Extremismo: Homicídio de político é ″sinal de alerta″ para toda a Alemanha | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 19.06.2019
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Internacional

Extremismo: Homicídio de político é "sinal de alerta" para toda a Alemanha

Morte do político Walter Lübke, apoiante da política de acolhimento de refugiados, é um "sinal de alerta" para toda a Alemanha, advertiu o ministro do Interior. Principal suspeito é um simpatizante da extrema-direita.

Funeral de Walter Lübcke, de 65 anos, encontrado morto, com um tiro na cabeça, na sua casa nos arredores de Kassel, em Hesse (centro da Alemanha), a 2 de junho

Funeral de Walter Lübcke, de 65 anos, encontrado morto, com um tiro na cabeça, na sua casa nos arredores de Kassel, em Hesse (centro da Alemanha), a 2 de junho

"Um ataque da extrema-direita contra um representante de alto nível do nosso país constitui um sinal de alerta e visa todos nós", declarou numa conferência de imprensa, na terça-feira (18.06), o ministro do Interior da Alemanha. Horst Seehofer considerou que o sucedido marca "uma nova dimensão" dos atos cometidos por membros da extrema-direita no país.

Walter Lübke, chefe do conselho administrativo do distrito de Kassel e membro da União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler Angela Merkel, foi encontrado morto em sua casa, no passado dia 2 de junho, com um tiro na cabeça.

Deutschland PK zum Mordfall Lübcke

Horst Seehofer, ministro do Interior da Alemanha

O assassinato abalou o país. O Ministério Público Federal assumiu a investigação do crime, que poderá ter tido motivações políticas. No fim de semana, a polícia deteve o suspeito do crime e já confirmou que este tem ligações à extrema-direita.

Em declarações à televisão alemã, o jornalista Georg Mascolo disse que este ato é mais uma prova de quão radical se tornou a cena neonazi no país. "Há muitos indicadores disso: o número de perigos está a aumentar. Aumentam as ameaças na internet, aumenta o ódio na internet e está aumentar também a violência à direita", lembrou.

O suspeito, Stephan E., já era conhecido das autoridades como tendo uma "carreira de extrema direita", tendo sido condenado por crimes relacionados com extremismo, em 1993 e posteriormente em 2009, altura em que desapareceu dos radares da polícia. Voltou a aparecer agora como suspeito deste assassinato, depois de o seu ADN ter sido encontrado nas roupas da vítima. 

Rede de extrema-direita?

Mas terá o suspeito agido sozinho ou existe uma rede de extrema-direita por detrás do crime? Uma questão que, nos últimos dias, tem estado no centro do debate no país. "A tese de que se trata de um ato individual não só seria errada, como perigosa. Se olharmos concretamente para os últimos ataques vemos que há sempre redes políticas por trás. A minha preocupação é que, neste caso, se venha também a insistir de que foi um único perpetrador", explica Martina Renner, especialista em política interna.

Ouvir o áudio 03:48

Homicídio de político é sinal de alerta para toda a Alemanha

Em Berlim, o tema tem preenchido a agenda política. Os partidos da oposição de esquerda, Verdes e Partido Liberal (FDP), exigiram uma reunião extraordinária da à Comissão dos Assuntos Internos.

Também o partido populista Alternativa para a Alemanha (AfD) pediu uma investigação profunda ao sucedido e uma pena severa para os culpados. O que não os livra, no entanto, das acusações de que têm sido alvo.

Como partido de extrema-direita, a AfD é frequentemente associada à incitação do ódio e violência no país. Michael Brand, deputado da CDU, aponta-lhes, por isso, o dedo. "A verdade é que foi o ódio e a agitação dos últimos anos que tornaram possível este crime. Há uma linha direta entre a agitação e a violência e o assassinato. E quem não vê isso é cego", diz.

"Estes perpetradores entendem que estão a agir de acordo com a opinião de uma suposta maioria. Acreditam que o que estão a fazer vai de encontro àquilo que os outros pensam e que, por isso, estão a agir em nome do interesse do povo, que é o cerne do populismo. Neste sentido, o partido AfD tem também uma função legitimadora para os perpetradores de atos de violência", afirma Mathias Quent, diretor do Instituto para a Democracia e Sociedade Civil da cidade de Jena.

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