Covid-19: Angola protege-se do novo coronavírus | Angola | DW | 23.03.2020
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Angola

Covid-19: Angola protege-se do novo coronavírus

Angola confirma o terceiro caso de infeção com o novo coronavírus. Governo desdobra-se em medidas para conter a propagação. Ensino vai parar durante 15 dias. Mas Presidente continua a ser criticado por ter saído do país.

São várias as medidas tomadas pelas autoridades angolanas para tentar travar a propagação do novo coronavírus. Todos os voos foram suspensos durante 15 dias, as fronteiras marítimas e terrestres também foram fechadas, e as aulas nas escolas e universidades ficam suspensas a partir de terça-feira (24.03). 

Para o analista angolano Agostinho Sicatu, estas são medidas "razoáveis".

"O Governo tem um plano, o plano nacional de contingência, e ainda está nos primeiros passos deste plano. Até agora, a posição do Governo não é de alarmismo e isso é que é o mais importante", avalia Sicatu.

Angola anunciou esta segunda-feira o terceiro caso de infeção com o novo coronavírus. Há atualmente 463 pessoas que regressaram ao país e estão em quarentena institucional, segundo a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

Coronavirus-Quarantänestation Angola

Centro de quarentena de Calumbo, Angola

"Interesse nacional"

O Presidente João Lourenço designou no domingo o general Pedro Sebastião, ministro de Estado e chefe de Segurança do Presidente da República, para dirigir a comissão multissetorial de combate ao coronavírus.

A nomeação foi feita após "constrangimentos" identificados no centro de quarentena de Calumbo, arredores de Luanda, segundo uma nota da Casa Civil. Cidadãos queixaram-se nas redes sociais das más condições no centro, denunciando que havia várias pessoas a dormir no mesmo quarto e falta de água e comida.

Ainda assim, Agostinho Sicatu acredita que a ministra da Saúde desempenharia melhor o papel por dominar o setor. Mas entende a nomeação de João Lourenço: "É apenas para questões de interesse nacional. Até porque poderão ser tomadas medidas drásticas, e estas requerem que seja uma figura militar", entende Sicatu.

Necessidade de sobrevivência fala mais alto

Os cidadãos em quarentena foram retirados da zona de Calumbo e colocados no Kilamba em hotéis, onde há poucas queixas em relação às condições de acomodação.

Para além da quarentena institucional, o Governo apela aos cidadãos a permanecerem em casa. 

Esta é também a posição defendida pela União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição. Adalberto Costa Júnior, líder da formação, aconselha os cidadãos a adotarem o "método de isolamento".

"O isolamento está identificado hoje como a mais importante de qualquer outra medida, o permanecermos em casa. É este método que a China utilizou, foi este método que levou que alguns resultados positivos fossem ali alcançados", alerta. 

Assistir ao vídeo 03:09

Coronavírus: Como se proteger a si e aos outros

Apesar dos apelos, as ruas e mercados informais continuam apinhados de gente. As razões são várias: muitos não têm o que comer e procuram o ganha-pão; outros vão em busca de alimentos para abastecer as despensas.

Também há uma procura constante de meios de prevenção como máscaras, luvas, sabão azul ou álcool gel. Diante da escassez dos produtos, os comerciantes tendem a especular os preços. 

"Temos uma situação de segurança nacional"

Por estas e por outras razões, Agostinho Sicatu defende medidas preventivas adaptadas ao contexto angolano, diferentes das adotadas pelos países europeus.

"Temos uma situação de segurança nacional. Como é que vai dar de comer, por exemplo, à zungueira que sobrevive de 500 kwanzas, que vai vender na praça para dar de comer às suas crianças? Trancando esta gente dentro de casa, temos um problema gravíssimo", afirma.

Em busca de soluções para conter a propagação do coronavírus, organizações não-governamentais, em parceria com instituições estatais, desdobram-se em ações de sensibilização em todo o país. 

Entretanto, continuam as críticas ao Presidente angolano. João Lourenço foi criticado nas redes sociais por se ter deslocado à Namíbia para participar na cerimónia de tomada de posse do Presidente Hage Geingob, já depois de ter decretado o encerramento das fronteiras no país.

O chefe de Estado justificou a deslocação no âmbito das exceções ao decreto que rubricou. Mas Agostinho Sicatu entende as críticas: "O Presidente seria o primeiro exemplo. Já violou o decreto presidencial por ele exarado e o Presidente do Botswana [que também foi até à Namíbia] já foi posto em quarentena."

"Até não era necessário que alguém o colocasse. Ele próprio perdeu uma grande oportunidade de chegar ao aeroporto e dizer: 'olha, eu vou cumprir uma quarentena'", conclui o analista.

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