FILDA abre sob lema ″Diversificar a Economia, Desenvolver o Setor Privado″ | Angola | DW | 10.07.2018
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Angola

FILDA abre sob lema "Diversificar a Economia, Desenvolver o Setor Privado"

Feira Internacional de Luanda arrancou esta terça-feira (10.07) com 350 expositores, de 14 países. Evento decorre em área localizada a 30 quilómetros do centro de Luanda. Munícipes lamentam ausência da feira no Cazenga.

Industriemesse FILDA Luanda (Pedro Borralho Ndomba)

Pavilhão da FILDA 2014

As portas da Feira Internacional de Luanda (FILDA) estão abertas para empresários angolanos e estrangeiros, assim como para visitantes em geral, até o próximo dia 14.

Alavancar a economia de Angola é o que se pretende e esta feira é uma oportunidade para o efeito, segundo o economista Domingos da Silva.

"A abertura da FILDA representa para o nosso país abertura para novos negócios, alavancar a economia, as vendas das empresas que farão parte da feira que abriu hoje. No mundo de hoje, com novas dinâmicas e tendências, não se pode trabalhar só, deve-se trabalhar em parcerias com outros mercados, razão pela qual não só participarão as empresas angolanas, mas também de outros países," considera Domingos da Silva.

"Este evento ajuda a alavancar a economia das empresas e, consequentemente dos países. Os novos contratos que vão surgir poderão gerar divisas para as empresas angolanas, para se poder importar produtos essenciais para o país - sendo que a nossa economia depende grandemente dos produtos importados," avalia.

Abandono e delinquência

FILDA Gebäude ( DW/A. Pacheco
)

Antigas instalações da FILDA (Cazenga)

Alegria de um lado e descontentamento e saudosismo do outro, nomeadamente, dos munícipes do Cazenga. São lamentações dos filhos deste município onde se encontram as instalações que durante mais de 30 anos albergaram a Feira Internacional de Luanda, que há dois anos é organizada em outras instalações. Este ano decorre na Zona Económica Especial Luanda-Bengo.

Vicelmo Fernandes reside no Cazenga há mais de 20 anos. Para ele, a FILDA não é simplesmente uma estrutura, é uma parte de si. O jovem recorda com nostalgia os bons momentos que a instituição já lhe proporcionou.

"Ainda me lembro quando mais novo, aos 10 anos, nós brincávamos lá de apanhar gafanhotos. A par disto, era uma zona de lazer, porque a FILDA sempre foi uma zona de eventos, uma zona em que se realizavam espectáculos musicais. De fato, de lá saíram mesmo boas memórias. O Cazenga perde uma porta de entrada, perde grandes momentos de lazer," reclama.

Para Vicelmo, a situação é bastante preocupante, pois, a única coisa que restou da FILDA é apenas o seu nome.

"Hoje em dia, não há quase nada da FILDA. A única coisa que restou da FILDA é só o nome. E isto pode contribuir para o aumento da delinquência, porque os delinquentes têm sempre desta, gostam de espaços abandonados," preocupa-se.

Angola FILDA 2015 – Deutschland (DW/G. Correia da Silva)

Presença alemã na FILDA 2015

A par de Vicelmo, Abelardo também viveu estes momentos. Mas lamenta o estado de degradação em que o local se encontra atualmente. Um espaço de mais de 30.000 metros quadrados, que já proporcionou bons dias aos moradores do Cazenga.

"Hoje [o local onde era realizada] a FILDA é mais um berço de malfeitores do que propriamente uma Feira Internacional de Luanda. É um local que já não proporciona prazer para a sua frequência, sobretudo no período noturno. Aparenta ser mais um guardião dos amigos do alheio," avalia.

"É comum vermos jovens fazerem desmandos, a fumarem, a beberem. Funcionamento administrativo já não vemos, creio que a última vez que eles organizaram um evento foi há dois anos. De lá para cá, já não vemos nada. Já não há guardas, aquilo está livre," descreve.

Perdas e apelos

FILDA Gebäude ( DW/A. Pacheco
)

Pavilhão da FILDA no Gazenga

E se esta é a realidade da estrutura que já acolheu inúmeras entidades colectivas e singulares, nacionais e internacionais, então só resta o apelo de Augusto Francisco, residente há 18 anos neste município, tido como dos com elevado índice de criminalidade em Luanda.

"A FILDA acaba por ser um património do Cazenga. Sendo um património, nós não devemos deixar morrer, deveríam reestruturar a estrutura que ainda está, porque a FILDA é um património do Cazenga. O espaço ainda existe, nós não devemos deixar morrer," apela.

As instalações onde era realizada a Feira Internacional de Luanda, no Cazenga, estão em estado de degradação - sem alguma intervenção do Executivo angolano.

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FILDA abre sob lema "Diversificar a Economia, Desenvolver o Setor Privado"

Sendo assim, as famílias do Cazenga perdem muito, na opinião do economista Domingos da Silva.

"Primeiro, perdem a festa. Segundo, perdem o poder de aquisição - uma vez que com a vinda dos participantes o Cazenga ganharia, ou seja, haveria um valor a acrescentar, uma vez que os visitantes iriam fazer compras em vários mercados informais do município. E perderão a oportunidade de participar de um evento mais próximo, sobretudo para aqueles que não têm um meio de transporte, não terão oportunidade de participar de uma feira. Porque, na verdade, esta feira não é só para empresários, mas também para pessoas particulares, para apreciar a feira em si, bem como para a aquisição de alguns produtos que serão vendidos de forma promocional. Não terão esta oportunidade, portanto, perdem a emoção, perdem dinheiro e perdem a oportunidade de comprar produtos a um preço mais acessível," conclui o economista.

A edição de 2017 da FILDA realizou-se no final de julho, em plena marginal junto à baía da capital angolana, juntando cerca de uma centena de empresas. Em 2016, a crise em Angola levou mesmo ao cancelamento do evento, que em anos anteriores chegou a movimentar, enquanto expositores, cerca de 1.000 empresas.

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