Ciclone Idai: Por onde anda a oposição moçambicana? | Moçambique | DW | 04.04.2019
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Moçambique

Ciclone Idai: Por onde anda a oposição moçambicana?

A RENAMO, o maior partido da oposição, garante que não está de braços cruzados e aponta o dedo ao Governo face às ajudas que têm sido desviadas.

Em Moçambique, a oposição tem passado despercebida na onda de solidariedade generalizada para com as vítimas do Ciclone Idai. A RENAMO, o maior partido da oposição, garante que não está de braços cruzados, mas há no país quem entenda que a oposição não passa de um embrião crítico habituado a apontar as falhas do Governo, embora se tenha demitido de cumprir o papel de cidadão.

Resposta da oposição

Nas campanhas de solidariedade a favor das vítimas do Ciclone Idai, que atingiu a zona centro em meados de março, gente dos mais variados setores e extratos sociais, a nível individual ou coletivo, manifestou o seu apoio moral ou material, numa iniciativa sem igual em Moçambique. Se é verdade que a solidariedade não é de caráter obrigatório, também é verdade que a apatia generalizada de boa parte da oposição levanta interrogações, afinal identificam-se sempre como defensores dos direitos dos seus eleitores, pelo menos em tempo da caça ao voto. Por isso procuramos saber da RENAMO o que fez pelas vítimas do Idai. José Manteigas porta-voz do maior partido da oposição explica a situação.

Mosambik Beira | Impfkampagne gegen Cholera nach Überschwemmungen (picture-alliance/AP Photo/T. Mukwazhi)

Campanha de vacinação contra a cólera

"Há um apelo que o partido fez, primeiro a nível central, a todos os membros e simpatizantes do partido a manifestarem o seu sinal de solidariedade apoiando naquilo que puderem fazer. Também ao nível das províncias, todos os delegados políticos provinciais foram instruídos a fazerem conferências de imprensa públicas para mobilizarem e encorajar os nossos membros simpatizantes para também envolverem-se de forma direta, ao nível dos distritos, nesses apoios.”

A resposta de Manteigas fez saber também que a sua formação doou um milhão de meticais. E por coincidência a zona mais afetada é o principal bastião da RENAMO e é nessa região onde supostamente estão os seus homens armados, que talvez, à semelhança das Forças de Defesa e Segurança, poderiam excepcionalmente dar o seu apoio no terreno, dada a gravidade da situação. Mas Manteigas diz que tal não é possível e justifica.

"Não, da parte política está-se a trabalhar, temos lá os nossos quadros centrais que estão a apoiar o trabalho está a ser desencadeado ao nível da província. Relativamente aos nossos combatentes que ainda estão nas bases, é óbvio que eles não têm as condições objetivas para poderem dar um apoio direto as populações. Como sabe, eles estão praticamente acantonados e então não é possível de forma presencial apoiar os nossos compatriotas."

Críticas ao Governo

Ouvir o áudio 05:13

Moçambique: RENAMO critica inércia das autoridades face à resposta dada às vítimas do Ciclone Idai

Enquanto isso, o Governo prossegue com as suas ações de apoio no terreno. As críticas da sua atuação são muitas bem como as suspeitas em relação a gestão dos fundos e bens que está a fazer, através do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, o INGC. Há mesmo denúncias de desvios de bens por parte dos colaboradores e a instituição confirma irregularidades.

Convidado a avaliar os esforços das autoridades neste momento o porta-voz da RENAMO comentou o seguinte: "Há algum esforço, mas há inúmeras denúncias que dão conta de que há desvio de produtos e das ajudas e é isso que condenamos. Não se pode aceitar que as pessoas se estejam a aproveitar da situação difícil em que se encontram outros moçambicanos para alcançar os seus próprios fins. Esperamos que o Governo, em parceria com outras instituições, consigam estancar isso o mais rapidamente possível. Inclusivamente há sinais exclusão na base de cores partidárias."

Análise ao papel da oposição

Mas há quem entenda que a oposição está a focar as suas energias para alvos errados e que ela está viciada em certos hábitos. Luis Nhachote é jornalista e avalia o papel da oposição neste momento de catástrofe: "Parece-me que a oposição em Moçambique é um embrião crítico e não está a passar dai, habituou-se a fazer críticas as falhas governamentais e não está a passar daí, como se está a assistir neste momento. Eles demitiram-se do seu papel de cidadãos moçambicanos de solidarizarem-se fazerem campanhas dentro do seu partido para angariarem apoios para as vítimas, mas dedicaram a maior parte do seu tempo e as suas energias a procurarem identificar onde aparentemente o Governo não tenha dado provisões. É um pouco triste..."

 

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