Coronavírus: Angola entre países com maior risco de contágio | Angola | DW | 01.02.2020
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Angola

Coronavírus: Angola entre países com maior risco de contágio

Alerta foi feito pela OMS. Angolanos temem entrada do vírus no país, onde todos os anos morrem milhares de pessoas por malária e onde fragilidade dos serviços de saúde pública é grande.

Angola é um dos países africanos sinalizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) com maior risco de contágio em África pelo novo coronavírus. De acordo com o diretor do programa de operações de emergência da OMS em África, Michel Yao, citado pela Associated Press, Angola faz parte de um grupo de países de prioridade máxima, dado os voos diretos da China ou com visitantes deste país, onde milhares de pessoas têm sido afetadas.

Além de Angola, África do Sul, Argélia, Costa do Marfim, Etiópia, Gana, Maurícias, Nigéria, República Democrática do Congo (RDCongo), Quénia, Tanzânia, Uganda e Zâmbia fazem parte desta lista de países africanos, que Yao refere serem "países com sistemas de saúde mais fracos, que estão mal preparados para lidar" com o novo coronavírus.

Segundo o responsável da OMS, a entrada do novo vírus em África "pode arrebatar os sistemas de saúde" neste continente.

Michel Yao acrescentou que, durante os próximos dias, pelo menos 20 países vão receber o reagente necessário para testar as amostras de possíveis casos infetados com o vírus.

Assistir ao vídeo 01:05

Como se prevenir contra o coronavírus

Medidas em Angola

No Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, todos os viajantes estão a ser submetidos a um processo de medição de temperatura e desinfeção das mãos pelas autoridades sanitárias. O objetivo é prevenir o país do surto de surto de coronavírus, que já matou mais de 200 cidadãos chineses.

Zola Mazambi acaba de chegar do Brasil e passou pelo mesmo processo.

"Para além da equipa que está aí na sala de desembarque, vi dispositivos de medição de temperatura e uma bisnaga de gel para desinfestar as mãos, que nem funcionou porque parece que alguém tentou acionar aquilo e caiu. Fora disso não vi nada mais", descreve.

"Eles só estão a fazer a medição da temperatura, ou seja, se tiver um indicativo de febre aí talvez vão despoletar. Não tenho muito a dizer porque não sei o que está montado aí", afirma.

As autoridades angolanas anunciaram no início da semana que já realizaram mais de mil verificações.

Flughafen Luanda (Wikimedia/L.Willms)

Medidas de prevenção foram implementadas no aeroporto internacional de Luanda

Angolanos temerosos

O surto que levou a Organização Mundial da Saúde a decretar estado de emergência internacional está a causar pânico entre os angolanos, sobretudo depois de ser anunciado o primeiro caso suspeito da doença no país.

Rui Adão, um funcionário do aeroporto, duvida que o país tenha condições para travar a doença devido à debilidade dos serviços de saúde. Para este cidadão, o que está a ser feito é apenas uma prevenção. 

"Acredito que o nosso país não está preparado para combater esse vírus, uma vez que num país como a China, que é mais desenvolvido que nós, está a morrer muita gente. Podemos até nos preparar e prevenir com máscaras para não sermos contaminados, mas acredito que se esse vírus entrar no nosso país, o Governo terá que fazer um grande esforço para controlá-lo", considera.

Ouvir o áudio 02:06

Coronavírus: Angola entre países com alto risco de contágio

Por outro lado, Josefa Gonçalves, que faz serviço de táxi no aeroporto, afirma que sentiu pânico quando ouviu falar do primeiro caso suspeito de coronavírus em Angola, que está a ser acompanhado num hospital. Por isso, a taxista pede o encerramento das fronteiras.

"Tive um susto, principalmente porque trabalho aqui e temos contatos com eles [chineses]. Não sabemos se subiu no carro de um colega. Ficamos a imaginar, será que foi com quem? E acabamos por ficar todos com medo", conta.

"Não sei dizer se o país está preparado. Somente a nossa governação pode dizer", pondera a taxista.

O Governo anunciou um reforço das medidas de segurança. Mas descartou esta sexta-feira (31.01) a possibilidade de cancelar as viagens de e para a China. O inspetor geral da Saúde, Miguel Oliveira, disse que não há motivos para o fazer.

"Vamos continuar a gerir e acompanhar a informação e, na medida em que, eventualmente, houver alguma situação que foge do controlo, teremos que aprimorar e aumentar as medidas", afirma.

Ausbrüche der Coronavirus-Pneumonie in China (Getty Images/X. Chu)

Pessoas com máscaras numa estação de comboios em Wuhan, China

Balanço atual

A China elevou para 213 mortos e quase 10 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado no final do ano em Wuhan, capital da província central de Hubei.

Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais de 50 casos de infeção confirmados em 22 outros países - Tailândia, Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Singapura, Vietname, Nepal, Malásia, Estados Unidos, Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Austrália, Finlândia, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Filipinas, Índia, Suécia e Rússia.

A Organização Mundial de Saúde declarou na quinta-feira (30.01) uma situação de emergência de saúde pública de âmbito internacional por causa do surto do novo coronavírus na China.

Uma emergência de saúde pública internacional supõe a adoção de medidas de prevenção e coordenação à escala mundial.

Esta é a sexta vez que a OMS declara uma emergência de saúde pública de âmbito internacional.

Para a declarar, a OMS considerou três critérios: uma situação extraordinária, o risco de rápida expansão para outros países e a exigência de uma resposta internacional coordenada.

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