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Descalabro nas contas da Rio Tinto causa consternação em Moçambique

Issufo, Nádia Adamo
23 de janeiro de 2013

A multinacional mineira Rio Tinto anunciou grandes perdas na exploração de carvão mineral em Moçambique. O Governo não aceita sem investigação alegações de uma baixa qualidade das reservas.

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Na última semana, a empresa anglo-australiana, Rio Tinto, anunciou perdas equivalentes a 10,5 mil milhões de euros, das quais 2,250 mil milhões se ficaram a dever à extração de carvão em Moçambique. Na sua mais recente avaliação, a segunda maior empresa mineira do mundo constatou que o volume das reservas se quedou abaixo das expectativas, e com mais carvão térmico do que o coque, de maior valor. Outro constrangimento apontado pela empresa é a falta de infraestruturas para o escoamento do carvão.

Reagindo a este anúncio o governo moçambicano, o Governo moçambicano diz que espera agora pelos resultados que confirmem a baixa de qualidade das reservas. O diretor nacional adjunto de minas, Obed Matine, diz que as autoridades procuram pelas razões "de facto" desta situação. "Estamos à espera do relatório final, e nessa altura vamos fazer a nossa própria avaliação".

O problema da falta de infraestruturas

Devido a ausência de infraestruturas, a Rio Tinto prevê que o retorno dos investimentos também chegue mais tarde do que esperado. Mas o economista moçambicano, Ragendra de Sousa considera que, apesar de tudo, ainda não está nada perdido para a multinacional. "Mesmo que a reserva não seja aquela que é, há o aspeto de tempo. Isso quer dizer que, originalmente, estava previsto um investimento x para uma exploração de um tempo y, baixando a reserva, baixa também o investimento. Do ponto de vista económico há mecanismos para ajustar esses valores", afirma.

A Rio Tinto considerou a exportação do carvão via o Rio Zambeze. Mas estudos de impacto ambiental rejeitam esta solução. A criação de infraestruturas é de responsabilidade do Governo, embora o seu desenvolvimento possa passar por parcerias público-privadas, segundo Obed Matine. No que respeita às suas responsabilidades, o Governo agora diz que se está a esforçar para cumprir com a sua parte: "O que nós estamos a fazer como Governo moçambicano é encontrar soluções para que os empreendimentos que são feitos na área mineira tenham retornos, criando infraestruturas logísticas para a exportação de carvão. Obed Matine avança que já há "várias linhas desenhadas para esse efeito".

Rio Tinto delibera venda de investimentos em Moçambique

Enquanto isso, a segunda maior empresa mineira mundial poderá vender a sua operação na mina de Benga, em Moçambique, segundo a agência de notícias portuguesa, Lusa, que cita o diário britânico, Financial Times. A Rio Tinto poderá ainda, em alternativa, aliar-se a mineiras rivais que operam em Tete, como a brasileira Vale, no âmbito da construção e utilização conjunta de infraestruturas ferroviárias. O jornal, citando fontes não identificadas, refere também a possibilidade de venda parcial da unidade moçambicana do grupo. Mas de uma forma geral, a notícia do descalabro das contas da Rio Tinto, também por causa dos investimentos moçambicanos, chocou os economistas daquele país. É o caso deRagendra da Sousa, que diz não encontrar motivo plausível para a situação, "não é compreensível como a Rio Tinto entra numa operação com a Riversdale, com base numa reserva calculada por essa empresa, sem avaliação independente".

Segundo o economista, trata-se não apenas de salvaguardar a Rio Tinto. A própria Bolsa de Valores, para aceitar esta reserva, "tem que ter garantias". Mesmo que não seja uma avaliação exata, remata o especialista, "ela não pode ficar muito longe da realidade".

Autora: Nádia Issufo
Edição: Cristina Krippahl/Helena Ferro de Gouveia