Ex-conselheiro de Guebuza admite ter recebido oferta milionária de Boustani | Moçambique | DW | 10.09.2021

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Moçambique

Ex-conselheiro de Guebuza admite ter recebido oferta milionária de Boustani

Renato Matusse disse que negociador da Privinvest ofereceu-lhe 1,6 milhões de dólares em bens. Audição teve novo pedido da defesa para a proibição de registos da imprensa: "O julgamento é público", respondeu o juiz.

O réu Renato Matusse admitiu, esta sexta-feira (10.09), na audição do processo das dívidas ocultas, ter recebido uma oferta de 1,6 milhão dólares [mais de 1,3 milhão de euros] em bens móveis e imóveis do empresário libanês Jean Boustani – o principal negociador da empresa Privinvest. 

A Privinvest tem sido associada ao escândalo financeiro que lesou o Estado moçambicano em cerca de dois mil milhões de dólares [quase 1,7 mil milhão de euros]. Ex-conselheiro político do antigo Presidente Armando Guebuza, Matusse é acusado de associação para delinquir, peculato, branqueamento de capitais e tráfico de influências.

"Na conversa que nós desenvolvemos acabei mostrando as minhas dificuldades, vamos assim dizer, e ele [Jean Boustani] acabou acedendo dar o apoio", disse Matusse à representante do Ministério Público, Ana Sheila Marrengula, quando a magistrada quis saber porque é que o réu recebeu o dinheiro.

Wahlen Mosambik 15.10.2014 Armando Guebuza

Matusse era conselheiro político de Armando Guebuza (foto)

Inibido pelas câmaras

Apesar de admitir ter recebido a oferta de bens do Boustani, o ex-conselheiro político de Armando Guebuza não quis entrar em pormenores sobre as alegadas "dificuldades” que estaria a passar. 

"São assuntos de fórum privado. Com imagens e a televisão a transmitir aqui, acho que há coisas de que temos de nos salvaguardar também", argumentou. 

A operação alegadamente combinada entre Matusse e Boustani não significava transferência direta de dinheiro da Privinvest ao conselheiro político. O arguido explicou que, por uma questão de "conveniência", as transferências seriam efetuadas diretamente aos vendedores dos imóveis adquiridos. 

Matusse disse que conheceu Boustani na Presidência da República e viu no empresário libanês "um ativo para penetrar no mundo árabe". O ex-conselheiro de Guebuza negou, entretanto, que tenha assumido o papel de facilitador ou de intermediador dos interesses do grupo Privinvest.

Mosambik Maputo Gerichtsverfahren wegen versteckter Schulden

Efigênio Baptista negou banir imprensa do julgamento

"A relação esfriou"

Matusse contou que, depois do acerto como empresário, a relação com Boustani viria a "esfriar". O juiz Efigénio Baptista interveio para perguntar: 

– Então o senhor Jean Boustani ofereceu a si, não é isso? - questionou o juiz Efigénio Baptista.

– É isso - respondeu o réu.

– 1,6 milhão dólares... E depois a relação esfriou porque ele descobriu que o senhor não era a caixa de correio do Presidente da República? 

– Caixa postal - corrigiu o réu.

– Muito bem.

O réu afirmou também que não participou em nenhuma reunião do projeto de monitoria da zona exclusiva marítima nem na criação da empresa Proíndicus - também associada ao escândalo das dívidas ocultas.

Ainda esta sexta-feira, a defesa voltou a requerer a proibição da captação de imagens e sons pela imprensa durante o julgamento, alegando que os registos colocam em causa a presunção de inocência do réu e o decurso da produção de prova. 

O juiz Efigénio Baptista indeferiu o pedido reiterando que o julgamento é público. Baptista mencionou, entre outros motivos, que estão em causa a autonomia e os fins do Estado. 

Assistir ao vídeo 01:34

Veja imagens da audição de Ndambi Guebuza

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