Eleições em Moçambique: Candidato presidencial do AMUSI cancela campanha | Moçambique | DW | 02.10.2019

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Província a província

Eleições em Moçambique: Candidato presidencial do AMUSI cancela campanha

Em Cabo Delgado candidato presidencial às eleições de outubro pela Ação do Movimento Unido de Salvação Integral cancela sua campanha, alegando falta de proteção policial face à violência que assola a província desde 2017

Mosambik Parteien Kampagnen Wahlen

Campanha eleitoral da AMUSI (Nampula)

Sem polícia para o escoltar, numa província com focos de violência armada, o líder da Ação do Movimento Unido para a Salvação Integral (AMUSI) optou por cancelar, na passada sexta-feira (04.10) o seu périplo pela província moçambicana de Cabo Delgado.

Em entrevista à DW África, Mário Albino Muquissinse conta que a equipa policial que escoltava a caravana do seu partido no distrito de Erate, na província de Nampula, deveria tê-lo acompanhado na passada sexta-feira (04.10) até ao distrito vizinho de Chiure, ponto de entrada na província de Cabo Delgado. Mas acabou por interromper a viagem, alegando uma avaria na viatura. Por isso, a caravana do candidato do AMUSI teve de ir sem proteção policial até Chiure.

"Interagimos com o Comando distrital de Erate que era para nos acompanhar ao distrito de Chiure para começar com Cabo Delgado... só que surpreendentemente disseram que não tinham transporte e não garantiam acompanhar [a nossa caravana] e que se pudéssemos continuar com a viagem teríamos escolta do distrito de Chiure. Fomos sem escolta até Chiure e quando ligamos para eles disseram que não estavam disponíveis porque não tinham viatura."

"Candidato sem paciência"

A polícia em Nampula confirma a avaria do carro de escolta, mas diz que pouco depois disponibilizou outro veículo para prosseguir viagem. Zacarias Nacute é o porta-voz do Comando Provincial da Polícia de Nampula e afirma que "o que aconteceu é que logo de imediato foi requisitada uma outra viatura para fazer cobertura da escolta porque a viatura que estava a fazer escolta no momento não teve condição de continuar a viagem. Provavelmente o candidato não teve paciência de esperar e acabou por adiantar antes da viatura chegar." 

Segundo Mário Albino Muquissinse, este não é o primeiro incidente do seu partido relacionado com falta de proteção policial. O candidato lembra que também no distrito de Malema, em Nampula, a polícia local terá alegado uma avaria na viatura para não escoltar a caravana do Movimento Unido de Salvação Integral. Para o candidato, estes incidentes representam uma ameaça à democracia. 

"É uma questão de não separação de poderes. Não é por incompetência da própria PRM, há uma mão política que cria esses obstáculos todos, mas nós estamos a avançar. Portanto, a interpretação é que, de facto, a democracia em Moçambique está ameaçada."

Ouvir o áudio 03:11

Eleições em Moçambique: Candidato presidencial do AMUSI cancela campanha

RENAMO dá nota positiva

Ao contrário do AMUSI, a RENAMO, o maior partido da oposição em Moçambique, dá nota positiva à atuação da polícia durante a campanha eleitoral. Alberto Kavandame é o porta-voz do partido em Cabo Delgado e diz que "neste preciso momento a polícia está a assumir a sua parte e é isto que nós como a RENAMO queremos: que seja Polícia da República de Moçambique e ela esta assumir a sua parte que é de louvar."

A falta de divulgação da campanha do AMUSI pelos meios de comunicação social é outro problema que Mário Albino lamenta.

"A candidatura [para a presidência] da República quem defende não é apenas o candidato. Em todas as províncias estamos a fazer campanha apesar de termos um outro problema: os órgãos de comunicação social sobretudo as televisões não divulgam as nossas mensagens." 

Uma crítica partilhada pela RENAMO. "Na cobertura dos eventos é normal a Televisão de Moçambique dizer que a RENAMO não saiu a rua, a RENAMO não forneceu a sua agenda de campanha. A verdade é que isto muitas das vezes não constitui verdade."

A FRELIMO também tem feito campanha em Cabo Delgado. Desde segunda-feira (30.09.), está na província o secretário-geral do partido no poder, Roque Silva.

 

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