Ciclone ″Eloise″ deixa rasto de destruição e seis mortos no centro de Moçambique | Moçambique | DW | 25.01.2021

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Moçambique

Ciclone "Eloise" deixa rasto de destruição e seis mortos no centro de Moçambique

O número de mortes provocadas pelo ciclone "Eloise", que sacudiu o centro de Moçambique no sábado, subiu hoje para seis. A tempestade provocou milhares de desalojados nas províncias de Manica, Sofala e Zambézia.

Ciclone também destruiu áreas ainda não quantificadas de culturas de milho

Ciclone também destruiu áreas ainda não quantificadas de culturas de milho

Cinco vítimas mortais foram registadas na província de Sofala e uma na Zambézia, além de 12 feridos, num total de 176.000 pessoas afetadas.

Na província de Manica, o ciclone "Eloise" afetou severamente quatro distritos, nomeadamente Macate, Sussundenga, Mossurize e Machaze. Segundo dados preliminares do distrito de Mossurize, o mau tempo deixou ao relento mais de 200 famílias e destruiu cerca de 250 infraestruturas públicas e privadas.

As estradas regionais 260 e 441 que ligam a capital provincial de Manica, Chimoio, a Mossurize e Mossurize a Machaze, respetivamente, estão intransitáveis devido ao aumento dos caudais de seis rios que passam por aqueles distritos da região sul de Manica.

Assistir ao vídeo 01:06

Ciclone Eloise: Autoridades moçambicanas contabilizam prejuízos

Os rios Búzi, Chinyica, Mossurize, Gaha, Machakweri e Chirera, que ficaram debaixo das águas, isolando o distrito de Mossurize do resto da província por via terrestre desde a tarde do último sábado (23.01) em virtude dos efeitos da depressão tropical.

Rafael Muconde, um dos afetados no distrito de Mossurize, contou à DW África o drama vivido. "Esse bairro é que sofreu muito em relação a outros bairros talvez por estar num local elevado, mas nós pensávamos que estando num local elevado não haveria riscos ou desastres. Aqui o que sofreu mais foram casas", diz.

O ciclone "Eloise", que sacudiu a província de Manica, foi caracterizado por chuvas torrenciais acompanhadas de ventos fortes.

Famílias realojadas em escolas

Segundo o administrador do distrito de Mossurize, Fernando Samuel, as famílias que ficaram com as casas destruídas foram alojadas em escolas primárias e têm estado a receber apoio do Instituto Nacional de Gestão e Redução de Risco de Desastres (INGD). 

"Neste momento a situação está calma. Conseguimos colocar as pessoas afetadas em lugares seguros. Tivemos também a destruição de casas, de duas salas de aula e um alpendre com três salas de aula", disse o administrador de Mossurize.

Afrika Tropensturm Eloise Mosambik

Tempestade provoca prejuízos em Manica

Além de casas e infraestruturas públicas e privadas, a tempestade derrubou árvores de grande porte, que bloquearam vias de acesso e quebraram cabos eléctricos, cortando o fornecimento de energia eléctrica nos distritos de Mossurize e Machaze, disse ainda o administrador.

O ciclone também destruiu áreas ainda não quantificadas de culturas de milho, cujas sementeiras foram lançadas em outubro e novembro, e grande partes destas culturas ficaram submersas.

A administradora do distrito de Macate, Rosa Cararadza, disse que no seu distrito 11 famílias ficaram ao relento devido à destruição das suas residências e foram alojadas na Escola Secundária da vila sede do distrito.

Exames finais da 7ª classe

O INGD e o governo distrital estão a trabalhar de mãos dadas no sentido de alocar tendas para acomodar as famílias, pois esta segunda-feira (25.01) arrancam os exames finais da 7ª classe. "Criamos condições com apoio do INGD para dar alimentação às famílias que estão alojadas na escola. Temos exames e algumas das salas ocupadas pelas famílias vamos precisar para que os alunos façam exames" hoje, disse a administradora de Macate.

A administradora de Macate deu a conhecer ainda que os rios que passam por aquele distrito estão com os níveis de água acima do normal, daí que apela à população a não se fazer a estes locais sob o risco de serem atacadas por crocodilos.

Em Moçambique, o ciclone "Eloise" afetou mais de 30 mil famílias, segundo o INGD. Há quase 7 mil pessoas deslocadas em 21 centros de acomodação. Muitas famílias precisam do apoio alimentar bem como necessitam de tendas.

Assistir ao vídeo 03:47

Moçambique: Búzi submerso por causa das chuvas

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