Governo de Merkel ″observa a situação″ em Cabo Delgado | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 03.03.2021

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Internacional

Governo de Merkel "observa a situação" em Cabo Delgado

Berlim diz que acompanha a situação na província moçambicana e tem contactado organizações locais. Para o partido "os Verdes", na oposição, isto não chega: é preciso ajudar Maputo a alcançar uma solução para o conflito.

Forças do Governo de Moçambique em Mocímboa da Praia, palco de vários ataques

Forças do Governo de Moçambique em Mocímboa da Praia, palco de vários ataques

Uwe Kekeritz, do partido alemão "os Verdes", é um dos poucos deputados alemães especializados em questões africanas. Em entrevista à DW África, diz que "a situação em Moçambique é preocupante" com "a violência a aumentar" na província nortenha de Cabo Delgado.

"As pessoas sentem-se abandonadas pelo Governo. Depois dos danos devastadores, causados pelos furacões nos últimos anos, a população está agora a sofrer com os ataques terroristas brutais", lamenta.

Foi por isso que o deputado, de 67 anos, que chegou a trabalhar como professor cooperante nos Camarões, convenceu o grupo parlamentar do seu partido a avançar, no início do ano, com um pedido de explicações oficial dirigido ao Governo alemão, liderado pela chanceler Angela Merkel.

Uwe Kekeritz Bundestagsabgeordneter Grüne

Uwe Kekeritz: "A Alemanha praticamente não se envolve na região"

"Governo observa a situação"

Como avalia Berlim a situação na província moçambicana de Cabo Delgado? Estará a cooperação alemã empenhada na melhoria da situação dos deslocados internos?

A resposta do Governo alemão é vaga, como aliás todas a reações às 30 perguntas dos "Verdes": "O Governo observa a situação humanitária em Cabo Delgado e está em comunicação constante com as suas organizações parceiras locais".

O deputado da oposição esperava mais do Executivo de Merkel. Embora "o Governo federal alemão também entenda que a população está a ser empurrada para os braços dos terroristas, a cada dia que aumenta a pobreza", está "a fazer muito pouco para evitar que isso aconteça", diz Uwe Kekeritz.

Na avaliação do deputado, "a Alemanha praticamente não se envolve na região".

"Não há cooperação para o desenvolvimento em condições, nem há ajuda humanitária de forma significativa. E o Governo federal alemão também não faz nada para promover a prevenção ou resolução de conflitos. Seria, portanto, gratificante se a União Europeia pudesse contribuir para uma solução pacífica para o conflito", propõe Kekeritz.

Mosambik Binnenvertriebene aus Cabo Delgado

Ataques deixam rasto de destruição e já provocaram milhares de deslocados no norte moçambicano

Segundo o deputado da oposição, a Alemanha deveria intervir diplomaticamente, no sentido de promover uma solução para o conflito. No entanto, na sua resposta, o Governo alemão desvaloriza as críticas, salientando que procura sempre o diálogo com Maputo, tanto a nível bilateral, como também através de canais da União Europeia. E "cabe ao Governo moçambicano apresentar pedidos concretos de apoio, assim como aceitar ofertas concretas de ajuda", reza o documento de Berlim, a que a DW África teve acesso.

O papel da indústria extrativa

O partido alemão "os Verdes" tem uma abordagem muito crítica relativamente à exploração do gás natural e de outros recursos naturais na região, lembra o deputado Uwe Kekeritz, que vê no negócio das indústrias extrativas um dos motivos para o agravamento do conflito.

O Governo alemão não concorda e diz que, do ponto de vista de Berlim, "as matérias-primas na região não são um motor do conflito militar em Cabo Delgado".

Schiffsplattform Saipem

Prospeção de gás na Bacia do Rovuma, Cabo Delgado (Foto de arquivo/2012)

No entanto, o deputado da oposição insiste: "A extração de minérios desempenha um papel muito importante na região. Mas estamos a ver que as indústrias extrativas destroem o sustento das pessoas e levam à migração e à miséria. Ao mesmo tempo, a população local não beneficia com os lucros que vão principalmente para as empresas estrangeiras."

"Em vez de depender de soluções militares e investidores estrangeiros", continua Uwe Kekeritz, "o Governo moçambicano deveria finalmente levar a sério a situação do povo de Cabo Delgado. Deveria permitir o desenvolvimento sustentável e fazer tudo para evitar uma nova escalada da violência". 

Assistir ao vídeo 01:44

Moçambique: traumas de guerra, sonhos de paz nos campos de deslocados

RENAMO espera posição alemã

O maior partido da oposição em Moçambique, a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), saúda o facto de o conflito armado em Cabo Delgado já ter chegado ao Parlamento alemão.

O deputado da RENAMO, Alberto Ferreira, afirma em entrevista à DW: "Eu fico relativamente contente por saber que o partido dos Verdes questiona o Governo alemão por inação. A Alemanha é sempre o líder dentro da Europa e, hoje, distancia-se e não se pronuncia efetivamente. Temos Portugal e França que se pronunciaram e a Alemanha ainda não."

Assistir ao vídeo 03:24

Cabo Delgado: Que tipo de apoio a UE pode dar a Moçambique?

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