Império de Isabel dos Santos em Portugal em declínio? | Angola | DW | 30.11.2017
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Portugal

Império de Isabel dos Santos em Portugal em declínio?

Ainda é cedo para saber o destino dos investimentos de Isabel dos Santos em Portugal, após a exoneração da empresária da Sonangol. Mas analistas reconhecem que a filha do ex-Presidente angolano poderá perder influência.

Como ficam os negócios de Isabel dos Santos em Portugal, depois do seu afastamento da administração da petrolífera angolana Sonangol, com ativos em várias empresas portuguesas?

Para já, deverão ficar inalterados, comenta o diretor do Jornal Económico, Filipe Alves. As participações acionistas da empresária angolana Isabel dos Santos, considerada uma das investidoras mais poderosas em Portugal, somam mais de 3,3 mil milhões de euros, repartidos por setores estratégicos como a banca, energia e telecomunicações. Segundo Filipe Alves, a exoneração da filha de José Eduardo dos Santos pelo seu sucessor na Presidência, João Lourenço, não põe em causa o capital aplicado nesses setores.

Filipe Alves Direktor von Jornal Economico in Portugal

Filipe Alves: Isabel dos Santos "não perde o poder"

"Creio que [Isabel dos Santos] não perde o poder, porque para isso era necessário que houvesse uma alteração radical da sua fortuna. Se houvesse uma nacionalização, um cenário mais extremo, nesse caso sim, [perderia]", afirma Alves.

A saída de Isabel dos Santos da chefia da Sonangol contribuirá, no entanto, para desfazer a ideia de que a empresária desfrutava de "alguma forma de proteção política" em Angola.

"Muitos empresários, grupos portugueses, que antes viam Isabel dos Santos como uma espécie de parceira predileta para chegar ao poder angolano deixam de a ver nesse sentido", acrescenta o jornalista.

Millenium BCP

Ao ser afastada da Sonangol, Isabel dos Santos perdeu influência no Millennium BCP

Império em declínio?

A Sonangol, chefiada até meados do mês por Isabel dos Santos, tem uma posição acionista de peso na congénere portuguesa Galp e no Millennium BCP. Neste banco comercial português, a petrolífera é o segundo maior acionista, detendo mais de 15% do capital.

Abordado pela DW, à margem de um Fórum sobre o futuro da banca portuguesa, esta quarta-feira (29.11), Nuno Amado, presidente do Millennium BCP, evitou falar de eventuais reflexos no banco das mudanças em Angola.

"Acho que há um sinal de confiança no BCP, o que acho que é importante em termos de mercado internacional. Quanto ao reflexo das mudanças em Angola, falamos depois", resumiu.

Mas dos Santos continua a ter bastante influência noutras empresas. Além de uma parceria com a Sonaecom na ZOPT, a empresária angolana tem participações muito relevantes na empresa de telecomunicações NOS. Tem ainda participações no banco Euro BIC (Portugal) e na EFACEC, onde detém 65% do capital em parceria com a estatal Empresa Nacional de Distribuição de Eletricidade (ENDE). Na Amorim Energia, detém 45% do capital, por intermédio da Esperanza Holding, entidade controlada pela Sonangol, mas que tem igualmente Isabel dos Santos como investidora.

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Império de Isabel dos Santos em Portugal em declínio?

"Menos capital para investir"

Hélder Gomes, especialista em Assuntos Africanos, afirma, no entanto, que, "ao ser exonerada em contornos humilhantes", Isabel dos Santos poderá, no futuro, ter "menos capital" para investir em Portugal. Para o analista, formado em Relações Internacionais, as ligações tentaculares da filha de Eduardo dos Santos à banca, energia, média, engenharia e mobilidade poderão ter os dias contados.

"O Presidente que cumpriu há pouco tempo os primeiros 50 dias à frente dos destinos da República de Angola parece apostado em desfazer tudo aquilo que Isabel dos Santos fez - por exemplo à frente da Sonangol, que ele apelidou como 'a galinha dos ovos de ouro' de Angola", diz.

Helder Gomes Afrika-Experte aus Portugal

Heldér Gomes: Isabel dos Santos foi "exonerada em contornos humilhantes"

Na opinião de Gomes, é de se prever também uma menor presença acionista de capital angolano em Portugal, com impacto na bolsa portuguesa.

"Eu diria que ainda é cedo para aferir esse impacto bolsista. Agora, não tenho dúvidas de que alguma coisa irá mudar uma vez que a estrutura da Sonangol mudou", diz o analista, acrescentando que "uma vez que também João Lourenço quer aumentar a concorrência nas telecomunicações e nos cimentos, outros dois setores onde Isabel dos Santos tem empresas líder em Angola, acho que as coisas podem, de facto, alterar-se."

O especialista não tem dúvidas quanto à diminuição da forte influência de Isabel dos Santos no investimento em Portugal, o que poderá também afetar a vida de muitas empresas portuguesas, por exemplo no setor dos média.

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