Crise afasta africanos e outros imigrantes de Portugal | Cabo Verde | DW | 27.12.2012
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Cabo Verde

Crise afasta africanos e outros imigrantes de Portugal

A atual conjuntura de crise em Portugal tem levado muitos imigrantes, sobretudo jovens qualificados, a deixarem o país. São muito poucos os que chegam, refere um estudo feito por especialistas da Universidade de Lisboa.

Crise afasta africanos

Crise afasta africanos

De acordo com os autores do estudo, que faz um diagnóstico geral da população imigrante em Portugal, os desafios de integração e potencialidades. a política de integração deve ser pensada neste novo contexto, face a riscos maiores de tensões sociais entre a comunidade residente e a comunidade de imigrantes devido à escassez de recursos.

Segundo Jorge Malheiros, coordenador da equipa da Universidade de Lisboa que produziu o referido trabalho, nos últimos 20 anos, “a política de integração portuguesa evoluiu muito”. Além de ter sido feito “um esforço muito grande, do ponto de vista formal, na legislação”, também do ponto de vista efetivo houve mudanças, nomeadamente criando “políticas relativamente à interculturalidade que, de alguma forma, ajudam a perceber porque é que 90% das pessoas diz sentir-se integrada ou muito integrada”, explica o investigador.

Chegam cada vez menos imigrantes a Portugal (na foto, a capital portuguesa, Lisboa)

Chegam cada vez menos imigrantes a Portugal (na foto, a capital portuguesa, Lisboa)

Imigração para Portugal baixou em 2009

O estudo demonstra, entre outros aspetos, que a partir de 2009 a imigração para Portugal sofreu uma redução significativa. O número de entradas é menor. Cerca de 20% de imigrantes, sobretudo os mais jovens e mais qualificados, terão deixado o país à procura de outro destino e outras oportunidades de emprego; outra parte quer regressar ao país de origem, em qualquer um dos casos devido à recessão económica e crise social portuguesa.

Ainda assim, os desafios de integração não cessaram, mais orientados para os descendentes de imigrantes. Rosário Farmhouse, Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI), considera que o estudo ajuda a sinalizar os aspetos a melhorar perante um problema que é complexo.

Também o secretário de Estado adjunto dos Assuntos Parlamentares, Feliciano Duarte, defende que a “a imigração não é um problema para Portugal”. Antes pelo contrário, sublinha, “é uma oportunidade e uma prioridade.”

No entanto, em 2013, a crise em Portugal vai condicionar ainda mais a implementação das políticas de integração, podendo acentuar o risco de maior discriminação, dizem os autores do estudo.

A chamada segunda geração de imigrantes ainda enfrenta problemas de integração

A chamada segunda geração de imigrantes ainda enfrenta problemas de integração

Cabo-verdianos queixam-se de “hostilidades”

Filomena, uma cabo-verdiana que vive há vários anos em Portugal, já experimentou vários empregos. Hoje, sem trabalho, afirma que não se sente integrada, porque como cidadã não consegue exercer o seu direito a um emprego justo e compatível com a sua formação. É um problema que também se coloca à chamada segunda geração de imigrantes.

Não muito diferente de Filomena é a situação de Felismina Mendes. “Sou feliz aqui. Estou bem e sinto-me integrada, mas poderia estar melhor se não houvesse tantas hostilidades. Ainda hoje sofremos discriminações, sentimos hostilidades”, confessa a dirigente da Associação Caboverdiana de Setúbal.

Segundo Felismina Mendes, na região a integração plena ainda é uma miragem. “Nós que estamos no terreno sabemos que ainda há muita coisa a ser feita. O contexto social português não permite que avancemos a passos largos e com acesso a tudo aquilo a que temos direito, inclusive em Setúbal, onde o desemprego é elevado”, refere.

Por outro lado, a dirigente também destaca os casos de sucesso. Apesar da conjuntura, entende que Portugal deve prosseguir, entre os desafios, a aposta na integração plena baseada num programa estruturante de longo prazo.

Autor: João Carlos (Lisboa)
Edição: Madalena Sampaio/António Rocha

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