Fraca infraestrutura compromete escoamento do carvão de Moatize | Moçambique | DW | 04.07.2012
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Moçambique

Fraca infraestrutura compromete escoamento do carvão de Moatize

Falta de capacidade da via pode levar a uma crise no transporte do carvão produzido na província de Tete pelas mineradoras australiana Rio Tinto e brasileira Vale. Governo promete solução.

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A empresa australiana Rio Tinto defende que a viabilidade do carvão térmico da bacia de Moatize, em Moçambique, será posta em causa se não for encontrada uma solução mais eficiente na rede de escoamento da produção. O comentário surge numa altura em que se antevê uma eventual crise no transporte do carvão produzido em Moatize, tanto pela empresas australiana quanto pela brasileira Vale, por falta de capacidade da via.

O início da exportação pela Rio Tinto, na semana passada, trouxe consigo um novo problema: o da capacidade da linha de Sena em garantir o transporte do carvão produzido naquela região. A Rio Tinto terá de partilhar com a empresa brasileira Vale a utilização da linha de Sena, que é atualmente a única via em funcionamento para o escoamento das exportações das duas empresas.

Municipality of Maputo City and Independence Square. Platz der Unabhängigkeit und Rathaus der Stadt Maputo. Foto: Ismael Miquidade, 25-03-2006, Maputo, Mozambique / Mosambik

Governo em Maputo promete soluções rápidas

Para o diretor-executivo de Operações da Rio Tinto, Andrew Woodley, a fraca infraestrutura está a limitar a produção do carvão em Moatize, em Tete, que ele considerou uma das regiões mais promissoras de carvão de coque em todo o mundo, ainda por desenvolver.

"A capacidade de transporte de carvão é insuficiente para atender à necessidade de produção, atual e futura, da Rio Tinto e de outras mineradoras de carvão. Para alcançar o nosso crescimento, Moçambique necessita de novos investimentos significativos na cadeia de carvão, inclusive nos portos e infraestrutura ferroviária. No total, a futura produção de carvão em toda a bacia de Moatize tem potencial para atingir 100 milhões de toneladas por ano. Até à data, a linha ferroviária da Beira só consegue transportar cerca de dois milhões de toneladas", disse Woodley.

O diretor de Operações da Rio Tinto, que falava numa conferência internacional sobre o carvão nesta terça (03/07) e quarta-feiras em Maputo, não se referiu em momento algum à opção defendida no passado pela empresa, que consistia na utilização do rio Zambeze para solucionar o problema da falta de transporte.

Promessa de melhoras

Vale do Rio Doce's Development Director Marco Dalpozzo, right, speaks as the company's Chief Executive Roger Agnelli listens during a press conference in Rio de Janeiro, Friday, Feb. 29, 2008. Vale do Rio Doce's blockbuster acquisition of Anglo-Swiss miner Xstrata is on hold while Xstrata's major shareholder considers the proposal, Agnelli said Friday.(ddp images/AP Photo/Silvia Izquierdo)

Brasileira Vale e Caminhos de Ferro de Moçambique construirão estrada de ferro

O vice-ministro dos Recursos Minerais de Moçambique, Abdul Razak, disse que o governo tem em carteira uma série de projetos para resolver este problema. "Estamos a trabalhar em projetos para aumentar a capacidade da linha de Sena para 20 milhões de toneladas, simultaneamente estamos a trabalhar para uma nova linha férrea que vai de Tete até o porto de Macuse na província de Zambeze. E há uma proposta que ainda está a ser estudada para utilizar o Rio Zambeze, mas numa primeira fase nós preferimos ver as possibilidades dos caminhos de ferro."

O analista em assuntos econômicos Luís Magaço defende que o ideal seria evitar de todo a navegabilidade pelo Zambeze. "A navegabilidade do Zambeze que já foi um fato no passado hoje é altamente questionada pelos ambientalistas, pelos impactos que isso terá, sobretudo na vida marinha. Porque se autorizarmos a Rio Tinto depois será difícil nós recusarmos que os malauianos também usem o rio para escoar a sua exportação, as suas importações e depois aí teremos um tráfego de navios e de produtos atirados ao rio e estaremos a influenciar negativamente as condições ambientais do rio."

Ainda na busca de alternativas para a exportação do carvão, o governo autorizou na terça-feira a construção de uma linha férrea de Moatize ao porto de Nacala. O projeto foi dado em concessão a uma empresa com 80% de capital da Vale e 20% dos Caminhos de Ferro de Moçambique.

"Apesar de a linha férrea ter a participação quer da Vale, quer eventualmente da Rio Tinto, quer eventualmente de outras empresas mineradoras, 'open access' é fundamental", disse Abdul Razak.

Autor: Leonel Matias (Maputo)
Edição: Francis França/António Rocha

Ouvir o áudio 03:24

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