COP26: Encontro de líderes para evitar aquecimento drástico | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 01.11.2021

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Internacional

COP26: Encontro de líderes para evitar aquecimento drástico

Do encontro decisivo para o futuro do Planeta em Glasgow, na Escócia, deverão sair compromissos firmes para conseguir cumprir o Acordo de Paris e reduzir emissões de gases poluentes ao nível mundial.

UK Glasgow | Protest vor COP26

"Ajam agora, parem os combustíveis fósseis", lê-se no cartaz de ativista em Glasgow

Os líderes mundiais começam hoje a dizer como se propõem acelerar a redução de emissões de gases poluentes nos seus países, no começo da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26), decisiva para o cumprimento do Acordo de Paris.

Seis anos depois do compromisso subscrito por quase todos os países do mundo para limitar o aquecimento global até ao fim do século, é hora de assumirem prazos concretos e metas mais ambiciosas para reduzir emissões, passar de combustíveis fósseis para fontes de energia renováveis, comprometer fundos para ajudar os países mais pobres a adaptarem-se e chegar a acordo sobre o mercado de licenças de emissões poluentes.

O primeiro-ministro do Reino Unido - anfitrião da cimeira, em parceria com a Itália - dará as boas-vindas em Glasgow, na Escócia, às dezenas de chefes de Estado e de governo que hoje (01.11) e terça-feira (02.11), na Cimeira de Líderes Mundiais, farão declarações nacionais de compromissos com o combate às alterações climáticas, numa cerimónia de abertura que se realiza pelo meio-dia. Líderes dos países lusófonos também vão participar na cimeira.

Falando aos jornalistas numa conferência de imprensa no final da cimeira do G20 em Roma no domingo (31.10) - onde líderes das principais economias mundiais se comprometeram a limitar o aquecimento global a 1,5ºC acima dos valores médios da era pré-industrial - Boris Johnson disse que chegou a hora de passar das palavras à ação e insiste na urgência de todos os líderes mundiais agirem, porque "se Glasgow falhar, tudo falha".

"O Acordo de Paris quebrará à primeira barreira. O único mecanismo viável para lidar com as alterações climáticas ficará debaixo de água. Neste momento, o Acordo de Paris, e a esperança que com ele veio, é apenas um bocado de papel. A ciência é clara. Temos de agir agora para reduzir para metade as emissões até 2030 e limitar o aumento da temperatura global até 1,5 graus Celsius. Não há desculpas válidas para a nossa procrastinação", declarou Johnson.

G20 Rom | Emmanuel Macron und Boris Johnson

Emmanuel Macron (esq.) e Boris Johnson (dir.) têm avaliações diferentes da cimeira do G20

Reunião do G20

Enquanto o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, e o Presidente francês, Emmanuel Macron, descreveram a cimeira do G20 como um êxito, o resultado desiludiu os ativistas do clima, o secretário-geral da ONU, António Guterres, e o chefe do Executivo britânico, Boris Johnson.

Boris Johnson classificou os compromissos alcançados na reunião do G20 como meras "gotas num oceano em rápido aquecimento" e António Guterres concordou que o resultado foi insuficiente.

"Embora eu acolha o compromisso renovado do G20 para soluções globais, deixo Roma com as minhas expectativas por preencher - mas, pelo menos, não estão enterradas. Sigamos para a #COP26 em Glasgow", escreveu Guterres na rede social Twitter.

Os países do G20 representam mais de três quartos das emissões mundiais de gases com efeito de estufa e o Reino Unido esperava um "impulso do G20" ao iniciar-se a COP26 em Glasgow.

Entretanto, a ainda chanceler da Alemanha, Angela Merkel, fez uma avaliação positiva do encontro.

"O G20, afinal, é responsável por 75% das emissões de gases poluentes, se juntarmos todos os Estados membros. O facto de ter havido um acordo para se aproximar o mais possível do objetivo de 1,5 graus após o acordo de 2 graus em Paris é um excelente resultado. Deixou claro que o grau 1,5 deve estar ao nosso alcance", disse Merkel.

Já o Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, considerou "dececionante" que a Rússia e a China "não se tenham comprometido" a enfrentar o flagelo das alterações climáticas na conferência das Nações Unidas sobre o clima que hoje começou.

Não é esperada a presença dos Presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Xi Jinping, nas duas semanas de reuniões em Glasgow, mas deverão enviar altos responsáveis às conversações da COP26.

"A deceção prende-se com o facto de a Rússia e a China basicamente não terem assumido quaisquer compromissos para lidar com as alterações climáticas. E há razões para as pessoas se sentirem desapontadas", declarou Biden em Roma no final da reunião do G20.

COP26: Pelo futuro do planeta

Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial avisa que o futuro de planeta está em risco, por isso, não há mais tempo a perder:

"Voltámos a bater recordes de emissão dos principais gases com efeito de estufa, dióxido de carbono. Apesar dos bloqueios do ano passado [devido à pandemia], as concentrações atmosféricas desses gases estão a crescer e quebrámos novamente o recorde na concentração de dióxido de carbono e é o gás com efeito de estufa mais importante a contribuir para o aquecimento até agora. Este é o principal problema que estamos a ter quando se trata de clima, alterações climáticas e aquecimento", explicou.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também alerta que a janela de oportunidade para conter o aquecimento global está "a fechar-se rapidamente".

No âmbito da Cimeira de Líderes em Glasgow, decorrem hoje ainda apresentações científicas sobre o estado do clima global e sobre as consequências de não se conseguirem definir metas que permitam manter o aumento da temperatura global 1,5 graus centígrados acima da temperatura da era pré-industrial.

A COP26 tem conclusão prevista para 12 de novembro.

Assistir ao vídeo 04:56

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