Em Tete reassentados manifestaram-se contra governo e a Vale | NOTÍCIAS | DW | 11.01.2012

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NOTÍCIAS

Em Tete reassentados manifestaram-se contra governo e a Vale

Em Moçambique os reassentados, no âmbito da implantação da empresa Vale, manifestaram-se na terça-feira (10.01) contra as precárias condições da sua nova área de residência. O governo e a Vale ainda estão silenciosos.

A empresa brasileira Vale opera em Moçambique desde 2008

A empresa brasileira Vale opera em Moçambique desde 2008

Para que a empresa brasileira Vale começasse a explorar o carvão mineral no distrito de Moatize, em Tete, cerca de 700 família que viviam sobre esse mineral tiveram de ser retiradas e reassentadas noutra área.

De acordo com o CIP, Centro de Integridade Pública, uma organização da sociedade civil, a atual zona de residência dessas pessoas dista 40 km da cidade, e não reúne condições para a sua sobrevivência. Falta água, energia eletrica e outros bens básicos. Entretanto, este reassentamento foi feito com o aval do governo moçambicano. A Vale, segundo o CIP, apresentou ao governo dez possíveis lugares onde as popluações poderiam ser reassentadas, e as autoridades escolheram a pior área de todas, segundo o CIP.

A população insatisfeita tem ameçado desde 2009 fazer manifestações e nalgumas situações até se revoltou, mas a polícia repremiu-as. Nesta terça-feira (10.01) os reassentados revoltaram-se de forma mais visível, interrompendo o transporte do carvão por um certo período.

Mas os protestos teriam sido impedidos por forças policiais, segundo a organização de defesa do meio ambiente "Justiça Ambiental", e alguns manifestantes estariam detidos ainda nesta quarta-feira. A Deutsche Welle conversou com Jeremias Vunhanje, coordenador de comunicação da ONG. Ele fala sobre a situação:

Jeremias Vunhanje: De facto houve uma manifestação na madrugada de ontem (10.01), principalmente por falta de cumprimento das promessas que a Vale fez e pelas péssimas condições de vida a que as populações foram sujeitas com o reassentamento. Fundamentalmente as populações reivindicam o acesso à água, à terra, que alguma dela é imprópria, às casas com infiltração de água devido ao mau estado em que se encontram... O governo reagiu com muita lentidão e não levou muito a sério as preocupações da comunidade. Nos finais de 2011 a população teria enviado uma carta ao governo moçambicano e a Vale alertando para a resolução urgente dos problemas e caso não fossem resolvidos a população faria uma manifestação a 10 de Janeiro, que foi esta terça-feira. Sabemos que a reação do governo foi com recurso à polícia, há relatos de algumas detenções.

DW: E como fica a situação a partir de agora?

JV: Há muitas organizações da sociedade civil que estão indignadas com a forma como o governo moçambicano está a lidar com este assunto. Todo o mundo reconhece que as populações vivem em condições péssimas.

DW: Qual é a previsão para a libertação dos manifestantes detidos?

JV: Não se sabe ainda... falamos com o comandante da polícia de Moatize. Sabe-se que uma parte dos manifestantes foi libertada mas alguns ainda continuam detidos, pelo menos até ao meio-dia desta quarta-feira (11.01). Algumas organizações da sociedade civil já estão lá a tentar averiguar em que ciscunstâncias os reassentados foram detidos e feridos.

DW: E a Vale já se manifestou quanto ao facto?

JV: Pelo menos até ao meio-dia desta quarta-feira (11.01) não, e muito menos foi ao local da manifestação. Sabe-se que a Vale muitas vezes opta por esse silêncio estratégico como forma de fazer com que os assuntos prevaleçam e nada seja resolvido.

DW: E o que os manifestantes fizeram para serem detidos?

JV: Fizeram barricadas junto da estrada e da linha férrea impedindo a circulação de viaturas e do próprio comboio.

DW: E o governo já deu algum prazo para responder às exigências dos manifestantes?

JV: Pelo menos até meio-dia de hoje (11.01) não se tinha pronunciado oficialmente. Nós fizemos contactos com as autoridades locais, que disseram que estão a trabalhar e ainda não podiam vançar mais dados. E o que se sabe até agora é que ainda não há um pronunciamento oficial, tanto do governo de Moçambique como da Vale, em relação à resolução dos problemas.

A Deutsche Welle entrou em contato com a Vale Moçambique, que não se quis pronunciar oficialmente. A justificativa foi que o intermediário entre o grupo de reassentados e a Vale é o governo e que é este quem deve falar. De acordo com a gerente de comunicação em Maputo, Açucena Paul, um acordo junto do governo de Tete prevê como único porta-voz do caso o governo, e não a Vale. Segundo a assessora, ainda nesta terça-feira (10.01), houve um encontro entre a Vale, a comunidade e o administrador de Moatize.

Autora: Bettina Riffel
Edição: Nádia Issufo/António Rocha

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