Hakainde Hichilema toma posse como Presidente da Zâmbia | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 24.08.2021

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Internacional

Hakainde Hichilema toma posse como Presidente da Zâmbia

Após eleição simbólica para o continente, Hichilema toma posse como Presidente e confirma 17ª vitória da oposição na África subsaariana desde 2015. Analistas acham que eleitores "tornaram-se mais críticos e analíticos".

No final da manhã desta terça-feira (24.08) o Presidente eleito da Zâmbia, Hakainde Hichilema, de 59 anos, foi recebido por milhares de pessoas no estádio National Heroes, em Lusaka, para o juramento de posse como novo chefe de Estado. Entre os convidados para a cerimónia estão políticos da oposição de países regionais, bem como os atuais e antigos líderes africanos.

Milhares de pessoas dormiram dentro do estádio para garantir a presença na cerimónia. Na sua sexta candidatura à presidência, Hichilema derrotou Edgar Lungu, de 64 anos, por quase um milhão de votos - uma diferença significativa impulsionada por dificuldades económicas e uma política de restrição de liberdades imposta pelo regime anterior.

Trata-se da 17ª vitória da oposição na África subsaariana desde 2015 e ocorreu após uma campanha cheia de restrições e uma eleição com suspeitas de fraude a favor do partido de Lungu.

Parlamentswahlen in Sambia

Vitória é vista como exemplo para a oposição

Por trás da vitória

A afluência às urnas a 12 de agosto foi de quase 71%, e muitos zambianos fizeram fila até tarde da noite para votar. "Foi uma subestimação sem precedentes da vontade do povo", disse à agência AFP Ringisai Chikohomero, um investigador do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) com sede em Pretória.

Lungu e o seu rival tiveram disputas renhidas no pleito de 2016 e numa eleição rápida em 2015. Mas a popularidade do titular foi corroída por gastos insustentáveis em infraestruturas que mergulharam a nação rica em cobre, de mais de 18 milhões de habitantes, no incumprimento das dívidas.

A moeda local kwacha caiu e a inflação aumentou mais de 24%, tornando os bens básicos inacessíveis num país onde mais de metade da população vivia na pobreza antes da pandemia. Hichilema, carinhosamente conhecido como "HH" ou "Bally" - um termo informal para pai - prometeu limpar a confusão e atrair de volta investidores assustados.

Sambia Unruhen in Lusaka

Oposicionistas em manifestação em dezembro de 2020

Líderes autoritários "podem aprender algumas lições com isto", disse o economista zambiano Grieve Chelwa à AFP. Mas ele advertiu que o cenário zambiano poderia também ter o "efeito perverso" de encorajar os "tiranos" africanos a "armar-se mais".

Há consenso entre analistas e observadores de que Lungu adulterou o escrutínio, citando tácticas de intimidação e mais eleitores registados nos bastiões da oposição.

"Foi uma eleição de má qualidade que foi manipulada de várias formas", disse o cientista político Nic Cheeseman. Os resultados "poderiam facilmente ter sido manipulados para o partido no poder se a margem de vitória não tivesse sido tão grande", acrescenta.

Hichilema tinha contestado sem sucesso a votação de 2016, que ele perdeu por 100 mil votos – uma margem considerada relativamente pequena.

A Zâmbia torna-se apenas o segundo país da África Austral nos últimos anos a transferir a sua presidência para um candidato da oposição, depois do Malawi, em 2020.

Sambia | der ehemalige Präsident von Sambia Kenneth Kaunda mit dem Präsidenten von Zimbabwe Robert Mugabe

Mugabe (esq.) com seu homólogo zambiano Kenneth Kaunda em 2015

Despotismo com dias contados?

O Presidente Emmerson Mnangagwa, do vizinho Zimbabué, já avisou aos seus oponentes para que não alimentem ambições semelhantes. Mas os analistas acreditam que a mudança está a ganhar terreno num continente com uma história de liderança despótica e fraqueza democrática.

Essa mudança é principalmente impulsionada por uma geração jovem dominante de eleitores mais ligados ao mundo exterior e menos tolerantes com as liberdades restritas, argumentam eles. Quase um terço dos participantes nas eleições da Zâmbia tinham entre 24 e 34 anos de idade.

Capitalizaram o uso dos meios de comunicação social, envolvendo-se com Hichilema e o seu partido e cunhando hashtags tais como #BallyWillFixIt. "Os africanos estão a tornar-se mais conscientes, ativos e críticos", disse Chikohomero.

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