Dirigente da RENAMO detido após ataques que causaram vítimas | MEDIATECA | DW | 21.06.2013

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MEDIATECA

Dirigente da RENAMO detido após ataques que causaram vítimas

Pelo menos duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas em dois ataques, alegadamente da RENAMO, esta sexta-feira (21.06), a veículos que circulavam na província de Sofala. A polícia deteve Jerónimo Malagueta da RENAMO.

Ouvir o áudio 03:29

Homens armados, aparentemente da RENAMO, atacaram um autocarro de passageiros e dois camiões que circulavam no troço entre o Rio Save e a região de Muxúngué, nos distritos de Chibabava e Machanga, na província central de Sofala. Todas as vítimas são civis.
Os ataques ocorreram menos de 48 horas após a RENAMO (Resistência Nacional Moçambicana), a principal força da oposição, ter impedido a circulação de pessoas e bens naquele troço, alegadamente para alargar o perímetro de segurança do presidente do partido, Afonso Dhlakama.

Tânia Jeremias Machungo viajava num camião que foi alvo dos atacantes, cerca das 05:00 locais, na região de Muxúngué, província de Sofala.

Tânia Jeremias Machungo descreveu o que aconteceu: "os tiros acertaram o motorista na cara. O carro perdeu a direção e foi bater numa árvore. Continuaram a disparar. Comecei a correr e a rastejar e disseram: espera aí! Andei, cheguei a um sítio e fingi que estava morta. Chegou outro e chutou-me. Seguiram a minha irmã, deixaram sair criança, e tentaram apertar o gatilho. Ela disse: não, estou a pedir por favor não me matem, poupem a minha vida! Eles deixaram-na. Eles disseram: vocês têm sorte. Então quando estávamos a sair, mandaram outros tirar a gasolina do carro para o queimar".

RENAMO em silêncio

Na sequência dos ataques, o trânsito na estrada que liga o sul ao norte do país esteve interrompido durante várias horas, no troço entre o Rio Save e a região de Muxúngué. E só foi retomado em colunas com a proteção militar e da polícia.

O governo atribuiu a autoria dos ataques à RENAMO. Mas tanto o porta-voz Fernando Mazanga, contactado pela DW África, como o membro do Conselho Nacional da RENAMO Rahil Khan, em conferência de imprensa, escusaram-se a falar sobre o assunto.

Polícia detem dirigente da RENAMO

No entanto, o porta-voz da polícia Pedro Cossa já veio a público associar os ataques ocorridos às ameaças lançadas pela RENAMO. De lembrar que a RENAMO ameaçou, na quarta-feira (19.06) impedir a circulação rodoviária na estrada N1, no troço Muxúngué-Save, e na Linha Férrea de Sena.
Segundo Pedro Cossa "Jerónimo Malagueta foi detido na sequência do comunicado, lido por ele, que aponta para a consumação dos atos que já pela manhã de hoje (21.06) o país e o mundo estão a assistir".
Horas depois dos ataques, a polícia deteve Jerónimo Malagueta, chefe do Departamento de Informação da RENAMO, que anunciou o bloqueio à circulação. Jerónimo Malagueta foi comandante na guerrilha da RENAMO contra o governo da FRELIMO e, depois dos acordos de paz de 1992, integrou o exército unificado.

Declaração de guerra

Na opinião do analista político Tomás Vieira Mário "o brigadeiro Malagueta pode estar indiciado do crime de incitamento à violência para a alteração da ordem pública.
A declaração feita pelo senhor Malagueta é declaração de guerra claramente. E portanto, nesses termos a lei terá que prevalecer, sem descurar que há um debate político paralelo em curso".

Tomás Vieira Mário não acredita que o país esteja perante uma guerra. O analista considera que a RENAMO, com os seus últimos posicionamentos, pretende pressionar o governo para que haja mais progressos no quadro do diálogo que decorre entre as duas partes.

Aliás, Rahil Khan, membro do Conselho Nacional da RENAMO, garantiu, esta sexta-feira (21.06), que as negociações com o governo vão prosseguir: "com certeza as negociações não estão em causa".

Questionado pela DW África se admitia que a RENAMO corre o risco de ser ilegalizada, o analista politico Tomás Vieira Mário comenta: "se a RENAMO efetivamente prosseguir pela linha de combates militares, obviamente que se torna um partido ilegal porque viola a Constituição da República".
"A RENAMO não pode estar no mato a fazer guerra ao mesmo tempo que está no Parlamento a discutir, no quadro do mesmo estado em que estaria a combater com armas na mão. É uma incongruência", diz o analista.

A tensão política em Moçambique voltou a subir de tom na sequência dos ataques desta sexta-feira (21.06). O partido no poder, FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), programa já para este fim de semana manifestações de repúdio contra a RENAMO em várias cidades.