Guiné-Bissau: PAIGC promete resposta musculada a ″provocações″ do Governo | Guiné-Bissau | DW | 26.07.2021

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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau: PAIGC promete resposta musculada a "provocações" do Governo

O partido reagiu à ordem que impede o seu líder e deputado, Domingos Simões Pereira, de sair do país, afirmando que se esgotou a paciência e ameaçando "responder à altura das provocações" das autoridades.

Domingos Simões Pereira (PAIGC)

Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC

Depois da reação dos advogados do partido, esta segunda-feira (26.07) foi a vez da direção superior do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) dizer 'basta' ao que considera constantes violações dos direitos dos seus militantes e dirigentes.

Em conferência de imprensa, em Bissau, à qual assistiram centenas de militantes e simpatizantes do partido, na ausência de Domingos Simões Pereira, o secretário nacional do "partido dos libertadores", Aly Hijazi, afirmou que, nos últimos anos, se assiste "a todo o tipo de atrocidades, de incumprimento de leis e barbaridades contra o PAIGC".

"Tolerámos e aceitámos, mas a partir de hoje acabou", frisou. "Eles [autoridades] é que nos provocaram e vamos responder à altura das suas provocações. Eles serão responsáveis por tudo o que acontecer a partir de hoje".

Guinea-Bissau | Pressekonferenz PAIGC

Aly Hijazi, secretário nacional do PAIGC

A tensão política aumenta na Guiné-Bissau, depois de o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, ter sido impedido de viajar para Portugal, na passada sexta-feira (23.07), por ordens do Ministério Público, que num despacho afirma que o líder político, que também é deputado, tem vários processos pelos quais deve responder na justiça.

Numa nota lida pelo porta-voz do partido, João Bernardo Vieira, o PAIGC exige a revogação do despacho e a demissão do procurador-geral da República: "O Ministério Público deve revogar o mais rapidamente o seu despacho, sem validade jurídica, e ato contínuo, este procurador [Fernando Gomes] incompetente e irresponsável, demitido das suas funções". 

Ato "longe da legalidade"

Caso contrário, acrescenta Vieira, as ações do PAIGC "serão musculadas, com contínuas marchas e manifestações, até à restauração da verdade e da justiça".

Também esta segunda-feira, na sequência da ordem para impedir a viagem de Simões Pereira, o Partido de Unidade Nacional pediu ao Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, a demissão do procurador-geral da República, Fernando Gomes, por estar a "desacreditar" a justiça e a "boa reputação internacional" do país.

Guinea-Bissau | Pressekonferenz PAIGC

Conferência de imprensa do PAIGC, em Bissau, muito concorrida

No início do mês, surgiram várias denúncias da existência, no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira, de uma lista de cidadãos que não podem deixar o país. Na altura, o secretário de Estado da Ordem Pública, Alfredo Malú, rejeitou estas afirmações.

Para o jurista Mariano Pina, o impedimento do embarque de Domingos Simões "está longe da legalidade, é um ato, do ponto de vista jurídico, inexistente" e esclarece: "Em primeiro lugar, se nós vemos o estatuto do deputado, o deputado não tem que ser perseguido e, em segundo lugar, para ser ouvido, tem que ter uma autorização da ANP [Assembleia Nacional Popular]. O que aconteceu no Aeroporto nesse dia [23.07] é um ato sem nome, é simplesmente abuso da força".

A DW África tentou, sem sucesso, ouvir a reação do Ministério Público guineense sobre o caso.

Assistir ao vídeo 01:16

Bissau: "Vou encontrar solução com os meus irmãos do PAIGC", diz Umaro Sissoco

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