CEDEAO suspende Burkina Faso após golpe de Estado | Internacional – Alemanha, Europa, África | DW | 28.01.2022

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Internacional

CEDEAO suspende Burkina Faso após golpe de Estado

O Burkina Faso, palco de um golpe militar na segunda-feira, foi suspenso da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, cujos chefes de Estado se reuniram esta sexta-feira numa cimeira extraordinária virtual.

De acordo com a Associated Press (AP) e a France-Presse (AFP), a suspensão foi decidida na reunião virtual desta sexta-feira, (28.01), tendo a organização regional africana agendado uma nova reunião para o próximo dia 3 em Acra para avaliar a situação no Burkina Faso.

A CEDEAO exigiu a libertação do presidente destituído, Roch Marc Christian Kaboré, que se encontra em prisão domiciliária, bem como de outros altos funcionários presos, disse à AFP um participante na reunião, sob condição de anonimato.

A cimeira virtual, que durou cerca de três horas, também decidiu enviar uma missão de chefes de Estado-Maior do Exército da CEDEAO a Ouagadougou este sábado, a ser seguida por uma missão ministerial na segunda-feira.

A próxima cimeira estudará os relatórios destas missões e decidirá se devem ser impostas mais sanções, à semelhança do que aconteceu com o Mali e a Guiné-Conacri, países igualmente suspensos pela CEDEAO após os militares terem tomado o poder.

Burkina Faso | Paul-Henri Sandaogo Damiba

Paul-Henri Sandaogo Damiba afirmou na televisão nacional que o seu país "precisa dos parceiros mais do que nunca"

"Dúvidas legítimas"

Na quinta-feira à noite, no seu primeiro discurso desde que assumiu o poder na segunda-feira, o novo homem forte do Burkina, tenente-coronel Paul-Henri Sandaogo Damiba, afirmou na televisão nacional que o seu país "precisa dos parceiros mais do que nunca".

Damiba disse compreender as "dúvidas legítimas" suscitadas pelo golpe, e assegurou que o Burkina Faso "continuará a respeitar os seus compromissos internacionais, particularmente no que diz respeito ao respeito pelos direitos humanos".

O líder militar disse ainda que a independência do poder judicial será "assegurada".

Damiba comprometeu-se igualmente com o "regresso [do país] à vida constitucional normal", "quando as condições estiverem reunidas", mas não deu a conhecer qualquer agenda nesse sentido.

Entretanto, a televisão pública burquinabê anunciou na quinta-feira à noite um aligeiramento do recolher obrigatório imposto na segunda-feira, que passa do período inicial entre as 21:00 e as 05:00 (locais e GMT), para quatro horas, entre a meia-noite e as 04:00.

Desde que tomou o poder, Damiba encontrou-se com vários responsáveis de outras tantos organismos, desde ministros a dirigentes sindicais, tendo aos primeiros indicado que não saíssem do Burkina sem autorização e aos segundos prometido consultá-los e envolvê-los no processo de transição.

Burkina Faso | Präsident Roch Marc Christian Kaboré

Comunidade internacional exige libertação do Presidente deposto, Roch Kaboré

Presidente sob detenção domiciliária

No discurso na televisão, Damiba disse que queria envolver todas as "forças vivas" da nação num "roteiro" para a recuperação do Burkina Faso e várias organizações parecem disponíveis para trabalhar com o novo homem forte do país.

Entretanto, o Presidente deposto continua sob detenção domiciliária, está de "boa saúde”, de acordo com várias fontes e tem um médico à sua disposição.

Na quinta-feira à noite, o líder da junta militar não se referiu a Kaboré, mas a sua libertação foi exigida pela comunidade internacional e é esperada uma decisão da junta militar para breve.

Roch Marc Christian Kaboré, eleito em 2015 e reeleito em 2020, foi derrubado por um corpo militar liderado por Damiba, que lidera agora o chamado Movimento Patriótico para a Salvaguarda e Restauração (MPSR).

A insurreição militar começou no domingo em vários quartéis no país, incluindo na capital burquinabê, Ouagadougou, a seguir a uma manifestação que fez sair à rua milhares de protestantes contra insegurança criada pela violência de vários grupos extremistas islâmicos e pela incapacidade das forças armadas do Burkina Faso responderem a um problema que se agrava desde 2015, precisamente o ano da chegada de Kaboré ao poder.

Assistir ao vídeo 02:06

Burkina Faso: Celebrações pro-junta nas ruas de Ouagadougou

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