Especialistas defendem intervenção urgente da SADC e UA em Cabo Delgado | Moçambique | DW | 14.08.2020
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Moçambique

Especialistas defendem intervenção urgente da SADC e UA em Cabo Delgado

Especialistas do Instituto de Estudos de Segurança (ISS), da África do Sul, defendem uma intervenção "urgente" da SADC e da União Africana para travar a insurgência na província de Cabo Delgado.

Mosambik, Macomia: Mucojo village had houses destroyed by armed groups
(Privat)

Aldeia de Mucojo depois de um ataque dos insurgentes

Os investigadores do Instituto de Estudos de Segurança (ISS) na África do Sul, Liesl Louw-Vaudran e Martin Ewi, defendem que "a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) e a União Africana (UA) deveriam ajudar urgentemente Moçambique a travar a insurreição violenta na província de Cabo Delgado e levar ajuda a milhares de pessoas em extrema necessidade".

Os líderes da SADC reúnem-se para a sua 40.ª cimeira anual, na segunda-feira (17.08), altura em que a Tanzânia entregará a presidência rotativa da organização a Moçambique.

Os dois investigadores defendem, por isso, que a violência em Cabo Delgado deve ser "uma prioridade" desta cimeira, depois de não ter sido alcançado qualquer acordo sobre o papel da SADC neste conflito na reunião da 'troika' "política, defesa e segurança" da organização, realizada em maio.

"A próxima cimeira da SADC é uma oportunidade crucial para tomar medidas decisivas para ajudar a pôr fim à crise", reforçaram os investigadores, defendendo que a organização deveria invocar o Pacto de Defesa Mútuo e "implementar a sua estratégia antiterrorista de 2015 para ajudar a combater a insurreição no norte do país e evitar um alastramento para a região". 

Liesl Louw-Vaudran (privat)

Liesl Louw-Vaudran, investigadora do ISS

Envio de missão de averiguação a Cabo Delgado?

"Não se deve esperar que Moçambique enfrente sozinho uma potencial ameaça regional de segurança desta gravidade. Como membro da SADC e da UA, pode recorrer ao apoio regional e continental", sublinharam. 

Os investigadores sugerem, entre outras medidas, o envio de uma missão de averiguação a Cabo Delgado para determinar a extensão da crise e das necessidades humanitárias da população, bem como a nomeação de um enviado especial para coordenar os esforços de assistência ao país.

UA deve mobilizar apoios

Relativamente à União Africana, sustentam a necessidade de inscrever esta crise na agenda mensal do Conselho de Paz e Segurança, bem como o empenho da organização na mobilização de apoio internacional dos parceiros de desenvolvimento e das instituições internacionais.

Liesl Louw-Vaudran e Martin Ewi assinalam que Moçambique é Estado parte de 15 das 19 convenções e protocolos internacionais contra o terrorismo, e da Convenção da UA sobre a Prevenção e Combate ao Terrorismo, instrumentos que preveem a assistência da comunidade internacional.

Deterioração da situação de segurança

Mosambik Flüchtlinge vor Angriffen in Cabo Delgado in Metuge untergebracht (DW/D. Anacleto )

Deslocados internos em Metuge

"A situação de segurança no norte de Moçambique está a deteriorar-se a um ritmo alarmante. Os ataques de extremistas violentos já ceifaram mais de 1.000 vidas e deslocaram 250.000 pessoas desde outubro de 2017. As infraestruturas foram destruídas e os cidadãos privados dos seus meios de subsistência", recordaram.

 De acordo com os peritos do ISS, o número de incidentes violentos na região "aumentou dramaticamente" este ano, forçando as populações a abandonarem as suas casas. 

 "As comunidades são apanhadas entre as pesadas respostas governamentais e os ataques dos insurgentes, alguns dos quais reivindicados pelo Estado Islâmico", adiantam. Para os investigadores, a ação militar do Governo, incluindo o "uso continuado de mercenários", não impediu os ataques e agravou a situação da população civil. 

"Se não for controlada, é provável que a insurreição cresça e se espalhe para os países vizinhos. A segurança humana na região pode deteriorar-se ainda mais, como se viu noutras partes de África, como o Sahel, o Corno de África e a bacia do Lago Chade", advertiram.

Assistir ao vídeo 01:49

Vítimas de ataques em Cabo Delgado em fuga pela vida

 

Leia mais