Guiné-Bissau ″aceitou as regras da CEDEAO″, lembra analista | Guiné-Bissau | DW | 17.11.2019
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Guiné-Bissau

Guiné-Bissau "aceitou as regras da CEDEAO", lembra analista

Fernando Jorge Cardoso, especialista em assuntos africanos, diz ainda que se não for o PAIGC a vencer as presidenciais, o país vai ter "problemas de natureza institucional para arrancar do marasmo em que se encontra".

O especialista em assuntos africanos Fernando Jorge Cardoso defende que considerar a presença militar da CEDEAO na Guiné-Bissau como uma invasão e uma ameaça à soberania do país "é guerrilha política".

Em entrevista à Lusa, o analista português afirma que esta posição defendida por partidos e dirigentes políticos como o candidato presidencial Umaro Sissoco Embaló ou o Partido da Renovação Social(PRS) "é uma tentativa de dar a volta às coisas" e uma "distorção da história".

Regras preveem pedido de ajuda

Após a tensão política gerada pela demissão do primeiro-ministro Aristides Gomes por parte do Presidente guineense, José Mário Vaz, que nomeou um novo chefe de Governo, os chefes de Estado da CEDEAO decidiram na cimeira de 8 de novembro reforçar o contingente para ajudar a garantir a segurança "antes, durante e depois" das eleições presidenciais e ameaçaram impor novas sanções.

Guinea-Bissau Domingos Simões Pereira, Vorsitzender PAIGC (DW/F. Tchumá)

Domingos Simões Pereira

Sobre este tema, o analista lembrou que ao aceitar ser membro da CEDEAO, a Guiné-Bissau "aceitou as regras da organização" que preveem precisamente aquilo que o país fez: "solicitar o posicionamento dentro do próprio país de um contingente dos seus aliados no sentido de o ajudar a preservar a ordem e a segurança", e que por isso "não se tratou de uma invasão".

Apesar das críticas de alguns candidatos às presidenciais, Fernando Jorge Cardoso considera que este tipo de posicionamento político não deverá levar a uma situação mais grave no país. "Não creio que tenha dividendos do ponto de vista que possa levar a uma reação popular ou das Forças Armadas que possam levar a uma guerra. Não julgo que as condições estejam preparadas ou criadas para isso" defende. Isso mesmo também garantiu, este sábado (16.11),  Chefe das Forças armadas guineenses.

Aos olhos de Fernando Jorge Cardoso, este conflito político é "mais um choque de personalidades do que uma luta de natureza política ou ideológica" e "não tem que ver com uma situação de potencial guerra civil uma vez que não se vislumbra a existência de camadas da população que se agrupam entre fações de natureza regional e de natureza tribal".

Eleições serão solução?

Questionado sobre se as eleições presidenciais podem ser a solução para a estabilidade na Guiné-Bissau, o especialista defende que seja quem for o vencedor, este "terá uma margem muito mais curta para exercer uma discricionariedade tal como José Mário Vaz exerceu até há pouco tempo".

No entanto, considera que se não for o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) a vencer, através do candidato que apoia, Domingos Simões Pereira, o país vai ter "muito provavelmente problemas de natureza institucional para que o país arranque do marasmo em que se encontra".

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