Guiné-Conacri elege órgãos locais pela primeira vez desde o regime militar | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 04.02.2018
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Internacional

Guiné-Conacri elege órgãos locais pela primeira vez desde o regime militar

As eleições municipais, inicialmente previstas para 2010, têm sido repetidamente adiadas devido à falta de fundos e crises políticas e à epidemia do ébola.

Após 8 anos de adiamentos, os guineenses começaram a votar na manhã deste domingo (04.02) para as primeiras eleições locais desde o fim do período de ditadura militar no país. Mais de 5,9 milhões de guineenses foram chamados às urnas.

Escolas sem condições, desemprego, falhas na eletricidade e alegações de corrupção são temas que marcam as eleições municipais na Guiné-Conacri.

"Foi a primeira vez em que votei num presidente da câmara. Espero que o meu candidato vença e que ponha em curso o seu programa para limpar o nosso distrito, criar emprego e tornar a nossa cidade segura”, diz o taxista Simbaya Aboulaye Soumah, na capital, Conacri.

No entanto, alguns eleitores decidiram ficar em casa. "É apenas barulho”, considera Salimatou Sow, uma vendedora ouvido pela agência de notícias France Presse. "Assim que são eleitos, esquecem todas as promessas, enriquecem às custas do povo e esquecem a recolha do lixo, a limpeza das ruas e a criação de emprego”, acrescenta.

Condé passa a escolha para o povo

Guinea Conakry Wahlen Wähler

Foto de arquivo (2015): Guineenses votam nas presidenciais em Conacri

A Guiné-Conacri tornou-se independente de França sob a liderança do "pai da independência” que se tornou ditador, Ahmed Sekou Touré, que governou até à sua morte, em 1984. O General Lansane Conté tomou o poder e após a sua morte, em 2008, os militares controlaram o país até à transição para o poder civil, quando o Presidente Alpha Condé foi eleito, em 2010.

As últimas eleições locais remontam a 2005, durante o regime do General Conté, nas quais o partido no poder venceu com 80% dos votos e com a maioria em 31 das 38 comunidades urbanas e 241 das 303 comunidades rurais do país.

Devido à ausência de eleições, os líderes dos executivos municipais têm sido substituídos por figuras nomeadas por Alpha Condé, o que tem causado controvérsia. O chefe de Estado enfrenta o escrutínio da democracia guineense pela primeira vez.

Em 2016, um acordo entre o Governo, a oposição, a sociedade civil e os parceiros internacionais abriu caminho para a realização de eleições em fevereiro de 2017. Mas apesar dos protestos em massa da oposição exigindo que o Presidente respeitasse o acordo, o processo eleitoral foi sendo repetidamente adiado.

Educação e emprego são prioridades

60% da população da Guiné-Conacri tem menos de 25 anos, pelo que as memórias de Conté e da ditadura militar já são esbatidas ou inexistentes.

As prioridades dos eleitores incluem melhorias no sistema de educação da Guiné-Conacri e a criação de empregos, especialmente para a juventude.

Os guineenses vão eleger vereadores para 342 "comunidades” entre 1.300 listas partidárias com quase 30 mil candidatos, incluindo 7 mil mulheres.

Ibrahima Camara, diretor de campanha da União das Forças Republicanas, do antigo primeiro-ministro Sidya Torué, considera que as eleições podem ser uma "rampa de lançamento” para Touré, na sua terceira tentativa para chegar à Presidência, em 2020.

Os principais campos de batalha para o partido no poder, o Movimento do Povo Guineense, são a região ocidental de Kindia e a cidade de N'Zerekore, no sul, que foram particularmente afetadas pela epidemia do ébola.

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