Guiné-Bissau: Testes em massa para controlar a Covid-19 | Guiné-Bissau | DW | 21.06.2020

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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: Testes em massa para controlar a Covid-19

Alta Comissária para a Covid-19 quer testar diariamente o máximo de pessoas possível para determinar estado da evolução da doença no país, melhorar gestão clínica e reduzir número de mortes.

Em entrevista à Lusa, a ex-ministra da Saúde, nomeada pelo Presidente guineense, Umaro Sissoco Embaló, disse que neste momento "o país não tem uma ideia clara" sobre qual o estado da curva da doença, nomeadamente por estar a testar "poucas pessoas".

Segundo Magda Robalo Silva, o máximo de testagens feito por dia foi de 120 pessoas, o que, disse, é "muito pouco". 

Desde que foram anunciados os primeiros dois casos de infeção no país, no dia 25 de março, foram testadas cerca de quatro mil pessoas. 

"Quero poder testar um número cada vez maior de guineenses, sobretudo os de perfil de risco", defendeu Robalo, ao referir-se às pessoas portadoras do HIV, tensão arterial alta, diabetes e outras doenças.

A Alta Comissária quer aumentar "para, pelo menos, 328" o número de pessoas a serem testadas diariamente, o que seria a capacidade máxima instalada neste momento, mas com intenção de aumentar logo que haja condições.

Magda Robalo Silva pretende testar mais pessoas no interior do país, onde, disse, neste momento são colhidas as amostras de casos suspeitos e transportadas para Bissau, o que acarreta vários riscos.

Magda Robalo

Magda Robalo

Melhorar a gestão

A Alta Comissária guineense visa com estas estratégias melhorar a gestão clínica da luta contra a Covid-19 em todo o território e desta forma reduzir o número de mortes.

Com os testes, Magda Robalo vai saber quem não está contaminado "para que assim continue" e identificar as pessoas infetadas para que prestem mais atenção aos sintomas "e cheguem rapidamente ao hospital".

A responsável defendeu que é preciso evitar situações em que os infetados "quase em estado terminal morram nas primeiras 24 horas após darem entrada nos hospitais".

Atualmente, a Guiné-Bissau dispõe de 22 mil testes, mas já encomendou "muito mais" e também tem estado a receber ofertas de parceiros de desenvolvimento do país, sublinhou Magda Robalo.

Guines-Bissau National Krankenhaus Simão Mendes

Hospital em Bissau

Medidas restritivas permanecem

A responsável não entende que o aumento de testes de pessoas colida com o afrouxar das medidas decretadas pelas autoridades políticas, que admitiram a circulação de transportes públicos e vendas ambulantes, por exemplo.

Magda Robalo vai, contudo, avaliar a cada 15 dias a eficácia ou não das medidas no âmbito do estado de emergência e propor uma geolocalização de nichos de infeção para determinar as localidades que devem ser isoladas "para não asfixiar a economia".

Pelas informações de que dispõe, Magda Robalo Silva afirma que as medidas do estado de emergência não têm sido respeitadas de forma rigorosa, nomeadamente no que diz respeito ao uso das máscaras, distanciamento de pessoas e lavagem das mãos com água e sabão.

A Alta Comissária já tem uma nova abordagem para sensibilização e consciencialização da população sobre o que é a doença, na qual pretende contar com "todos os guineenses", nomeadamente líderes tradicionais e organizações da sociedade civil.

Apoio internacional

A médica disse que mais de que pedir dinheiro aos parceiros da comunidade internacional, vai apostar em sinergias com instituições e entidades com capacidades para ajudarem na implantação da estratégia da equipa que lidera.

A Organização Mundial da Saúde disponibilizou ao país uma equipa de cinco peritos internacionais, composta por três portugueses e um médico guineense a trabalhar em Portugal e um especialista do Gana, o que é visto pela responsável como "uma mais-valia" para a sua estratégia.

Magda Robalo Silva quer ver os peritos internacionais a ajudarem os técnicos guineenses na gestão de pacientes graves, nomeadamente na utilização de ventiladores, observou.

Na passada quarta-feira (16.06), Robalo apresentou a estratégia de combate à Covid-19. Na ocasião, salientou que o combate deveria focar na redução do número de casos e mortes e também na redução do impacto económico.

A Covid-19 já provocou 17 mortes na Guiné-Bissau, em 1.541 casos.

Assistir ao vídeo 05:45

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