Covid-19: Situação agrava-se na África do Sul | NOTÍCIAS | DW | 10.07.2020
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NOTÍCIAS

Covid-19: Situação agrava-se na África do Sul

O país registou um novo recorde diário de casos, um terço dos quais concentrados em Gauteng. Hospitais da província podem sofrer escassez de oxigénio e de camas nos próximos dias.

Responsável por cerca de 40% dos casos de Covid-19 do continente africano, a África do Sul continua a ser de longe o país mais afetado pela Covid-19 em toda a África,  o quinto com mais casos ativos no mundo e o quarto na lista dos países com maior número de novas infeções por dia.

Esta sexta-feira (10.07), registou um novo recorde diário de casos confirmados, 13.674. Desde o mês de junho que o país registava cerca de 10.000 novas infeções diárias. O total de casos acumulados registados subiu agora para 238.339.

Mais de um terço dos casos estão concentrados na província de Gauteng, onde se situam as cidades de Joanesburgo e a capital, Pretória. A região sul-africana já é considerada o novo foco da pandemia de Covid-19 no continente, destronando a Cidade do Cabo (sudoeste), o anterior foco.

Mais de 1,5 milhões de sepulturas vão ser abertas em Gauteng devido à propagação descontrolada do novo coronavírus, anunciou na quarta-feira (08.07) o chefe provincial de saúde, Bandile Masuku, preparando-se para enterros em massa.

Embora as autoridades estejam a preparar-se para os piores cenários, a boa notícia é que, por enquanto, as taxas de mortalidade e hospitalização na África do Sul continuam baixas. Contudo, os hospitais da província de Gauteng estão a registar falta de oxigénio e à beira de esgotar a capacidade de camas.

Escassez de oxigénio

Guy Richards, diretor dos cuidados clínicos no Hospital Charlotte Maxeke, em Joanesburgo, disse à agência de notícias Associated Press que estão extremamente preocupados com a potencial escassez de oxigénio nos próximos dias.

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"Um grande hospital como o nosso tem dificuldade em fornecer quantidades suficientes de oxigenação aos nossos doentes. O mesmo está a acontecer no hospital Helen Joseph e isto é um grande problema", disse.

O ministro da Saúde, Zweli Mkhize, que hoje visitou o Hospital Distrital de Tshwane, assegurou que as autoridades estão a trabalhar com a indústria para resolver o problema de fornecimento de oxigénio aos hospitais.

"Atualmente estamos sobrecarregados, mas ainda estamos a conseguir" disse Veronica Ueckermann, chefe da equipa de resposta à Covid-19 no Hospital Académico Steve Biko, que inclui o Hospital Distrital de Tshwane.

Hospitais sobrecarregados

Em pleno inverno no hemisfério sul, com a previsão de uma frente fria que poderá fazer baixar as temperaturas abaixo de zero durante o fim de semana, vários doentes são mantidos em tendas aquecidas no parque de estacionamento do hospital.

"A tempestade de que temos constantemente avisado os sul-africanos está agora a chegar", alertou Mkhize.

As autoridades estimam que as camas dos hospitais em todas as províncias possam estar cheias dentro de um mês.

O ministro da Saúde disse estar a procurar 2.000 camas adicionais para montar hospitais de campanha em Gauteng.

Uma enfermeira no Hospital Chris Hani Baragwanath, o terceiro maior hospital do mundo com mais de 3.000 camas, adiantou que os pacientes com o novo coronavírus estão agora a ser admitidos em enfermarias normais, uma vez que as destinadas a doentes com Covid-19 estão cheias.

"O nosso hospital já está sobrecarregado. Houve um afluxo de pacientes nas últimas duas semanas", disse a enfermeira, citada pela Associated Press sob condição de anonimato, por não ter autorização para dar entrevistas.

"Cada vez mais colegas no hospital testam positivo diariamente", disse, acrescentando que isso acontece "mesmo com pessoas que não estão a trabalhar nas enfermarias da Covid-19".

No continente africano há mais de 8.000 trabalhadores da saúde infetados com o novo coronavírus, metade dos quais na África do Sul.

Concentradores de oxigénio nos privados

No hospital de campanha do Nasrec Expo Center em Joanesburgo, nenhuma das 450 camas tem oxigénio. A afirmação é de Lynne Wilkinson, uma especialista em saúde pública que faz parte de um grupo de voluntários que está a pedir 100 concentradores de oxigénio. A pureza e o volume de oxigénio são mais baixos nos dispositivos portáteis e geralmente temporários.

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A sua aquisição é um problema porque são comprados pelo setor privado, mesmo por particulares, disse Lynne Wilkinson à AP: "Eles mantêm-nos em casa".

Oitocentas novas camas serão construídas no hospital de campanha, e a ministra da saúde na sexta-feira disse que as instalações receberiam 1.000 "pontos de oxigénio". Mas isso vai levar semanas, disse Wilkinson.

Embora haja uma camaradagem incrível entre os trabalhadores voluntários da saúde, "os pacientes estão assustados, muito, muito assustados", disse ela. "Se não se consegue respirar e não se tem a certeza se se consegue obter oxigénio, é uma situação muito provocadora de ansiedade''.

Economia reabre com recorde de casos

O aumento do número de casos na África do Sul surge à medida que o país está a afrouxar as medidas de confinamento, com os restaurantes a funcionar em pleno e as concentrações religiosas a serem retomadas.

"A economia estava a sofrer e precisava de ser reaberta", defendem as autoridades, mas os funcionários da província de Gauteng apelam para medidas mais rigorosas de proteção para regressarem ao trabalho.

O presidente do governo de Gauteng, David Makhura, anunciou esta sexta-feira (10.07) que testou positivo para o novo coronavírus e que tem sintomas ligeiros da doença. "Devemos duplicar os nossos esforços", disse, exortando as pessoas a usarem máscaras, a lavarem as mãos e a manterem o distanciamento.

Na África do Sul, os picos de pandemia são esperados em agosto.

Em África, há 12.443 mortos confirmados em mais quase 541 mil infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A pandemia de covid-19 já provocou 555 mil mortos e infetou mais de 12,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.