Crise de medicamentos superada em Moçambique, diz governo | Moçambique | DW | 12.04.2012
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Moçambique

Crise de medicamentos superada em Moçambique, diz governo

O Ministério da Saúde garante que já está ultrapassada a crise de medicamentos que se verificava desde 2011, principalmente dos antiretrovirais e antimaláricos. Mas alerta para a necessidade de mais controlo no sector.

Segundo o governo moçambicano, a crise dos medicamentos está ultrapassada

Segundo o governo moçambicano, a crise dos medicamentos está ultrapassada

No ano anterior, os doadores internacionais condicionaram o desembolso do seu apoio a uma auditoria às contas da saúde do país referentes ao ano de 2010. Em janeiro deste ano, o executivo moçambicano negociou com os seus parceiros para a doação dos fármacos, que depois decidiram avançar com a ajuda mas não na totalidade.

A representante dos doadores, Naima Lima, justificou o facto, considerando que há uma redução do Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária que pode comprometer a disponibilidade dos medicamentos, principalmente no fim deste ano e em 2013. Segundo Naima Lima, sente-se um clima de “preocupação”, “principalmente também com as últimas notícias do Fundo Global que mostram que há uma redução grave dos fundos. Isso preocupa-nos não só para agora mas também para o futuro”, admite.

HIV / Aids 2010 Solidarität

Redução de ajuda do Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária pode comprometer a disponibilidade de medicamentos

Por seu turno, a sociedade civil moçambicana apelou a comunidade internacional para que ajude a resolver este problema de uma só vez. O seu representante Rui Sábado afirma que “o que nós, como sociedade civil, queremos apelar é que mesmo com esta crise, que está a acontecer nos países, [a comunidade internacional] procure realmente dar um pouco a sua mão e que não nos deixe de lado”, refere.

Apertar a vigilância

O ministro da Saúde, Alexandre Manguele, alertou sobre a necessidade de melhorar a gestão do sistema atual de medicamentos, pois afirma que é necessário “estabilizar a gestão dos medicamentos e consumíveis. Precisamos passar de uma gestão de emergência para uma gestão planificada e controlada a diversos níveis”, adianta.

Alexandre Manguele apelou ao maior controlo de medicamentos que têm estado a desaparecer dos armazéns para abastecer o mercado informal: “quando os medicamentos são roubados e colocados nos mercados informais, e nós todos vemos e as televisões mostram-nos, é porque este roubo compensa aos que roubam".

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Há necessidade de maior controlo de medicamentos, pois têm sido desviados dos circuitos legais

O ministro da Saúde apela, por isso, a que os cidadãos rompam com este ciclo, advogando que "se nós moçambicanos não comprarmos esses medicamentos que estão naqueles lugares, mal acondicionados, expostos ao sol e à chuva, e que muitas vezes já não são medicamentos, são veneno, já não servem ali e nem nos hospitais, se todos quisermos podemos acabar com isso”, disse Alexandre Manguele.

Muito recentemente, na província central de Manica sete pessoas foram detidas em conexão com o roubo de medicamentos nos hospitais daquela província. Segundo o director provincial de saúde, Juvenaldo Amós, “se formos ver a maior parte destes frascos com medicamentos pertencentes ao Serviço Nacional de Saúde, foi desviada do circuito normal de abastecimento aos doentes".
E por isso, Juvenaldo Amós apela à denúncia dos cidadãos: “há toda uma necessidade de os visados denunciarem os indivíduos que estão a tirar o medicamento do circuito de distribuição”.

Sobre a crise de medicamentos, um comunicado da embaixada dos Estados Unidos da América em Maputo indica que qualquer solução viável de longo prazo para o problema em Moçambique terá de envolver a combinação de fontes de financiamento. Fontes que deverão provir do próprio governo moçambicano, dos EUA e de outros países doadores bem como do Fundo Global de Combate à Sida, Tuberculose e Malária para garantir que os fundos necessários estejam disponíveis.

Autor: Romeu da Silva (Maputo)
Edição: Glória Sousa / António Rocha

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