Filha e neta da lenda futebolística luso-moçambicana Mário Coluna apoiam combate à malária em Moçambique | Moçambique | DW | 28.04.2019
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Moçambique

Filha e neta da lenda futebolística luso-moçambicana Mário Coluna apoiam combate à malária em Moçambique

Lurdes e Regina Coluna deram a cara a favor da partida de futebol que se realiza este domingo (28.04), em Lisboa, destinada a recolher fundos para ajudar vítimas do Idai, em Moçambique.

Mario Coluna Fußballer aus Mosambik (Romeu da Silva)

Mário Coluna

É com o sentimento de forte ligação a Moçambique, por intermédio do seu avô, a lenda futebolística luso-moçambicana Mário Coluna, que jogou no Sport de Lisboa e Benfica, que Regina aplaude a pertinente ideia de realização de uma partida de futebol, este domingo (28.04), no Carregado, visando apoiar a luta contra a malária na região da Beira, afetada pela passagem do ciclone tropical Idai a 14 de março último. A iniciativa foi lançada pela Associação Desportiva do Carregado, em parceria com a Casa de Moçambique.

"Nós fazemos o que estiver ao nosso alcance para ajudar as pessoas," afirma.

Também adere à causa a sua mãe, Lurdes, uma das filhas de Coluna, natural de Moçambique, considerado um dos melhores jogadores do Benfica (entre 1954/55 e 1969/70) e duas vezes campeão europeu (1961 e 1962).

Portugal l Lurdes und Regina Coluna (DW/J. Carlos)

Lurdes Coluna (à esq.) e Regina Coluna (à dir.)

De acordo com informação já do conhecimento público, "foi o segundo africano a erguer a Taça dos Campeões Europeus (o primeiro foi José Águas, de nacionalidade angolana, em 1961)".

Depois da devastação provocada pela passagem do ciclone, vêm as doenças - devido à concentração das águas, propícias para a reprodução dos mosquitos. Lurdes Coluna considera esta iniciativa importante por permitir ajudar na compra de vacinas, "porque, além de outras doenças, a malária está a ceifar a vida de muita gente".

A filha do futebolista lembra, por ter visto na televisão – e até achou graça –, que o Presidente da República, Filipe Nyusi, já tenha sido vacinado.

Elas – entre outras individualidades de Portugal e de Moçambique – encontram-se este domingo no Carregado – freguesia do concelho de Alenquer, na periferia de Lisboa – que acolhe uma partida de futebol do escalão sénior da Divisão de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, cuja receita se destina a apoiar no combate à malária nas zonas da região da Beira atingidas pela recente catástrofe natural.

Mosambik Notunterkünfte in der Provinz Zambézia (DW/M. Mueia)

Centro de acomodação na província da Zambézia

“Ajudar a terra do meu pai”

Associaram-se à iniciativa em resposta a um apelo do presidente da Casa de Moçambique, Enoque João, que lhes lançou o desafio face ao drama das populações em consequência dos efeitos do ciclone Idai, que devastou a região centro do país.

"Por acaso, falei logo com ele sobre o que se podia fazer para ajudarmos Moçambique," revela Lurdes em conversa com a DW África em sua casa, acompanhada da neta Regina. "E, assim, fiquei bastante satisfeita de poder fazer algo para ajudar a terra do meu pai," acrescenta.

"Se ele fosse vivo, estaria aqui a fazer o mesmo ou muito mais," completa Regina. Certamente, não têm dúvidas, Mário Coluna seria um dos mentores de um grande jogo de solidariedade, com a participação dos grandes craques do futebol português, para apoiar a causa moçambicana.

Portugal l Regina Coluna (DW/J. Carlos)

"Fazemos o que estiver ao nosso alcance para ajudar," afirma Regina Coluna

"Acredito que, se estivesse aqui, era diferente," diz Regina.

"Ele e o tio Eusébio," acrescenta Lourdes.

"Ele mexeria os seus cordelinhos e até o Benfica poderia ajudar nesta causa," complementa a neta de Coluna, em meio a uma boa gargalhada.

Benfiquistas ferrenhas, assumem que se fosse preciso ir falar com o presidente do clube da Luz, Luís Filipe Vieira, claro que iriam. "É só me dizerem que vou bater à porta," garante Lurdes. Regina admite que o facto da família de Coluna ter-se associado a esta ação pode também contribuir para mobilizar mais público. "Não está ele, estaremos nós," assegura. "Assim podemos angariar mais fundos para ajudar a comprar as vacinas destinadas àquele povo," acrescenta Lourdes.

Ambas não negam que se fosse possível estariam agora em Moçambique a ajudar as vítimas. "Pode ter a certeza," garante Regina, que lamenta sobretudo o sofrimento das crianças "que necessitavam de ter mais atenção e ajudas".

Mosambik Zyklon Idai | Zerstörung und Hilfe (Reuters/S. Sibeko)

Casas alagadas em Búzi

Acautelar medidas de prevenção

A filha de Mário Coluna concorda que, ao longo das últimas semanas, Portugal "fez bastante" perante "esta desgraça", que devastou a região da Beira. Mas tem consciência que toda a ajuda é pouca, ainda mais para fazer face às consequências de outra tempestade mais recente, o ciclone Kenneth, que também provocou estragos no norte de Moçambique.

"A natureza é imprevisível," concordam Regina e sua mãe, críticas quanto à necessidade de se acautelar as medidas de prevenção. Reclamam mais meios e condições para debelar as consequências de tempestades que, ciclicamente, assolam o país. Contra as casas de palha sem condições, elas são favoráveis à construção de habitações mais condignas para o povo.

Mosambik Idai Wiederaufbau (picture-alliance/AP Photo/T. Mukwazhi)

Casas destruídas na cidade da Beira

A partida de futebol que tem lugar na vila do Carregado conta com o envolvimento do Embaixador da Paz junto das Nações Unidas e presidente da Casa de Moçambique, Enoque João, do secretário-executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Francisco Ribeiro Telles, assim como de membros da Confederação Nacional das Associações das Famílias e do músico moçambicano Edu. Associaram-se ao evento algumas instituições, entre as quais a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Alenquer e os Escuteiros de Portugal, bem como várias empresas como Brilha Alimentar, Abrisaude, EMBA e Europastry.

Nuno Vila Verde, presidente de Mesa da Assembleia da Associação Desportiva do Carregado, disse à DW África que houve um esforço de mobilização do público e dos potenciais contribuintes, incluindo as entidades, instituições e empresas locais para tornar efetiva esta iniciativa de vertente humanitária. De acordo com aquele dirigente associativo, serão utilizados os canais adequados e credíveis para fazer chegar as ajudas a Moçambique.

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