Cimeira Rússia-África: Países africanos ponderam uso de energia nuclear | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 23.10.2019
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Internacional

Cimeira Rússia-África: Países africanos ponderam uso de energia nuclear

Tecnologia nuclear está na agenda da Cimeira Rússia-África, que iniciou esta quarta-feira em Sochi, na Rússia. Poderá esta tecnologia contribuir para o desenvolvimento em África? Quais são as intenções de Moscovo?

O Presidente russo, Vladimir Putin, disse esta quarta-feira (23.10) na abertura da Cimeira Rússia-África, que quer, pelo menos, duplicar as trocas comerciais com o continente nos próximos cinco anos, destacando o potencial de crescimento dos países africanos.

"Estamos a exportar atualmente 22,5 mil milhões de euros por ano em alimentos, o que é um valor maior do que o que resulta da venda de armas, que representam 13,5 mil milhões de euros", disse.

As declarações de Putin foram feitas no discurso oficial de abertura da Cimeira Rússia-África, que decorre na cidade costeira de Sochi, na Rússia, perante dezenas de chefes de Estado e governantes africanos, entre os quais os presidentes de Angola, Moçambique e Cabo Verde.

Ouvir o áudio 03:04

Países africanos ponderam uso de energia nuclear

Energia nuclear em África

Quase 600 milhões de africanos não têm acesso a eletricidade. Com a população a crescer, os governos locais procuram soluções com urgência. Em 2016, o Governo da Zâmbia assinou um acordo com Moscovo para apoiar os russos na exploração de tecnologia nuclear. E a Zâmbia não é o único país que precisa de energia.

Outros países africanos também já consideram o uso de energia nuclear. O tema estará no topo da agenda na Cimeira Rússia-África.

A Rússia vê nesta cimeira uma oportunidade para vender a energia nuclear como solução para os problemas de fornecimento energético no continente africano, diz Alex Vines, investigador no instituto britânico Chatham House.

"Seria uma porta de entrada para uma parceria muito longa com os governos africanos, devido à escala de infraestrutura necessária para instalações nucleares. Também as elites nos governos anfitriões podem estar interessadas nos incentivos dados pelos russos a curto e médio prazo, mas sem realmente considerarem as implicações a longo prazo", avalia Vines.

A seca em muitos países africanos teve um impacto devastador no fornecimento de energia. A barragem de Kariba, entre o Zimbabué e a Zâmbia, costuma gerar quantidades significativas de eletricidade. Mas os níveis da água são os mais baixos dos últimos anos.

Na Zâmbia, por exemplo, a atual seca serviu de pretexto ao membro da Agência de Energia Atómica do país, Roland Msiska, para promover ainda mais a energia nuclear como alternativa à energia hidroelétrica. E defensores africanos desta tecnologia são exatamente o que Moscovo precisa.

Sotschi Russland-Afrika Gipfel Ägypten

Presidente egípcio Abdel Hattah al-Sisi (à esq.) e Vladimir Putin (à dir.) em Sochi

Diversificar a economia russa

Mas quais as razões para este interesse da Rússia em África? O investigador Alex Vines explica que mudanças geopolíticas recentes podem ter dado a Moscovo mais motivos para procurar novos mercados para a tecnologia nuclear.

"A Rússia ainda está a ser alvo de sanções da União Europeia e dos Estados Unidos da América, por isso está a tentar diversificar as suas parcerias económicas", considera.

Outros especialistas defendem que a tecnologia nuclear não faz sentido para os países africanos, devido aos altos investimentos associados.

O fator decisivo para muitos governos poderá ser o custo. Muitos já estão altamente endividados. E construir centrais nucleares é caro e imprevisível, diz Hartmut Winkler, professor de Física na Universidade de Joanesburgo.

"Há muitos exemplos, em todo o mundo, onde a construção de infraestruturas para centrais nucleares continua a arrastar-se. O pior é que o custo pode aumentar muito, afetando os prazos de conclusão, que podem ser subestimados", explica Winkler. 

A Rússia já está a facultar mais de 80% dos fundos necessários para construir a segunda central nuclear do continente africano, orçada em mais de 22,5 mil milhões de euros. A construção deverá começar no próximo ano, no Egito.

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