Candidatura de jornalista à CNE passível de conflitos de interesse? | Moçambique | DW | 08.12.2020

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Moçambique

Candidatura de jornalista à CNE passível de conflitos de interesse?

Fernando Lima, que concorre a uma vaga de membro CNE, também é dono do semanário Savana. A ser eleito membro do órgão eleitoral haveria conflito de interesse ou não? Possivelmente, responde Lima. E lembra que há saídas.

Fernando Lima faz parte da extensa lista de 147 candidatos que se "digladiam" para preencher as sete vagas reservadas aos membros da sociedade civil na Comissão Nacional de Eleições (CNE). O anúncio da sua candidatura já foi alvo de críticas.

Também os que se candidatam sob as vestes de sociedade civil, mas pertencentes a partidos políticos, estão a ser desmascarados. E até há quem ameace impugnar a seleção dos membros da CNE. A DW África entrevistou o jornalista Fernando Lima.

DW África: Em há quem insinue que é pelo "tacho" que o Fernando Lima se candidada à CNE. Acredita que o "estômago" seja o único motivo que leva um cidadão a apostar numa causa?

Fernando Lima (FL): Não sou propriamente dos setores mais necessitados da sociedade. É importante também olhar para o background desta candidatura. Não é uma candidatura individual, eu sou responsável pelo pelouro da comunicação no fórum na Confederações das Associações Económicas (CTA) e a instituição decidiu candidatar-me na Comissão Nacional de Eleições (CNE). Acho que aceitar esta candidatura é um dever de lealdade para uma organização na qual tenho trabalhado nos últimos anos, sem qualquer remuneração. E sou apenas um dos 147 candidatos a CNE.

DW África: Caso seja escolhido para um dos lugares disponíveis na CNE, futuramente não incorreria a um conflito de interesses na qualidade proprietário de um órgão de comunicação social, jornalista e membro de um órgão eleitoral?

FL: Eventualmente poderei estar nesta situação, não estou a ver rapidamente que isso se coloque, mas também é muito simples esta questão. Qualquer situação de conflito de interesses terá que ser afastada e na altura própria este assunto tem que, ser equacionado e tem que ser decidido. Portanto, é uma questão muito pacífica.

DW África: Recentemente foi acusado de ter usado o seu jornal (SAVANA) para ocultar a sua candidatura à CNE. É isso o que terá acontecido?

FL: Não. É uma interpretação muito duvidosa. Primeiro, os editores do jornal é que têm a liberdade de decidir o que devem fazer neste aspeto. Em segundo lugar, o meu nome e a origem da respetiva candidatura aparecem mencionados no artigo. E a ausência da minha fotografia podia ser vista como para beneficiar o contrário. Neste caso, se a minha fotografia fosse publicada também podia ser comentado que usei o jornal, onde sou acionista e administrador para promover a minha imagem. Mas é o país que temos e estou habituado a este tipo de insinuações.

DW África: Os candidatos da sociedade civil são suspeitos de servir interesses partidários. Haveria alguma forma das organizações da sociedade civil desenvolverem um "filtro" para evitar um possível "envenenamento” da CNE?

FL: Penso que sim. Há organizações da sociedade civil que genuinamente tentam levar até a CNE candidatos que sejam íntegros e com competências que possam assegurar a independência deste órgão. Mas não sou ingênuo, acredito que há muitas organizações que têm interesses muito objetivos e inclusivamente fazem jogos partidários. Há evidencias disto em ocasiões anteriores. Neste momento, há muitos interesses que se digladiam e termos de candidaturas.

DW África: Por causa disso já há quem que ameace impugnar esta seleção de membros da CNE. Valeria alguma coisa esta pretensão, considerando que a justiça em Moçambique não é tida como "cega”?

FL: Primeiro, penso que a justiça moçambicana não é completamente cega. Em segundo lugar, duvido que seja possível esta impugnação e por último, acho que o mais sensato é um debate aprofundado sobre o tipo da CNE que se precisa em Moçambique.

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