Conflito no Médio Oriente pode abalar economias africanas
2 de março de 2026
O líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, no poder desde 1989, morreu durante uma ofensiva coordenada entre Israel e os Estados Unidos. A resposta iraniana não se fez esperar e a região mergulhou numa nova espiral de violência.
A morte do ayatollah Ali Khamenei provocou uma reação imediata de Teerão. O Irão lançou uma onda de mísseis contra bases norte‑americanas em oito países do Médio Oriente: Qatar, Emirados Árabes Unidos, Dubai, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Israel.
Fontes oficiais confirmam que alguns destes mísseis atingiram zonas residenciais. Washington e Telavive defendem que a sua operação "Fúria Épica" e "Leão Rugido" visa derrubar o regime iraniano, no poder há mais de 40 anos, e destruir a sua capacidade militar. Segundo dados preliminares, mais de 200 pessoas terão morrido nos ataques em território iraniano.
No domingo (01.03), tomou posse em Teerão um Conselho de Transição, responsável por gerir o país neste período de incerteza. O Presidente Masoud Pezeshkian é um dos integrantes do órgão. O novo líder supremo poderá ser anunciado nos próximos dias.
A Guarda Revolucionária Iraniana prometeu vingança à morte de Ali Khamanei. Durante a noite passada, voltou a lançar mísseis contra posições norte‑americanas no Médio Oriente.
Operações militares vão intensificar-se
Os líderes de Israel e dos Estados Unidos, Benjamin Netanyahu e Donald Trump, já avisaram que o conflito poderá prolongar‑se e garantiram que as operações militares serão intensificadas "no coração de Teerão".
"Exorto a Guarda Revolucionária, a polícia militar iraniana, a depor as armas e receber imunidade total ou enfrentar uma morte certa. Será uma morte certa, não será nada agradável", alertou Trump.
Netanyahu também prometeu "destruir completamente o regime de terror" no Irão: "Esta é a minha promessa e é isso que será feito."
Diante de um sério risco de alastramento do conflito, Alemanha, França e Reino Unido admitem participar em ações militares contra o Irão, caso os seus interesses sejam ameaçados, em colaboração com os Estados Unidos e Israel.
O primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer, garantiu que o Reino Unido terá uma participação mais ativa no conflito. "A base da nossa decisão é a autodefesa coletiva de amigos e aliados de longa data e a proteção das vidas britânicas. Isso está em conformidade com o direito internacional. E também reuniremos especialistas da Ucrânia com os nossos próprios especialistas, para ajudar os parceiros do Golfo a abater os drones iranianos que os atacam", disse.
Alemanha e França emitiram um comunicado conjunto alertando que poderão adotar "medidas necessárias e proporcionais para destruir a capacidade iraniana de lançar mísseis e drones”.
A União Europeia (UE) decidiu ainda reforçar a sua missão naval no mar Vermelho com mais dois navios franceses, receando que a escalada militar afete o tráfego marítimo internacional.
Guerra económica com impacto global
Mas vários economistas e analistas sublinham que esta guerra vai muito além da narrativa nuclear: é uma guerra económica, com impacto global. E África não ficará de fora.
Em entrevista à DW, o economista guineense Carlos Lopes alerta para o risco de paralisação do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. O impacto seria imediato: preços em alta, inflação global e desequilíbrios económicos profundos.
Há países africanos altamente expostos, como o Egito, com o Canal do Suez em risco. Mas há também quem possa beneficiar: a África do Sul, com navios a contornar o continente e Angola, que pode lucrar com a subida do preço do petróleo.
Carlos Lopes considera que o mundo enfrenta "um abalo profundo" cujos efeitos "ainda não conseguimos medir".
Entretanto, os mercados já reagiram: o preço do petróleo disparou 13% logo na abertura desta segunda‑feira, refletindo a incerteza crescente no Médio Oriente.