Gâmbia: trabalhadoras do sexo sofrem mais com violência durante a pandemia | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 24.09.2020
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Internacional

Gâmbia: trabalhadoras do sexo sofrem mais com violência durante a pandemia

Na Gâmbia, as medidas de restrição provocadas pela Covid-19 levam as trabalhadoras do sexo ao desespero. Além da redução de ganhos, muitas passaram a sofrer mais abusos de polícias e clientes. Atividade é ilegal no país.

Hawa é uma das cerca de 3.100 trabalhadoras do sexo que precisam de dinheiro para pagar as contas, comprar roupas e gozar a vida, mas ultimamente a polícia tem impedido as profissionais do sexo de trabalharem.

"Eles devem compreender que somos pessoas, estamos à procura de dinheiro para fazer face às despesas. Não somos criminosos, não estamos a roubar a ninguém. Apenas fazemos o nosso trabalho como qualquer outro trabalho”, explica.

Desde que o Presidente da Gâmbia, Adama Barrow, ordenou o encerramento de bares e discotecas como medida para combater a Covid-19, a situação das trabalhadoras do sexo agravou-se drasticamente. A prostituição é generalizada na Gâmbia, mas é ilegal. A maioria procura clientes na praia, em bares e hotéis – que agora estão fechados.

Hawa diz que os argumentos ouvidos contra a legalização surgem de diferentes caminhos, "alguns preocupam-nos, sobretudo os que dizem que o trabalho sexual contribui para o tráfico de crianças, que o trabalho sexual aumenta casos de VIH na África do Sul, o que realmente não é verdade”.

Gambia Präsident Adama Barrow kündigt Wahrheitskommission an (picture-alliance/AP Photo)

Presidente Adama Barrow ordenou encerramento dos bares

Clientes e polícias abusam

A cidade de Senegâmbia, em Serekunda, é a região de diversão mais famosa da Gâmbia. Com muitos Bares e discotecas - que em tempos normais recebe muitos turistas europeus e americanos que ajudavam a sustentar as trabalhadoras do sexo.

A Hawa ganhava pelo menos 100 euros por noite antes do encerramento dos lugares. Mas agora a mãe solteira tem dificuldades para pagar a renda e sustentar seus filhos.

Hawa conta à DW que hoje em dia correm riscos de vida em pleno exercício da profissão. O problema é que recebe clientes que a chamam nas suas casas. "Por exemplo, em Nairobi temos casos em que raparigas foram mortas nos últimos três meses. Temos ainda conhecimento de três raparigas que foram espancadas pelos clientes”, lamenta.

Italien Menschenhandel Zwangsprostitution (picture-alliance/ROPI)

Na Gâmbia, há muitas profissionais do sexo, mas sua atividade é ilegal

Mas há abuso policial que também preocupa Hawa e suas colegas que vivem da prostituição. A profissional do sexo conta que muitos dos abusos são cometidos por polícias que prendem as mulheres e confiscam preservativos.

"Dizem que se tiver mais de quatro preservativos consigo, está a solicitar trabalho sexual e por isso é ilegal. Portanto, eles retiram, sabe, até a opção das trabalhadoras do sexo de se protegerem sexualmente”, esclarece.

A Rede Global de Projectos de Trabalho Sexual (NSWP) escreveu em agosto que os trabalhadores do sexo sofrem "perda de rendimentos e crescente discriminação, assédio e violência" como resultado das restrições da Covid-19.

Atualmente, o Senegal é o único país em África onde a prostituição é legal. O pré-requisito é ter mais de 21 anos de idade e ser examinada mensalmente. As trabalhadoras do sexo recebem gratuitamente preservativos.

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