Há mais de dois milhões de crianças vítimas de trabalho infantil no Uganda | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 11.02.2018
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Há mais de dois milhões de crianças vítimas de trabalho infantil no Uganda

De acordo com dados do governo ugandês, as crianças entre os 5 e os 17 anos são as mais exploradas no Uganda. Apesar de existirem leis que criminalizam o trabalho infantil, não são aplicadas.

São seis da manhã e há uma criança a atravessar a rua Kampala no centro da cidade com o mesmo nome. Corre em direção ao mercado de Nakasero, um dos mais populares.

"Chamo-me Bugembe Abdu Rahman e venho de Zirobwe. Não estou na escola, porque não tenho dinheiro para as propinas. Por isso vendo sacos de plástico no mercado de Nakasero a partir das cinco da manhã. Mas não estou aqui há muito tempo", diz, com vergonha.

Uganda Kampala Kinderarbeit

Bugembe tem 13 anos e trabalha para o tio no mercado de Nakasero, em Kampala

Aos 13 anos, Bugembe é uma das muitas crianças vítimas do trabalho infantil no Uganda. No total, são mais de dois milhões o número de menores vítimas deste flagelo neste país.

Bugembe sabe que o tio não lhe dará dinheiro pela tarefa que lhe atribuiu, mas o seu sonho é voltar à escola e ser médico. Por isso prefere ajudar a família. Só regressará a casa depois das nove da noite.

O sonho de acabar a escola

A história repete-se em todo o país. No mercado de Ruti, perto de Mbarara, Collins Turyamuhaki também tem 13 anos, embora ninguém imagine que atrás desta idade está uma criança que trabalha para pagar a escola do irmão mais novo. Collins Turyamuhaki ganha a vida a embalar bananas.

Ouvir o áudio 03:19
Ao vivo agora
03:19 min

Há mais de dois milhões de crianças vítimas de trabalho infantil no Uganda

"Ensaco bananas e por cada saco pagam-me 3000 ou 2000. Num dia consigo embalar três ou quatro sacos. Uso o dinheiro para comprar livros e para pagar a escola e às vezes os meus pais também me ajudam quando podem", afirma. 

Mas este é só o trabalho de Collins Turyamuhaki durante a manhã. À tarde ele ajuda os clientes do mercado a carregarem as suas compras em troca de um pagamento. Mais tarde, vende fruta nas ruas de Mbarara. Apesar do ritmo do trabalho, esta criança de 13 anos tem o sonho de um dia acabar a escola.

"Eu sei que este tipo de trabalho não me vai tornar rico, por isso quero fazer dinheiro suficiente para voltar para a escola e quando terminar a escola já não voltarei para aqui", promete-se a si mesmo.

Pobreza generalizada

Uganda Kampala Kinderarbeit

Jeremiah Kamurari, presidente do distrito de Isingiro

O Instituto de Estatística do Uganda estima que 45% das famílias vivam abaixo do limiar da pobreza. Apesar de a legislação ugandesa criminalizar o trabalho infantil, a implementação da lei está longe de ser uma realidade.

Jeremiah Kamurari é presidente do distrito de Isingiro. À DW, este governante admite que a lei é fraca e que os políticos, em busca de votos, falham em aplicá-la.

"Eu quero assegurar que nenhuma criança nesta área fará este tipo de trabalhos forçados. Todas as crianças devem ir para a escola", afirma este responsável político.

"Temos de garantir que os pais destas crianças são detidos e condenados, porque o futuro destas crianças está nas mãos deles e podem tornar-se um outro problema no futuro. Eu não permitirei que isso aconteça e lutarei contra este crime", garante.

Leia mais

Áudios e vídeos relacionados