Casas em Luanda entregues a supostos “amigos” do MPLA | Angola | DW | 17.10.2012
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Angola

Casas em Luanda entregues a supostos “amigos” do MPLA

Personalidades angolanas terão recebido apartamentos no Kilamba por terem apoiado o MPLA na campanha para as eleições gerais em Angola. Estas pessoas terão um acesso privilegiado às casas, mas terão de as pagar.

Luanda, capital de Angola

Luanda, capital de Angola

Jornalistas, médicos, músicos e mesmo representantes de entidades eclesiásticas. Numa lista divulgada no sábado, 13 de outubro, pelo Jornal de Angola constam nomes de mais de 500 personalidades, nomes sonantes da sociedade angolana.

Todos eles vão ser alegadamente beneficiados com a distribuição de apartamentos no complexo habitacional do Kilamba, nos arredores de Luanda, alegadamente por se terem empenhado a favor do partido no poder, o MPLA, durante a campanha eleitoral que levou à vitória do partido nas eleições gerais de 31 de agosto. No entanto, apesar de terem um acesso privilegiado, estas personalidades terão de pagar as casas.

Os contemplados são agora convocados a comparecer na sede da empresa responsável pela venda dos apartamentos, a Delta Imobiliária, para dar seguimento ao processo.

Segundo a lista publicada pelo jornal angolano, fazem parte dos beneficiários, por parte dos músicos, Matias Damásio, Yuri da Cunha, “Big Nelo”, “Nagrelha”, Yola Araújo, Afonso Quintas ou Justino Wandanga, por exemplo. Pela comunicação social, a lista integra nomes conhecidos, tanto dos meios de comunicação privados, como estatais.

Personalidades a quem foram distribuídos os apartamentos terão apoiado o partido no poder, o MPLA, durante a campanha eleitoral deste ano

Personalidades a quem foram distribuídos os apartamentos terão apoiado o partido no poder, o MPLA, durante a campanha eleitoral deste ano

Surpresa

Herculano Coroado, um jornalista independente angolano que tem acompanhado toda a polémica, leu todos os nomes que constam na lista:

“O meu sentimento é apenas de alguma surpresa por não se ter divulgado os critérios que levaram à constituição desta lista”. Segundo Coroado, haverá agora algum “desconforto por parte dos jornalistas e dos responsáveis do jornalismo angolano que aparecem nessa lista, porque são expostos publicamente.”

Um dos nomes que mais polémica causa, no meio jornalístico, é o nome do padre Quintino Kandanji, que, na lista, aparece na categoria “Entidades Eclesiásticas”. Kandanji é diretor da emissora católica de Angola, a Rádio Ecclésia, uma rádio conhecida pela postura independente e mesmo de distância em relação ao regime de José Eduardo dos Santos, mas que nos últimos tempos tem vindo a ser acusada de falta de postura crítica, por parte de observadores independentes.

Oportunidade

Contactado pela DW África, Quintino Kandanji fala numa oportunidade que terá sido dada à Igreja, de que faz parte:

“Primeiro eu preciso de saber qual é o mérito que eu tenho e, com este mérito, tentar ver que valores tirar disso para favorecer a minha entidade, no caso de ela ser meritória deste favor”, disse. “Agora, provavelmente terei sido indicado por estar ligado a uma instituição. Não sei se eu, pessoalmente, tenho mérito próprio para estar nessas coisas.”

Quintino Kandanji disse ainda não conhecer o processo de candidatura a apartamentos no complexo do Kilamba: “Eu não sei se as pessoas que lá estão se candidataram a casas.”

As figuras públicas que constam na lista agora publicada estão a ser fortemente criticadas por alguns observadores, pois são acusadas de falta de ética por terem apoiado a campanha do MPLA meramente por interesses materiais e pessoais.

Vários investimentos angolanos têm sido criticados por falta de transparência

Vários investimentos angolanos têm sido criticados por falta de transparência

Transparência

Mas por que razão foi publicada esta lista no oficioso Jornal de Angola?

De acordo com o jornalista angolano independente, Herculano Coroado, “o próprio MPLA e o governo teriam interesse em divulgar este tipo de informação, até porque há uma lei que a tem a ver com a probidade pública e este é também um investimento público.”

Herculano Coroado diz que esta transparência é de louvar, pois “estamos num país em que se questiona muito a transparência dos atos do governo e das figuras nele envolvidas.”

Autor: António Cascais
Edição: Guilherme Correia da Silva / António Rocha

Ouvir o áudio 04:37

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