Guiné-Bissau espera ″piores efeitos″ da pandemia da Covid-19, diz PM | Guiné-Bissau | DW | 11.06.2020
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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau espera "piores efeitos" da pandemia da Covid-19, diz PM

Para Nuno Nabiam, grande desafio do país no âmbito do combate à pandemia é impedir que a Covid-19 chegue ao interior. Primeiro-ministro espera piores efeitos para o seu país e diz que apoio externo é necessário.

"Conter a cadeia de contágio e impedir que o vírus se alastre e chegue ao interior do país é, na verdade, o grande desafio que temos pela frente e que a nova estrutura do Alto Comissariado vai ter que focalizar a sua ação", afirmou em entrevista à Lusa Nuno Nabiam. 

A Guiné-Bissau regista quase 1.400 casos acumulados de Covid-19 e 12 vítimas mortais, sendo o terceiro país da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa com mais casos do novo coronavírus, a seguir ao Brasil e a Portugal.

"Até hoje, Bissau tem sido a área de maior contaminação, já temos casos de infeções noutras zonas como Canchungo, Quinhamel, Safim e agora em Bafatá e Gabu, zonas mais distantes e de grande densidade populacional", salientou o primeiro-ministro guineense. 

Segundo dados do Centro de Operações de Emergência de Saúde do país, o setor autónomo de Bissau é o que regista a maior parte das infeções por Covid-19, seguido das regiões de Biombo, Cacheu, Bafatá e Gabu.

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Para o primeiro-ministro guineense, a estratégia a seguir passa pelo "controlo da circulação das populações", mas é uma operação que acarreta algumas dificuldades em termos operacionais devido ao "intenso fluxo de pessoas".

"Não tem sido fácil conter essas movimentações, mas estamos empenhados em reduzir ao máximo esse fator de maior risco de propagação", afirmou, salientando que, por exemplo, a cidade de Bissau é abastecida a partir do interior.

Desafio para o sistema de saúde

Nuno Nabiam, que já foi infetado pelo coronavírus, assim como alguns membros do seu Governo, salientou que "é uma situação nova, que veio por à prova a nossa capacidade de resposta e das estruturas sanitárias existentes", disse.

"Há anos que enfrentamos problemas estruturais a nível da saúde que nunca foram cabalmente resolvidos", acrescentou o primeiro-ministro guineense.

Mas, segundo Nuno Nabiam, apesar das dificuldades e da falta de dinheiro, o Governo conseguiu alguns resultados.

"Apesar do aumento diário de casos de infeções, estamos a conseguir alguma contração na cadeia de contágio", afirmou.

Piores efeitos

Nuno Nabiam afirmou ainda que a pandemia do novo coronavírus vai ter na Guiné-Bissau um custo económico "pesado e duradouro", que vai ameaçar o "progresso" e ampliar as desigualdades.

"Estamo-nos a preparar para os piores efeitos desta pandemia, mas precisamos de apoio na preparação para a crise de saúde e para as consequências económicas", sublinhou.

Questionado pela Lusa sobre os laços do seu Governo com os principais parceiros internacionais, o primeiro-ministro guineense disse estar "focado em aprimorar as relações" e que atinjam o "ponto ótimo".

Segundo o primeiro-ministro guineense, no início do seu mandato sentiu um "ligeiro constrangimento da comunidade internacional", talvez devido à "desconfiança".

Esse é um "facto que estamos gradualmente a superar graças à nossa forma de dirigir assente numa estratégia muito simples: gestão transparente e prestação de contas", afirmou.

"Hoje, o quadro que temos tanto a nível bilateral como multilateral é bem diferente de há dois meses, ou seja, efetivamente temos recebido apoio de alguns parceiros como o Banco Mundial por exemplo", salientou.

O primeiro-ministro guineense disse também que recebeu sem surpresa o relatório do Programa da ONU para o Desenvolvimento sobre o impacto sócioeconómico da pandemia no país e que avisa para a possibilidade de um aumento da pobreza e do colapso do sistema de saúde.

"Era previsível que o impacto da pandemia seria devastador a nível social e económico", afirmou.

Segundo o chefe do Governo, feito um esforço "incomensurável e apenas com recursos internos" para combater a pandemia e garantir a segurança alimentar.

Nuno Nabian disse também que estão a ser avaliadas medidas e ações a serem implementadas para "recuperar as finanças públicas, apoios e incentivos as empresas como forma de salvaguardar empregos e rendimentos" e recordou que o Estado já emprestou dinheiro aos bancos para capitalizar os operadores nacionais da campanha de caju.

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