaixo do total da população em idade eleitoral.

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Os partidos da oposição contestaram os resultados do STAE, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO, partido no poder) de inflacionar os dados em Gaza em seu benefício, na medida em que a província é tida como um reduto do partido.

A Lusa tentou na sexta-feira, sem sucesso, ouvir os órgãos eleitorais moçambicanos sobre as discrepâncias entre a mais recente atualização dos dados do INE e o registo eleitoral do STAE.

"Não é surpreendente"

Foi em Gaza que a FRELIMO teve o melhor resultado, com o seu candidato, Filipe Nyusi, a obter 94% dos votos nas presidenciais e o partido a angariar 93% e 95% para as legislativas e para assembleias provinciais, respetivamente.

No geral, Filipe Nyusi venceu as presidenciais com 73,46% e, nas eleições legislativas, a FRELIMO conquistou 184 assentos no parlamento (71,28%), a RENAMO 60 (22,28%) e o MDM seis (4,19%).

Em declarações à Lusa, o diretor do Centro para a Democracia e Desenvolvimento (CDD), Adriano Nuvunga, disse que os dados do INE confirmam que o registo eleitoral de Gaza foi falseado para beneficiar a FRELIMO.

"Não é surpreendente que a atualização do censo consolide os dados que o INE já tinha. Os dados de Gaza foram deliberadamente deturpados pelos órgãos eleitorais para aumentar o número de mandatos à Assembleia da República a favor da FRELIMO", declarou Adriano Nuvunga.

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