Distanciamento social é ″miragem″ nos mercados de Xai-Xai em Mocambique | Moçambique | DW | 21.05.2020
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Moçambique

Distanciamento social é "miragem" nos mercados de Xai-Xai em Mocambique

Nos dois maiores mercados de Xai-Xai, no sul de Mocambique, muitos não respeitam o distanciamento social e o uso obrigatório de máscaras de proteção contra a Covid-19.

No mercado grossista de Xai-Xai, capital da província de Gaza no sul de Mocambique, as condições são precárias. Os vendedores estão de "qualquer maneira", vendem num local lamacento, onde a higiene dos produtos à venda não está garantida. E, com a pandemia de Covid-19, a situação pode agravar-se, já que os vendedores e compradores não cumprem as medidas preventivas.

Neste mercado, é ainda uma miragem o distanciamento social de um metro e meio e o uso da máscara a tempo inteiro, com a boca e o nariz cobertos.

A compradora Celeste diz que não usa a máscara porque lhe faz aflição, mas critica a falta de distanciamento físico.

"Não está nada boa a situação porque pelo menos deveria haver um distanciamento social. Como estou constipada, [a máscara] estava a me sufocar, por isso é que tirei por um instante", justifica.

Isaldo, um outro cliente, mas protegido com a máscara, diz que além da falta de distanciamento, também não há água e sabão para higienizar as mãos.

"Nesta fila, não há distanciamento e não há aquelas condições, até a própria água para lavar as mãos. Muitas pessoas não têm máscaras. Não acho nada bom," reclama.

Pelo menos mil pessoas passam diariamente por este mercado, apesar da limitação da circulação imposta pelo estado de emergência no país. E, num futuro próximo, pode constituir um foco de contaminação da doença.

Mosambik | Coronavirus | Xai-Xai | Markt (DW/C. A. Matsinhe)

Nem todos passam pelo túnel de desinfeção

Túnel de desinfeção

À semelhança do que acontece no mercado Limpopo, o maior da cidade, que movimenta por dia cerca de dois mil clientes, alguns passam pelo local sem máscaras faciais. E, mesmo com um túnel instalado na semana passada, muitos compradores não passam por ele para a desinfeção necessária. Albertina é exemplo disso e promete passar pelo túnel na próxima vez.

"Vi aí. Foi uma falha e da próxima hei de passar dali," justifica.

E a edilidade mostra-se incapaz de travar a violação das medidas preventivas. Mesmo assim, Ancha Matusse, vereadora da Ação Social, diz que equipas multissectoriais sensibilizam os vendedores em todos os mercados da cidade.

"Esta realidade é uma preocupação. Estamos todos os dias a sensibilizar que temos que usar máscaras, mas infelizmente continuamos a assistir pessoas que não respeitam, não usam máscaras. Sobretudo aqueles que vêm de fora para fazer compras," lamenta.

Mosambik | Coronavirus | Xai-Xai | Markt (DW/C. A. Matsinhe)

Mercado em Xai-Xai

Autoridades apoiam sem efeito

O vereador esclarece que está a trabalhar com as autoridades. "Eles têm estado a apoiar. Só que [as pessoas] querem pôr [a máscara] naquele momento em que vem a polícia, o pessoal da saúde ou do município [a chegar]. Então, fica difícil", avalia Matusse.

Com mais de cento e cinquenta mil habitantes, a cidade de Xai-Xai já instalou três túneis de desinfeção. Dois em igual número de mercados e o restante no terminal de transporte de passageiros.

Três pessoas que testaram positivo para a Covid-19 em Maputo estão em quarentena domiciliária na província de Gaza: um caso na cidade de Xai-Xai e os outros dois nos distritos de Limpopo e Chókwe.

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