Djam Neguin: Combater o racismo através da música | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 06.06.2022

Conheça a nova DW

Dê uma vista de olhos exclusiva à versão beta da nova página da DW. Com a sua opinião pode ajudar-nos a melhorar ainda mais a oferta da DW.

  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Internacional

Djam Neguin: Combater o racismo através da música

"Badiu Branku", o novo single de Djam Neguin, é uma espécie de manifesto contra o racismo. Depois de Lisboa, o músico cabo-verdiano planeia apresentar o seu novo trabalho em Cabo Verde.

Djam Neguin apresentou, no sábado (04.06), o seu novo single  Badiu Branku, em Porutgal

Djam Neguin apresentou, no sábado (04.06), o seu novo single  "Badiu Branku", em Porutgal

Djam Neguin apresentou, no sábado (04.06), o seu novo single  "Badiu Branku" na Cova da Moura, bairro do concelho da Amadora, na periferia de Lisboa (Portugal), maioritariamente habitado por imigrantes africanos e afrodescendentes. 

Crítico do que chama de "colorismo", o músico cabo-verdiano transdisciplinar, agora radicado em Portugal, diz que pela cor da sua pele continua a ser vítima deste fenómeno também em Cabo Verde.

Na Cova da Moura, num diálogo aberto ao ar livre, realizado em parceria com a Associação Bazofo Dentu Zona, Djam Neguin denunciou a problemática do racismo através da sua música.

"O artista é um reflexo dos tempos. Deve ou pode ser. Nós estamos num tempo em que precisamos de acelerar. [Para] o desenvolvimento da humanidade e, [devido] a todo este colapso que estamos a viver, precisamos de artes engajadas em resolver problemas sociais. E quem vai resolver os nossos problemas enquanto negros, enquanto pretos, se não formos nós a ter esses assuntos em pauta e disputar mediaticamente também por estas questões que precisam de ser resolvidas?", começou por questionar. 

Portugal Djam Neguin veröffentlicht neue Single Badiu Branku

Djam Neguin durante diálogo com o público no bairro da Cova da Moura, em Lisboa

Esta é uma causa pela qual Djam Neguin decidiu bater-se, através da sua arte, depois da pausa imposta pelo surto da pandemia da Covid-19. Toma como ponto de partida o seu caso. O cantor diz-se vítima do que chama de "colorismo", "que é distinguir diferentes tratamentos consoante a tua tonalidade de pele", explica.

"Na comunidade negra eu sou branco porque o meu fenótipo não é mais escuro. Mas para os brancos eu sou preto e, então, não sou aceite em nenhuma parte. E aí nós vamos discutir o que é ser preto. O que é ser negro. Tem a ver com o tom de pele ou tem a ver com a cultura, com a tua ancestralidade?", questiona.

Esta é uma problemática que também se põe mesmo em Cabo Verde porque, segundo explicou, "badiu" é o natural da ilha de Santiago. "O 'badiu branku' seria eu porque não posso ser 'badiu', de acordo com essa leitura a partir do fenótipo, a partir da tonalidade da pele. Não, eu sou 'badiu' e sou preto".

Racismo em Portugal

Muitos dos jovens do bairro da Cova da Moura são vítimas de racismo ainda notório na sociedade portuguesa. Quem o admite é Vítor Sanches, do projeto Bazofo, que frisa a importância de falar sobre o tema.

Portugal Djam Neguin veröffentlicht neue Single Badiu Branku

Vítor Sanches, responsável da Associação Bazofo Dentu Zona

"Obviamente, quanto mais falarmos melhor. São temas com os quais as pessoas ficam muito desconfortáveis. É uma cena que tem que ser desconstruída, mas é uma desconstrução constante. Então, acho que estas iniciativas são mesmo muito importantes. É importante estar num espaço como "Dentu Zona" para as pessoas partilharem as suas ideias sobre o trabalho dele".

Vitor Sanches aplaude o diálogo com os moradores e sugere que a iniciativa seja levada para outros bairros onde vivem africanos e afrodescendentes vítimas de discriminação racial.

O músico já tem prevista a apresentação do seu novo trabalho em Cabo Verde, onde também pensa promover debates do género sobre racismo e colorismo.

Jovem criativo de convicções fortes, o artista adianta que, passo a passo, depois de "Ka bu skeci tradison", tem em vista um EP com diversos temas, a sair provavelmente no final deste ano.

Djam Neguin acredita que a música pode ser um instrumento de educação anti-racista: "porque quando estás a ouvir uma letra que fala sobre um determinado assunto podes prestar atenção e refletir sobre isso; podes vir parar a uma entrevista e falar sobre isso, podes ocupar espaços onde a tua música se torna um motivo de conversa e essa conversa pode gerar mudanças. Eu acredito nisso", conclui.

"Europa Oxalá": Descolonizar as artes

Leia mais