Filipe Nyusi condena violência armada em Moçambique | Moçambique | DW | 04.10.2020

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Moçambique

Filipe Nyusi condena violência armada em Moçambique

No dia da paz e reconciliação nacional, o Presidente defendeu o reforço das forças do Estado para responder à violência no norte do país. Por seu turno, o líder da RENAMO pediu o "respeito dos direitos fundamentais".

Em Moçambique, mais de mil antigos guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) passaram já à vida civil no âmbito do processo de Desmobilização, Desarmamento e Reintegração (DDR) da força residual do maior partido da oposição, que deverá abranger cerca de cinco mil homens até junho de 2021, anunciou este domingo (04.10) o Presidente Filipe Nyusi.

Por seu turno, o líder da RENAMO, Ossufo Momade, acusou a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) de promover a intolerância política e questionou se ao agir desta maneira o partido no poder não pretende desarmar a RENAMO para depois "fazer caça às bruxas aos seus membros".

Numa comunicação à nação por ocasião do dia nacional da paz e da reconciliação nacional, Nyusi não poupou críticas aos "concidadãos que procuram ameaçar e atacar os nossos compatriotas que, com consciência própria e patriótica, decidiram entregar as armas e seguir um novo rumo de vida".  

Assistir ao vídeo 02:52

Moçambique: Desmobilizados da RENAMO vivem com medo

"Estes concidadãos devem ser respeitados e merecem o nosso apoio", sublinhou o chefe de Estado.

Paz e reconciliação

Moçambique assinalou este domingo o dia nacional da paz e reconciliação nacional por ocasião da passagem do 28º aniversário da assinatura do acordo de Roma, que pôs fim a 16 anos de guerra civil, levada a cabo pela RENAMO.

Tanto Filipe Nyusi como Ossufo Momade reiteraram o seu cometimento com a paz e a necessidade de se manter a reconciliação

"Infelizmente, celebramos 28 anos dos acordos de paz com dor e mágoa, porque uma parte da população das províncias de Cabo Delgado, Sofala e Manica ainda vive o drama da violência armada", lamentou Nyusi.  

Desde 1992 foram assinados, em Moçambique, três acordos de paz, mas todos fracassaram e o país voltou a mergulhar sempre em guerra.

Atualmente, registam-se ataques armados protagonizados por um grupo dissidente da RENAMO, a autoproclamada Junta Militar, no centro do país, e de um grupo de insurgentes, alegadamente jihadistas, em Cabo Delgado.

Violência armada

Só na província de Cabo Delgado, a violência armada já resultou na morte de mais de mil civis e em mais de 250 mil deslocados internos, para além de danos materiais avultados, segundo dados oficiais.

Filipe Nyusi indicou que os insurgentes, cujas motivações são desconhecidas, estão a levar a cabo uma estratégia de ampliação do medo, marginalização da vida e violação dos direitos humanos, recusando as acusações de envolvimento das forças governamentais nestas violações.   

Assistir ao vídeo 03:06

Nova vaga de refugiados no centro de Moçambique

O Presidente acrescentou que o combate ao terrorismo exige esforços mais elaborados e coordenados de todos os Estados, considerando que as motivações ideológicas destas ações são uma ameaça global.

"É o nosso anseio continuar a reforçar a capacidade de intervenção militar e projeção do poder das Forças de Defesa e Segurança para que possam dar uma resposta cada vez mais eficiente às investidas dos terroristas", declarou.

Nyusi condenou veementemente os atos de "terrorismo" protagonizados pelo grupo em Cabo Delgado e reiterou que, como Estado, Moçambique continuará a usar todos os recursos ao dispor "para garantir a ordem e a segurança públicas, porque o povo moçambicano merece ter um país pacífico".

O Presidente moçambicano condenou igualmente os ataques protagonizados pela Junta Militar da RENAMO no centro do país. "Chamamos a atenção a Junta Militar da RENAMO para que entenda que quaisquer que sejam as suas reivindicações, elas devem ser feitas por meio do diálogo e nunca das armas, chacinando cidadãos indefesos e destruindo infraestruturas públicas e privadas".

28 anos do acordo de Roma

Entretanto, o líder da RENAMO defendeu, também numa comunicação à nação este domingo, que durante os 28 anos de vigência do acordo de Roma, o país assistiu ao estrangulamento do exército constituído à luz desse acordo, a mega-fraudes eleitorais, aos sequestros e assassinatos de cidadãos, incluindo membros da RENAMO, entre outras irregularidades.

Mosambik: Ossufo Momade, Chef der größten Oppositionspartei RENAMO

Ossufo Momade, líder da RENAMO

"Os cidadãos clamam pelo respeito dos direitos fundamentais, como o livre exercício da atividade política, contrariamente ao que tem acontecido um pouco por todo o pais, como por exemplo, em Sussundenga/Dombe, onde os alegados líderes comunitários impedem o içar da bandeira da RENAMO", afirmou Ossufo Momade.

Acrescentou que "tais líderes comunitários chegam à estranha aberração de obrigar membros da RENAMO a pagar quotas em benefício do partido FRELIMO, o que significa autêntico abuso de poder e arrogância política desmedida".

Momade defendeu que a tolerância, a aceitação do outro e o projeto comum de desenvolvimento são os alicerces da paz e reconciliação nacional.

RENAMO condena violência armada

O Presidente da RENAMO condenou ainda a violência armada que se regista no centro e norte do país, sublinhando que nada justifica tais atos quando o foco do país é o desenvolvimento, a paz e a reconciliação nacional.

Ossufo Momade reiterou ainda o apelo do seu partido para a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as alegadas violações dos direitos humanos em Cabo Delgado, cuja autoria é atribuída às forças governamentais.

Na última sexta-feira (02.10), a Comissão Permanente do Parlamento decidiu enviar uma equipa da comissão dos assuntos constitucionais e de legalidade ao terreno para apresentar até 30 de outubro um relatório sobre a situação nas zonas atingidas pela violência armada em Cabo Delgado, Sofala e Manica. 

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